Tag: agropecuária

  • Chuvas na colheita do café: prejuízos na safra e incertezas para o mercado

    Chuvas na colheita do café: prejuízos na safra e incertezas para o mercado

    A colheita do café arábica no Brasil enfrenta um revés climático justamente quando os cafeicultores depositavam esperanças em uma safra promissora. As recentes chuvas, intensas em regiões como o norte do Paraná e o oeste de São Paulo, estão comprometendo a qualidade de parte dos grãos, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

    O impacto imediato nas lavouras em colheita

    No norte do Paraná, as chuvas já resultaram em uma pequena baixa na qualidade dos grãos, conforme relatório do Cepea. A umidade excessiva durante a colheita pode favorecer o desenvolvimento de fungos e doenças, como a ferrugem, além de dificultar a secagem natural dos grãos. Em Marília (SP), as precipitações volumosas preocupam ainda mais: os grãos já caídos no solo estão sendo molhados, o que prejudica a colheita mecanizada e aumenta os riscos de contaminação.

    O paradoxo das chuvas: benefícios para a próxima safra

    Apesar dos danos à safra atual, as chuvas são bem-vindas para as lavouras mais tardias e para a próxima temporada. A umidade no solo é crucial para a floração e desenvolvimento das plantas, especialmente em regiões como o Cerrado mineiro. No entanto, o equilíbrio é frágil: chuvas em excesso ou mal distribuídas podem tanto salvar quanto arruinar uma safra.

    Sul de Minas: o refúgio dos cafeicultores?

    Enquanto o Paraná e São Paulo enfrentam prejuízos, o Sul de Minas Gerais aparece como uma exceção. Agentes consultados pelo Cepea indicam que as chuvas na região devem ter volume reduzido, sem causar danos significativos à safra atual. Essa diferença regional reforça a importância do microclima na produção cafeeira brasileira, um setor que já convive com a volatilidade dos preços e os desafios logísticos.

    O mercado reage aos impactos

    A notícia das chuvas adversas já acendeu um sinal de alerta no mercado. Produtores e traders monitoram de perto a qualidade dos grãos colhidos, enquanto a Esalq/USP e a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) ajustam suas projeções. A expectativa é de que a oferta de café de alta qualidade possa ser menor do que o esperado, o que tende a pressionar os preços no curto prazo. A área tratada com defensivos agrícolas cresceu 7,5% em 2025, segundo pesquisadores do Cepea, um reflexo dos esforços para mitigar os danos causados pelo clima.

    O que esperar daqui para frente?

    Os próximos dias serão decisivos. Se as chuvas cessarem e o tempo seco prevalecer, os cafeicultores poderão minimizar os prejuízos. Por outro lado, novas precipitações intensas podem agravar a situação. Além disso, a saúde das lavouras que ainda não foram colhidas depende diretamente das condições climáticas nas próximas semanas. Para os consumidores, a tendência é de alta nos preços do café nos pontos de venda, especialmente se a safra brasileira, maior produtora mundial, sofrer redução na qualidade.

  • Arroz: queda nos preços e alerta global; estoques recuam enquanto consumo bate recorde

    Arroz: queda nos preços e alerta global; estoques recuam enquanto consumo bate recorde

    A cotação do arroz em casca no Rio Grande do Sul segue em queda, mergulhando o setor em um cenário de baixa liquidez, cautela dos compradores e resistência dos produtores. Segundo o Cepea, a desvalorização do dólar frente ao real enfraqueceu ainda mais as cotações ao reduzir a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional, desacelerando a demanda externa — que até então sustentava os preços.

    O que dizem os dados globais: produção em queda e consumo em alta

    Novas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra mundial 2026/27 revelam um cenário de equilíbrio frágil. A produção global de arroz beneficiado deve atingir 537,9 milhões de toneladas, 0,9% menor do que na temporada 2025/26. Enquanto isso, o consumo global bate recorde: 541,3 milhões de toneladas, um aumento de 0,7% em relação ao período anterior.

    Estoques mundiais em declínio: a pressão sobre os preços

    Os estoques finais de arroz devem recuar 1,8%, fechando a safra 2026/27 em 192,7 milhões de toneladas. A relação estoque final/consumo cairá para 35,6% — contra 36,5% em 2025/26 —, um indicador que reforça a tensão nos mercados. Para o Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já revisou para baixo a estimativa da safra 2025/26, embora em patamar menos acentuado que o cenário global.

    Dólar fraco e exportações: o Brasil perde fôlego

    A valorização do real frente ao dólar, somada à queda das cotações internacionais, prejudicou as exportações brasileiras. Com o produto nacional ficando mais caro no exterior, os compradores estrangeiros passaram a buscar alternativas em países como Índia e Tailândia, tradicionais fornecedores. A redução da demanda internacional, que antes ajudava a segurar os preços, agora contribui para a pressão baixista no mercado doméstico.

    Perspectivas para o produtor: vender agora ou esperar?

    No Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país, os agricultores enfrentam um dilema. Com os preços em queda e a incerteza sobre a próxima safra, muitos optam por adiar vendas na expectativa de uma recuperação. No entanto, especialistas alertam que, diante do cenário de estoques apertados e consumo crescente, a pressão pode se intensificar nos próximos meses. A estratégia de guardar a produção pode não ser suficiente para conter as perdas, caso a safra global confirme as projeções de retração.

    Um setor em transformação: o que esperar a médio prazo?

    O mercado de arroz vive um momento de reavaliação de estratégias. Para os consumidores, a tendência é de preços mais estáveis ou até ligeiramente altos, devido à redução dos estoques. Já para os produtores, a adaptação será essencial: seja investindo em tecnologia para aumentar a produtividade, seja diversificando culturas para mitigar riscos. Enquanto o USDA projeta um equilíbrio delicado entre oferta e demanda, o Brasil precisa urgentemente recuperar competitividade para não perder espaço no comércio global.

  • Lula reforça papel do cooperativismo no agro e libera R$ 10 bi para agricultura familiar: ‘É vital para o Brasil’

    Lula reforça papel do cooperativismo no agro e libera R$ 10 bi para agricultura familiar: ‘É vital para o Brasil’

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta terça-feira, durante evento em Brasília, a importância estratégica do cooperativismo para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Em discurso, Lula classificou o modelo como “vital” para a segurança alimentar e a geração de renda no campo, destacando seu papel na inclusão produtiva de pequenos agricultores.

    O anúncio dos R$ 10 bilhões: onde e como serão aplicados

    O governo federal anunciou a liberação de R$ 10 bilhões em recursos exclusivos para o setor, divididos entre custeio e investimento. Os valores serão destinados, prioritariamente, à agricultura familiar e a cooperativas de pequeno porte, com juros subsidiados e condições diferenciadas para adesão. Segundo o Ministério da Agricultura, os recursos buscam fortalecer cadeias produtivas regionais, como a do leite, grãos e hortifrutigranjeiros.

    Contexto: por que o cooperativismo ganha centralidade no governo

    O modelo cooperativista tem sido apontado pela gestão atual como um vetor de transformação social no campo. Dados do governo indicam que 70% dos alimentos consumidos internamente são produzidos por agricultores familiares, muitos deles organizados em cooperativas. Além disso, o setor responde por cerca de 40% das exportações agropecuárias do país. Lula argumentou que, em um cenário de crise climática e pressões por sustentabilidade, as cooperativas oferecem respostas mais ágeis e inclusivas do que modelos tradicionais.

    Reações e desafios na implementação

    Enquanto o anúncio foi celebrado por entidades como a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), especialistas alertam para a necessidade de agilidade na liberação dos recursos e na assistência técnica aos produtores. “O sucesso dessa política dependerá não apenas do volume de recursos, mas da capacidade de execução nos estados”, afirmou um analista do setor agro, sob condição de anonimato. Críticos também questionam se os valores anunciados serão suficientes para atender à demanda reprimida de pequenos produtores, especialmente em regiões como o Nordeste.

    Impacto econômico e social: o que muda para os brasileiros

    A injeção de recursos deve injetar ânimo em mais de 4 milhões de famílias rurais, segundo estimativas do governo. Além de garantir a continuidade de safras, a medida pode reduzir a dependência de importações de alimentos básicos e estimular a geração de empregos no campo. Para o setor cooperativista, a novidade representa um reforço à sua já consolidada participação na economia nacional — hoje, as cooperativas brasileiras movimentam cerca de R$ 200 bilhões anualmente.

  • Mapa usa ‘scanner molecular’ para flagrar fraudes em azeites no DF e retira 5 marcas suspeitas das prateleiras

    Mapa usa ‘scanner molecular’ para flagrar fraudes em azeites no DF e retira 5 marcas suspeitas das prateleiras

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deflagrou na última quinta-feira (14) uma operação inédita no Distrito Federal para combater fraudes em azeites de oliva. Utilizando tecnologia de ponta, auditores fiscais federais agropecuários flagraram indícios de adulteração em cinco marcas entre as 45 analisadas em quatro grandes redes atacadistas da capital. As amostras suspeitas foram encaminhadas para análise laboratorial, enquanto o equipamento portátil de espectroscopia no infravermelho médio (MIR) — apelidado de “scanner molecular” — permitiu identificar, em tempo real, possíveis misturas com óleos vegetais de menor valor, como soja e girassol.

    A fiscalização que enxerga além da embalagem

    A ação, coordenada pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), representa um marco na fiscalização de alimentos no Brasil. O equipamento MIR funciona como um “scanner molecular”, emitindo feixes de luz infravermelha que analisam a composição química do produto sem necessidade de abertura da embalagem. Em questão de segundos, a tecnologia detecta irregularidades como a adição de óleos vegetais baratos ou a diluição com solventes, prática comum em fraudes que prejudicam tanto o consumidor quanto os produtores legítimos de azeite.

    O que muda para os consumidores e o mercado

    As cinco marcas com suspeitas de não conformidade foram retiradas das prateleiras para análise laboratorial complementar no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA). Caso confirmadas as irregularidades, os produtos poderão ser interditados e os responsáveis, responsabilizados. A iniciativa integra um monitoramento contínuo do Mapa para garantir que os azeites comercializados no país atendam aos padrões de identidade e qualidade estabelecidos pela legislação brasileira — um passo crucial para proteger a saúde pública e a economia do setor.

    Segundo especialistas, a adulteração de azeites é um problema global, mas no Brasil, onde o consumo do produto tem crescido significativamente, a fiscalização com tecnologia avançada chega em um momento crítico. “A população está cada vez mais atenta à qualidade dos alimentos, e ferramentas como essa reforçam a transparência e a confiança no mercado”, afirmou um analista do setor, que preferiu não se identificar.

    Tecnologia a serviço da segurança alimentar

    A espectroscopia no infravermelho médio não é novidade em laboratórios, mas sua aplicação em fiscalizações de campo é recente no Brasil. O equipamento portátil permite que os auditores analisem dezenas de amostras por dia diretamente nas gôndolas, sem a necessidade de deslocamento para laboratórios. Isso não apenas agiliza o processo, como também aumenta a capacidade de fiscalização, possibilitando o monitoramento de um número maior de marcas e lotes.

    “Antes, dependíamos de análises laboratoriais demoradas. Agora, com essa tecnologia, podemos identificar fraudes instantaneamente e agir de forma preventiva”, explicou um auditor fiscal do Mapa. A operação no DF faz parte de um projeto mais amplo de modernização das fiscalizações agropecuárias, com investimentos em equipamentos e capacitação de equipes.

    O impacto no agronegócio e na economia

    O combate às fraudes em azeites tem reflexos diretos no agronegócio brasileiro, especialmente para os produtores nacionais que seguem os padrões de qualidade. Segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Azeite (Abpa), o Brasil importa cerca de 90% do azeite consumido no país, o que torna o controle de qualidade ainda mais urgente. “Fraudes desvalorizam o produto legítimo e prejudicam toda a cadeia, desde o agricultor até o consumidor final”, afirmou um representante da Abpa.

    A iniciativa do Mapa também alinha-se a políticas públicas que visam reduzir a dependência de importações e incentivar a produção nacional. Recentemente, o governo federal anunciou um projeto de lei para ampliar incentivos à produção de fertilizantes, outro insumo estratégico para a agricultura brasileira. “Combater fraudes é também uma forma de fortalecer a economia local e garantir a segurança alimentar”, destacou um técnico do ministério.

  • Brasil e China selam nova era no agro: ministro André de Paula abre portas para US$ 100 bilhões em negócios

    Brasil e China selam nova era no agro: ministro André de Paula abre portas para US$ 100 bilhões em negócios

    Xangai, China — O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) iniciou neste domingo (17) uma missão histórica na China com um objetivo claro: transformar a relação comercial entre os dois maiores players do agronegócio mundial em uma parceria ainda mais estratégica. Liderado pelo ministro André de Paula, a comitiva brasileira participou do Seminário Brasil-China de Agronegócio, um fórum que reuniu mais de 300 empresários, autoridades e especialistas para discutir não apenas o volume atual de US$ 100 bilhões em negócios anuais, mas também as oportunidades para dobrar esse fluxo nos próximos cinco anos.

    O Brasil como solução para a segurança alimentar chinesa

    Em um discurso que ecoou como um manifesto da nova diplomacia agrobrasileira, o ministro André de Paula não poupou adjetivos para definir o potencial do Brasil no cenário global. “Nós não somos apenas um fornecedor de commodities; somos a resposta para a equação que a China busca: qualidade, escala e previsibilidade”, declarou, destacando que o país já fornece 70% da soja e 50% do açúcar importados pela China, além de ser o segundo maior fornecedor de carne bovina.

    A China, que importa US$ 140 bilhões em alimentos por ano — sendo o Brasil seu principal parceiro na América Latina —, enfrenta pressões para diversificar suas fontes de abastecimento devido a crises climáticas e conflitos geopolíticos. Nesse contexto, o Brasil surge como um parceiro estável e confiável, como reiterou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua: “Temos sanidade comprovada, infraestrutura logística robusta e uma capacidade de produção que pode ser ampliada sem comprometer a sustentabilidade — diferencial que nenhum outro país oferece no mesmo patamar.”

    Projeto de Lei dos Fertilizantes: a jogada dupla que pode mudar o jogo

    Paralelamente às negociações em Xangai, o Governo Federal enviou ao Congresso um Projeto de Lei que promete reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados — um dos maiores gargalos da agropecuária nacional. A proposta, que deve ser votada ainda este ano, prevê incentivos fiscais e linhas de crédito para empresas que investirem em produção nacional de insumos, com foco em nitrogênio, fósforo e potássio (NPK).

    Segundo dados do Mapa, o Brasil importa 80% dos fertilizantes que consome, com a China sendo o principal fornecedor. “Essa dependência nos torna vulneráveis a crises de preços e até a embargos políticos. A lei não só vai baratear os custos de produção como também fortalecer a balança comercial“, explicou Laudemir Muller, presidente da ApexBrasil, presente no seminário. “É uma estratégia de longo prazo que alinha segurança alimentar com soberania produtiva.”

    A diplomacia do agro: por que a China foi a primeira parada

    André de Paula foi categórico ao justificar a escolha da China como destino da sua primeira missão internacional: “Não há outro mercado que ofereça tanto potencial de crescimento imediato. A China já é nosso maior parceiro comercial, mas podemos ir além. Nos últimos 20 anos, o comércio bilateral cresceu 1.200%, e agora estamos na fase de upgrade — passando de fornecedor de matérias-primas para parceiro em tecnologia e inovação agropecuária”, afirmou.

    Durante o seminário, foram assinados 12 memorandos de entendimento entre empresas brasileiras (como JBS, BRF e Cargill) e chinesas, abrangendo desde exportação de carne cultivada até parcerias em agricultura de precisão. “O Brasil não está pedindo favores; estamos oferecendo soluções para um dos maiores desafios do século XXI: alimentar 1,4 bilhão de pessoas com sustentabilidade”, resumiu o ministro.

    O que muda para o produtor rural e o consumidor chinês?

    Para o agro brasileiro, as mudanças são estruturais:

    • Novos protocolos sanitários: O Mapa anunciou a conclusão de acordos para exportação de carne suína brasileira com certificação de ausência de peste suína africana, um entrave histórico para o setor.
    • Diversificação de mercados: Além da soja e da carne, o Brasil busca abrir frentes para frutas tropicais, café e até vinhos, aproveitando a crescente classe média chinesa que demanda produtos premium.
    • Tecnologia como diferencial: Empresas chinesas demonstraram interesse em adquirir tecnologia brasileira de rastreabilidade e bioinsumos, como o uso de drones e inteligência artificial na agricultura.

    Do lado chinês, a população deve sentir os reflexos nos preços dos alimentos a médio prazo. Com a diversificação das fontes de importação, a China poderá reduzir sua dependência de países como Austrália e Canadá, que tiveram safras afetadas por secas recentes. “A estabilidade de preços é uma vitória para os 1,4 bilhão de consumidores chineses“, destacou um analista do setor ouvido pela ClickNews.

    O que vem pela frente: o roadmap até 2030

    O Mapa não escondeu as metas ambiciosas: até 2030, o Brasil quer aumentar suas exportações agropecuárias para a China em 50%, chegando a US$ 150 bilhões anuais. Para isso, três frentes serão priorizadas:

    1. Expansão de mercados: Abertura de novos protocolos para carne bovina com osso, leite em pó e produtos orgânicos.
    2. Infraestrutura logística: Investimentos em portos e ferrovias para reduzir o custo Brasil, como o Corredor Bioceânico, que ligará o Porto de Santos ao Chile.
    3. Sustentabilidade: O Brasil se comprometeu a reduzir em 30% as emissões de gases do efeito estufa na agropecuária até 2030, um requisito cada vez mais exigido pelo mercado chinês.

    “A China não quer apenas comprar do Brasil; ela quer comprar do Brasil do futuro“, concluiu o ministro André de Paula, encerrando o seminário com um apelo aos empresários: “Este não é um momento de oportunidade; é um momento de decisão. Ou nós lideramos essa transformação, ou perdemos a chance de sermos protagonistas da próxima década.”

  • Crédito rural empresarial encolhe 5% no Plano Safra 2025/2026: CPR avança enquanto investimentos recuam 29%

    Crédito rural empresarial encolhe 5% no Plano Safra 2025/2026: CPR avança enquanto investimentos recuam 29%

    A guinada do crédito rural: onde o dinheiro está e por que o setor hesita

    O Plano Safra 2025/2026 trouxe um paradoxo para o crédito rural empresarial brasileiro. Enquanto a Cédula de Produto Rural (CPR) — um instrumento de mercado — ganha espaço como alternativa às linhas tradicionais, os investimentos estruturais encolheram 29%, sinalizando um setor em transição, mas também em alerta. O volume total de R$ 391,2 bilhões para agricultura empresarial representa uma queda de 5% em relação aos R$ 409,8 bilhões da safra anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura (Mapa).

    A CPR como salva-vidas do agronegócio: 43% dos recursos em um ano

    A CPR é hoje o grande termômetro da confiança do mercado no crédito rural. Com crescimento de 10% e volume de R$ 167 bilhões, o instrumento responde por 43% dos recursos totais alocados na safra 2025/2026 — ante 37% no ciclo anterior. Essa migração reflete uma estratégia clara: produtores e tradings buscam alternativas frente ao custo financeiro elevado e às restrições ambientais que pesam sobre os financiamentos convencionais. Quando somados aos recursos de custeio tradicional, os R$ 292,6 bilhões para produção agrícola representam um recuo de apenas 1,6%, mostrando que a CPR está compensando parcialmente a queda.

    Industrialização dispara, mas investimentos murcham: o que isso diz sobre o futuro do agro

    Enquanto os números da CPR brilham, outro dado chama a atenção: o crédito para industrialização cresceu 66%, saltando de R$ 17,1 bilhões para R$ 28,4 bilhões. Esse movimento não é casual. Ele reflete a busca do setor por agregar valor à produção, alinhando-se a uma estratégia nacional de modernização. No entanto, o mesmo período viu os investimentos caírem drasticamente: de R$ 58,8 bilhões para R$ 41,6 bilhões. Todos os programas de investimento registraram quedas, com destaques negativos para o Prodecoop (-57%), Proirriga (-56%) e Moderfrota (-54%).

    Juros altos, inadimplência e clima: o que trava o crédito rural

    A análise do Mapa não deixa dúvidas: a retração nos investimentos é resultado de um cenário adverso. Entre os fatores citados estão as elevadas taxas de juros, a instabilidade internacional, o aumento da inadimplência, os altos custos de produção, os riscos climáticos e a maior seletividade dos bancos. Produtores e cooperativas, diante desse quadro, optam por adiar expansões ou modernizações, priorizando o custeio imediato em detrimento de projetos de longo prazo.

    Pronamp resiste: médios produtores apostam em políticas estáveis

    Nem tudo são más notícias. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) registrou crescimento de 3%, totalizando R$ 52,1 bilhões. O desempenho sugere que políticas públicas direcionadas — como o Pronamp — ainda conseguem manter o fôlego de médios produtores, mesmo em um ambiente de incertezas. A resiliência desse segmento pode ser um sinal de que, com incentivos adequados, o setor ainda tem fôlego para se adaptar.

    O que esperar das próximas safras?

    O cenário desenhado pelo Plano Safra 2025/2026 é de transição dolorosa para o crédito rural. A CPR, embora dinâmica, não substitui integralmente os investimentos estruturais — essenciais para a modernização e sustentabilidade do agro. Enquanto o governo não sinalizar redução consistente de juros ou novas linhas de financiamento com condições mais atrativas, a tendência é de manutenção desse equilíbrio instável: crescimento pontual em segmentos específicos, mas retração generalizada em áreas críticas. Para o produtor, a lição é clara: adaptar-se ao mercado ou correr riscos cada vez maiores.

  • Fenasul Expoleite encerra com faturamento recorde e promessa de expansão agropecuária no RS

    Fenasul Expoleite encerra com faturamento recorde e promessa de expansão agropecuária no RS

    A 19ª edição da Fenasul e a 46ª Expoleite, realizadas entre os dias 13 e 17 de maio no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, encerraram com números recordes que reforçam o papel do Rio Grande do Sul como um dos principais polos agropecuários do país. Com um público estimado em 200 mil pessoas e a participação de mais de 1,4 mil animais — entre bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, equinos e pequenos animais — o evento consolidou-se como um termômetro das tendências e desafios do setor.

    A pujança genética gaúcha em destaque com 500 animais na Fenovinos

    O evento não apenas reuniu a maior exposição de gado do Sul do país, mas também abrigou a 38ª Fenovinos, que trouxe ao parque cerca de 500 animais de 13 raças diferentes. A integração entre as feiras, segundo o secretário da Agricultura do Estado, Márcio Madalena, representa um ciclo virtuoso: “A Região Metropolitana recebe a feira e devolve ao interior. No ano que vem, será em São Borja, com muito orgulho de ter sediado essa edição”, declarou durante o desfile dos campeões.

    Políticas públicas e renegociação de dívidas entram na pauta do setor

    Madalena aproveitou o palco da Fenasul Expoleite para reafirmar o compromisso do governo estadual com a agricultura familiar e a pecuária de grande escala. “Estamos atentos aos movimentos em Brasília para a renegociação das dívidas dos produtores rurais e acompanhamos de perto a tramitação do PL 5122, que amplia incentivos à produção nacional de fertilizantes”, destacou. A medida, segundo ele, é crucial para reduzir a dependência de insumos importados e fortalecer a autonomia do produtor gaúcho.

    Lideranças do setor celebram união em torno da produção nacional

    Marcos Tang, presidente da Gadolando e da Febrac, elegeu os produtores como os verdadeiros protagonistas do evento. “Vocês representam o Brasil que dá certo, do pequeno ao grande produtor. O respeito que temos por vocês deve ser enorme”, afirmou, em discurso que ecoou entre os mais de 200 mil visitantes. Já Domingos Velho Lopes, presidente da Farsul, enfatizou o papel das feiras como vitrine do trabalho agropecuário: “Eventos como este são essenciais para mostrar ao Brasil e ao mundo a qualidade do que produzimos”, declarou.

    Negócios e inovação: o legado econômico da feira

    Embora os dados oficiais de faturamento ainda não tenham sido divulgados, fontes do setor estimam que a feira tenha movimentado mais de R$ 1,4 bilhão em negócios, desde a venda de animais até a comercialização de insumos e tecnologias. A presença de 38 estandes de empresas do agronegócio e a realização de palestras sobre inovação na pecuária leiteira e corte reforçaram o caráter estratégico do evento para a cadeia produtiva.

    Para 2025, a expectativa é de que a feira se desloque para São Borja, mantendo a tradição de levar desenvolvimento e inovação para diferentes regiões do estado. Enquanto isso, o legado da 19ª Fenasul e 46ª Expoleite permanece: um retrato vivo da resiliência e da vocação agropecuária do Rio Grande do Sul.

  • Instituto Biológico revoluciona diagnóstico de doenças bovinas com produção nacional de 30 milhões de kits

    Instituto Biológico revoluciona diagnóstico de doenças bovinas com produção nacional de 30 milhões de kits

    O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, acaba de dar um passo decisivo para consolidar sua liderança no setor agropecuário. Desde 2021, o Laboratório de Inovação em Imunobiológicos do Instituto Biológico (IB-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, produz cerca de 30 milhões de kits diagnósticos para brucelose e tuberculose bovina — doenças que, se não controladas, podem dizimar rebanhos e inviabilizar mercados internacionais.

    Da teoria à prática: como a ciência brasileira protege o agronegócio

    Os testes, distribuídos a fornecedores credenciados pelo Ministério da Agricultura (Mapa), são fundamentais para o Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), que impõe protocolos rigorosos para identificar e isolar animais infectados. Segundo o médico-veterinário Ricardo Spacagna Jordão, responsável técnico do laboratório, a produção nacional não apenas atende à demanda interna como reduz a dependência de insumos importados — um fator crítico em tempos de instabilidade logística global.

    “Aqui, não estamos apenas fabricando kits. Estamos modernizando um processo que tem mais de 50 anos”, afirma Jordão. Ele explica que a inovação está na purificação de proteínas bacterianas usadas nos diagnósticos, que permitem resultados precisos sem expor os animais a riscos sanitários. “Cada proteína é produzida em laboratório para simular uma infecção real, mas de forma controlada, garantindo confiabilidade total nos testes.”

    A batalha contra as doenças que ameaçam o agro

    A brucelose e a tuberculose bovina são zoonoses que impactam não só a pecuária, mas também a saúde pública. Animais infectados podem transmitir a doença a humanos, especialmente em regiões com alta densidade populacional ou sistemas de produção menos regulamentados. O PNCEBT, criado em 2001, estabelece um sistema de vigilância contínua, onde cada estado brasileiro deve testar um percentual mínimo de seu rebanho anualmente.

    No entanto, a eficácia do programa depende diretamente da qualidade dos insumos diagnósticos. Jordão destaca que o laboratório paulista, com apoio da Fundepag, tem investido em automação e rastreabilidade para evitar erros humanos e garantir que os resultados sejam auditáveis. “Quando um animal dá positivo, o produtor precisa agir rápido. Nossa tecnologia assegura que o diagnóstico seja inequívoco.”

    O futuro da sanidade animal: autossuficiência e inovação

    O Brasil, que já domina o mercado de carne bovina, agora foca em diferenciar-se pela qualidade sanitária. A produção nacional de kits diagnósticos alinha-se a estratégias maiores, como o Plano de Desenvolvimento da Agropecuária (Plano ABC+), que incentiva práticas sustentáveis e tecnológicas no campo. Além disso, a iniciativa reduz a vulnerabilidade do país a sanções internacionais, uma vez que muitos importadores exigem certificados de ausência dessas doenças nos rebanhos.

    Para especialistas, o sucesso do projeto reforça a importância de investimentos públicos em ciência aplicada. “Sem laboratórios como o do IB-APTA, o Brasil teria de depender de insumos estrangeiros, com custos mais altos e prazos imprevisíveis”, avalia um analista do setor agropecuário. A médio prazo, a expectativa é expandir a produção para outros patógenos, como a leucose bovina, consolidando o país como referência em sanidade animal.

  • Mega Leilão em Cuiabá: Como Mato Grosso reforça a liderança do Brasil na pecuária global

    Mega Leilão em Cuiabá: Como Mato Grosso reforça a liderança do Brasil na pecuária global

    O coração da pecuária brasileira bate forte neste domingo em Cuiabá. A Estância Bahia realiza seu Mega Leilão, um dos maiores eventos do setor no país, reunindo mais de 20 mil animais — entre machos e fêmeas de diversas categorias — que prometem movimentar milhões em negócios.

    O Brasil na vitrine global: por que Mato Grosso é o palco do momento

    O evento não poderia ocorrer em melhor timing. Com mercados estratégicos como Estados Unidos e China enfrentando desabastecimento de carne bovina, a pecuária mato-grossense surge como uma solução de volume, qualidade e preço competitivo. Segundo especialistas, o Brasil, maior exportador mundial do produto, consolida sua posição como fornecedor confiável em um cenário de incertezas globais.

    De Cáceres a Paranatinga: a diversidade que define o leilão

    Os animais ofertados vêm de praticamente todas as regiões produtoras de Mato Grosso, como Baixada Cuiabana, Cáceres, Tangará da Serra, Barra do Bugre, Vale do Guaporé, Primavera do Leste e Paranatinga. A distribuição estratégica reflete a robustez do estado, que abriga desde rebanhos de corte até animais de genética avançada.

    Entre os 11 mil machos e 9 mil fêmeas previstos, a oferta é dividida em faixas etárias e categorias: 25% são bezerros, prontos para recria; 50% são garrotes próximos da terminação em confinamento; e o restante inclui animais intermediários, essenciais para a engorda. Um dado que chama atenção é a presença de mais de mil animais Angus — uma evidência do avanço da genética na pecuária nacional e da busca por maior produtividade.

    Perspectivas 2026: o setor respira aliviado

    Em entrevista exclusiva ao Compre Rural, Guilherme Tonhá, gestor comercial da Estância Bahia Leilões, traçou um panorama otimista para a pecuária de corte. “Nós passamos por momentos difíceis nos últimos anos, mas 2026 está sendo um ano firme. Existem ajustes normais de mercado, mas a demanda global — especialmente em mercados que estão desabastecidos — está sustentando os preços e incentivando os investimentos”, afirmou.

    Tonhá destacou ainda que o leilão não é apenas uma vitrine de animais, mas um termômetro do setor. “Eventos como este mostram a resiliência da pecuária brasileira. Mesmo com oscilações, o Brasil mantém sua capacidade de produzir em escala e com qualidade, o que atrai compradores de todo o mundo”, completou.

    O que esperar dos negócios?

    Com a combinação de alta demanda internacional, preços firmes e oferta qualificada, o Mega Leilão promete superar a marca de R$ 100 milhões em negócios. Além disso, o evento reforça a importância de Mato Grosso não apenas como um estado produtor, mas como um hub de inovação e tecnologia pecuária, capaz de ditar tendências para o restante do país.

    Para os pecuaristas, trata-se de uma oportunidade para renovar rebanhos com genética superior e, para os compradores, a chance de adquirir animais com potencial para alavancar a produtividade. Tudo isso em um ambiente onde a transparência e a rastreabilidade são prioridades — um reflexo da crescente exigência dos mercados consumidores.

  • Produtores de leite de SC unem forças para criar entidade estadual e combater crise do setor

    Produtores de leite de SC unem forças para criar entidade estadual e combater crise do setor

    Um movimento inédito no estado de Santa Catarina ganha força nesta terça-feira (12), quando sete associações regionais do setor leiteiro se reuniram na sede da AMOSC, em Chapecó, para dar os primeiros passos rumo à criação de uma entidade estadual capaz de representar os interesses de mais de 20 mil produtores rurais. A iniciativa, que envolve municípios do Oeste, Extremo Oeste, Meio-Oeste, Alto Irani, Alto Uruguai e Noroeste catarinense, é uma resposta direta aos desafios que assolam a cadeia produtiva há anos: queda nos preços do leite, aumento dos custos de produção e falta de políticas públicas efetivas.

    Da fragmentação regional à união estratégica: o nascimento do Fórum Interassociativo

    A reunião, conduzida pelo vice-presidente da AMOSC e prefeito de Nova Itaberaba, Marciano Pagliarini, e pelo presidente da AMAI, Anderson Bianchi (prefeito de Lajeado Grande), reuniu representantes das associações AMEOSC, AMERIOS, AMNOROESTE, AMAI, AMOSC, AMAUC e AMMOC. O objetivo central foi estruturar um fórum interassociativo permanente, que atuará como voz unificada dos produtores frente ao governo estadual e federal.

    Segundo Pagliarini, a união das sete regiões é um marco para o setor. “Esta é uma oportunidade histórica de fortalecer os produtores rurais, não apenas economicamente, mas também na defesa de seus direitos. Precisamos ampliar a representatividade para garantir que a atividade leiteira, tão vital para nossa economia regional, seja reconhecida como estratégica”, afirmou. A proposta, apresentada pelo assessor jurídico da AMOSC, Fabiano Porto, prevê a criação de um fórum que coordenará ações coletivas, desde o diálogo com instâncias governamentais até a proposição de projetos de lei que beneficiem o setor.

    Os principais desafios que unem os produtores catarinenses

    Durante o encontro, foram mapeadas as principais dificuldades enfrentadas pelos produtores, que incluem:

    • Preços instáveis: A queda nos valores pagos pelo litro de leite nos últimos anos, agravada pela concorrência com importações e pela concentração do poder de compra das indústrias processadoras, tem reduzido a margem de lucro dos produtores.
    • Altos custos de produção: O aumento dos preços de insumos, como ração e combustível, pressiona ainda mais a viabilidade econômica das propriedades rurais.
    • Falta de políticas públicas específicas: Os produtores pedem incentivos fiscais, acesso a crédito com juros subsidiados e programas de garantia de preços mínimos, semelhantes aos existentes para outros setores da agropecuária.
    • Fragilidade na comercialização: A dependência de intermediários e a falta de cooperativas fortes limitam o poder de negociação dos produtores junto às indústrias.

    Para enfrentar esses problemas, o fórum propõe a elaboração de um plano estadual para o leite, com metas claras de curto, médio e longo prazo, incluindo:

    • Criação de um índice estadual de preços do leite, que sirva como referência para negociações.
    • Estímulo à formação de cooperativas regionais para fortalecer a comercialização.
    • Parcerias com universidades e centros de pesquisa para desenvolver tecnologias que reduzam custos e aumentem a produtividade.
    • Adoção de medidas de proteção contra a concorrência desleal de produtos importados.

    O papel das lideranças políticas e o caminho a seguir

    A participação de prefeitos e secretários municipais de Agricultura no encontro sinaliza o apoio político que a iniciativa pode ter. O prefeito de Chapecó, por exemplo, já se comprometeu a incluir a pauta do leite na agenda da próxima reunião do Consórcio Intermunicipal do Oeste Catarinense (CIOESTE). “Este movimento não é apenas dos produtores, mas de toda a cadeia produtiva. Precisamos que o governo estadual e federal enxergue a importância do leite para Santa Catarina”, declarou um dos participantes.

    Nos próximos meses, o fórum interassociativo realizará reuniões regionais para ouvir as demandas específicas de cada território e formar grupos técnicos para levantar dados precisos sobre a cadeia leiteira catarinense. A meta é apresentar um projeto de lei estadual até o final de 2024, com propostas concretas para resolver os gargalos do setor. “Não queremos assistencialismo, mas condições justas de competição. O leite catarinense tem qualidade reconhecida, mas falta rentabilidade”, resumiu um dos líderes do movimento.

    Santa Catarina: um estado-chave para o leite brasileiro

    Com uma produção anual de cerca de 3,5 bilhões de litros, Santa Catarina é o quarto maior produtor de leite do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. No entanto, o setor enfrenta uma crise silenciosa: enquanto a produtividade cresce, a renda dos produtores cai. Segundo dados da Epagri, o custo de produção em 2023 superou em 20% a receita média por litro de leite, pressionando muitos produtores a abandonar a atividade ou reduzir investimentos.

    A criação do fórum interassociativo surge como uma resposta necessária para reverter esse cenário. “Unidos, temos força para negociar com as indústrias, pressionar por políticas públicas e mostrar que o leite catarinense é um produto de excelência, que merece ser valorizado”, concluiu Pagliarini. O próximo passo será a definição da coordenação provisória e a elaboração de um cronograma de ações para os próximos 12 meses.