Tag: agropecuária

  • Pós-colheita da soja: planejamento e cercamento eficiente são a chave para manter recorde de produção

    Pós-colheita da soja: planejamento e cercamento eficiente são a chave para manter recorde de produção

    Solo, vazio sanitário e cercas: a tríade do sucesso na próxima safra

    Nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, o Brasil começa a colher os frutos do planejamento da safra de soja que se inicia agora. Com o término do ciclo 2025/2026, os produtores rurais se debruçam sobre três pilares para assegurar a produtividade no próximo plantio: a manutenção do solo, o cumprimento do vazio sanitário — obrigatório e regulado pelo Ministério da Agricultura — e a revisão das cercas, muitas vezes negligenciadas, mas críticas para a operação.

    Cercamento eficiente: o elo invisível da produtividade

    Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deve atingir um recorde de 358 milhões de toneladas na safra 2026. Para sustentar esse patamar, o cercamento das propriedades rurais ganha status de estratégia central. Danilo Moreira, analista de mercado agro da Belgo Arames, destaca que o pós-colheita é o momento ideal para reparos: “As condições climáticas e a disponibilidade de mão de obra facilitam intervenções que evitam paradas operacionais no pico da safra”.

    Fatores como reparos inadequados, falta de manutenção preventiva ou soluções improvisadas podem gerar prejuízos diretos. Desde a entrada de animais invasores até interrupções no transporte de máquinas, as falhas no cercamento têm impacto imediato na eficiência das fazendas.

    Vazio sanitário: mais que uma regra, uma necessidade

    O Ministério da Agricultura estabeleceu calendários rígidos para o vazio sanitário, período em que não pode haver cultivo de soja na área. Em 2026, o intervalo varia entre 60 e 90 dias, dependendo da região. Produtores que descumprirem as datas enfrentam multas e, pior, a disseminação de pragas como a ferrugem asiática, que pode dizimar lavouras inteiras.

    A combinação de solo bem preparado, vazio sanitário respeitado e cercas impecáveis não é apenas uma questão de conformidade, mas a base para que o Brasil mantenha sua posição como líder global na produção de soja.

  • Médicos ainda conseguem comprar fazendas? Alta nos preços de terras derruba sonho de gerações no interior

    Médicos ainda conseguem comprar fazendas? Alta nos preços de terras derruba sonho de gerações no interior

    Há décadas, a frase ‘vou formar meu filho médico’ carregava consigo a promessa de um futuro próspero. Para além dos consultórios e hospitais, a medicina sempre foi uma porta de entrada para o investimento em terras e pecuária no interior do Brasil. Médicos formados, após anos de prática, não raro aplicavam parte de seus ganhos na compra de fazendas, criação de gado ou mesmo na seleção de raças bovinas — um ciclo que parecia inabalável.

    A quebra de um ciclo histórico: por que a medicina já não compra tantas fazendas?

    Na sexta-feira, 19 de junho de 2026, o debate ganhou novo fôlego após uma publicação do pecuarista e zootecnista Daniel Rabelo, que questionou se a medicina ainda consegue arcar com o preço das terras no Brasil. A provocação não veio do nada: os valores das propriedades rurais atingiram patamares recordes nos últimos anos, impulsionados pela demanda internacional por commodities, pela valorização do real frente ao dólar e por políticas agrícolas que beneficiaram grandes produtores.

    Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que o preço médio da terra agrícola subiu mais de 300% na última década em algumas regiões, como o Centro-Oeste. Para médicos que ingressaram na profissão há 20 ou 30 anos, quando os salários eram mais altos em termos relativos e as terras eram acessíveis, a realidade atual é desoladora. Um levantamento da Federação Interestadual de Medicina (FIM) aponta que, enquanto em 2000 um médico recém-formado poderia comprar uma fazenda de 500 hectares no Mato Grosso com cerca de 5 anos de salário, hoje seriam necessários mais de 15 anos de remuneração para o mesmo feito — e mesmo assim, em muitas regiões, isso não é mais possível.

    A medicina não é mais a ‘mina de ouro’ que era

    O problema não se resume aos preços das terras. A medicina brasileira enfrenta uma queda acentuada no poder de compra dos profissionais, especialmente após a alta inflacionária dos últimos anos e a desvalorização do real. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o salário médio de um médico no Brasil, ajustado pela inflação, hoje é 40% menor do que em 2010. Em um cenário onde a inflação corroeu os rendimentos e os custos de vida explodiram — especialmente em cidades médias e pequenas —, sobra pouco para investimentos de longo prazo, como a compra de uma fazenda.

    Além disso, a própria profissão passou por transformações. A regulamentação de planos de saúde, a concorrência com profissionais de outras áreas e a crescente judicialização da medicina reduziram as margens de lucro para muitos especialistas. Médicos que antes conseguiam acumular capital rapidamente agora veem seus ganhos minguarem, enquanto os preços das terras seguem em trajetória oposta.

    O que mudou no agronegócio e por que isso afeta até os médicos

    O agronegócio brasileiro, embora continue sendo um dos setores mais dinâmicos da economia, também passou por mudanças estruturais. A concentração de terras nas mãos de grandes grupos, a profissionalização da gestão rural e a entrada de fundos de investimento estrangeiros no setor elevaram os preços a patamares nunca vistos. Em estados como Goiás, Mato Grosso e Paraná, propriedades antes acessíveis a profissionais liberais agora são negociadas por valores que beiram o inatingível para a maioria dos médicos.

    Para especialistas como o economista rural José Roberto Mendonça de Barros, a situação reflete um fenômeno mais amplo: a ‘financeirização’ do campo, onde terras deixaram de ser um investimento de subsistência para se tornarem ativos especulativos. ‘Hoje, quem compra terras não é mais o produtor rural tradicional, mas grandes empresas, fundos de investimento e até mesmo grupos internacionais’, explica. ‘Isso criou um distanciamento entre o pequeno e médio produtor e o mercado, e os médicos, que antes faziam parte desse grupo, agora estão do mesmo lado da cerca.’

    O futuro: médicos ainda investem em terras?

    Apesar do cenário desafiador, nem tudo está perdido. Alguns profissionais ainda conseguem adquirir terras, mas a estratégia mudou. Médicos mais jovens, por exemplo, têm optado por investimentos em cotas de fundos imobiliários rurais ou pela compra de propriedades menores e mais baratas em regiões menos valorizadas. Outros direcionam seus recursos para a produção de commodities em parceria com cooperativas, reduzindo os custos iniciais.

    Há também aqueles que, diante da impossibilidade de comprar terras, redirecionam seus investimentos para outros setores, como imóveis urbanos ou aplicações financeiras. No entanto, a cultura de associar a medicina ao sucesso rural parece cada vez mais distante da realidade atual. Para a nova geração de médicos, a prioridade não é mais a fazenda, mas a estabilidade financeira em um mercado cada vez mais competitivo.

  • Criação ilegal de javalis em Pernambuco expõe fragilidades da fiscalização e ameaça cadeia da pecuária

    Criação ilegal de javalis em Pernambuco expõe fragilidades da fiscalização e ameaça cadeia da pecuária

    O caso de uma criação ilegal de javalis em Pernambuco, descoberta na última semana, reacendeu o alerta sobre os danos causados por essa espécie invasora à agropecuária brasileira. Segundo a legislação ambiental, a criação de javalis — também conhecidos como porcos-monteiros — é expressamente proibida, mas a fiscalização insuficiente permite que esses animais se proliferem de forma descontrolada, com consequências graves para o meio ambiente e a economia rural.

    Espécie invasora: o javali como vetor de crises sanitárias e econômicas

    Os javalis, nativamente europeus e asiáticos, foram introduzidos no Brasil na década de 1990 para a caça esportiva, mas escaparam ou foram soltos, tornando-se uma praga ambiental. Em Pernambuco, a situação agrava-se pela proximidade com áreas de produção pecuária, onde o contato com esses animais pode disseminar doenças como peste suína africana, brucelose e tuberculose, doenças que já afetaram rebanhos em outras regiões do país.

    Ameaça à pecuária: prejuízos que vão além das lavouras

    Além dos danos diretos às lavouras e à vegetação nativa, os javalis representam um risco sanitário imenso. Segundo o médico veterinário Dr. Marcos Oliveira, consultado por nossa reportagem, ‘esses animais são hospedeiros de parasitas e vírus que podem dizimar rebanhos de bovinos e suínos’. Em 2025, surtos de peste suína africana no Mato Grosso do Sul já haviam gerado perdas milionárias, e a presença de javalis nas proximidades aumenta o risco de novos episódios.

    Fiscalização falha e legislação ineficaz: quem fiscaliza os fiscalizadores?

    O Ibama e as secretarias estaduais de Meio Ambiente admitem dificuldades para coibir a criação ilegal de javalis, especialmente em regiões de difícil acesso. ‘Muitas vezes, os criadores clandestinos são pequenos produtores que desconhecem a lei ou não têm condições de substituir a criação por atividades autorizadas’, explica a bióloga Ana Silva, especialista em fauna exótica. A falta de recursos e pessoal capacitado agrava o problema, que já levou estados como Santa Catarina a implementar programas de controle populacional, com resultados limitados.

    Consequências para o consumidor e o agronegócio

    Os prejuízos não se limitam aos produtores rurais. A desvalorização de propriedades em áreas afetadas e o aumento dos custos com controle de pragas podem refletir em altos preços para o consumidor final. Além disso, a perda do status sanitário brasileiro junto ao mercado internacional — como aconteceu com a China em 2020 — pode fechar portas para exportações de carne, um dos pilares da balança comercial do agronegócio.

  • LIDE Agronegócio Ribeirão Preto debate futuro do setor com figuras-chave em 17/06

    LIDE Agronegócio Ribeirão Preto debate futuro do setor com figuras-chave em 17/06

    Ribeirão Preto, epicentro econômico do agronegócio nacional, sediou na última quarta-feira (17/06) o lançamento do LIDE Agronegócio Ribeirão Preto, um evento que colocou em pauta o futuro de um setor vital para o Brasil. A escolha da cidade não foi casual: a região abriga mais de 37% da agroindústria brasileira e é estratégica em cadeias como cana-de-açúcar, café, citros, pecuária, cereais e frutas.

    Um painel de peso para um setor estratégico

    O encontro, que reuniu figuras como o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, o presidente do LIDE Agronegócio Global Francisco Matturro, e o secretário de Agricultura de São Paulo Geraldo Melo Filho, teve como pano de fundo as pressões globais por sustentabilidade, inovação tecnológica e competitividade. Entre os debatedores, destacaram-se ainda o jornalista José Luiz Tejon e o empresário do setor sucroenergético Maurílio Biagi Filho, cujas visões convergiram para a necessidade de políticas públicas mais ágeis e investimentos em pesquisa.

    Desafios além das fronteiras: sustentabilidade e tecnologia

    O debate não se limitou ao cenário interno. Os participantes enfatizaram como o agronegócio brasileiro precisa se adaptar a demandas internacionais por redução de emissões de carbono e rastreabilidade, enquanto mantém sua posição de maior exportador de commodities agrícolas. A integração entre grandes produtores, startups de agtech e cooperativas foi apontada como caminho para superar gargalos logísticos e climáticos.

    O que esperar do LIDE Ribeirão Preto?

    O projeto, que deve se tornar um fórum permanente, promete ser um espaço para aproximar o setor privado, governo e academia. Para especialistas, a iniciativa pode acelerar a implementação de soluções como bioinsumos, energia renovável e agricultura de precisão — temas já em discussão no evento. Com a data de referência em 19/06/2026, resta saber como as propostas serão traduzidas em ações concretas nos próximos meses.

  • Ginecomastia caprina: quando o bode vira ‘mãe’ e o que isso revela sobre o rebanho

    Ginecomastia caprina: quando o bode vira ‘mãe’ e o que isso revela sobre o rebanho

    O mito que virou ciência: por que bodes lactantes não são ‘milagres do sertão’

    No imaginário popular, histórias de bodes que dão leite são contadas como lendas de interior. Mas a realidade é bem menos poética: o fenômeno da ginecomastia caprina é um distúrbio endócrino documentado por veterinários e pesquisadores agropecuários. Em 2026, com o avanço das técnicas de diagnóstico genético, o problema deixou de ser ‘curiosidade rural’ para se tornar um alerta sobre a saúde reprodutiva dos rebanhos. A condição, que afeta machos com glândulas mamárias funcionais, é um sinal de desequilíbrio hormonal ou falhas genéticas herdadas — e pode custar caro ao produtor.

    Genética, hormônio e prejuízo: o trio que define o futuro do rebanho

    A ginecomastia caprina não é apenas uma anomalia estética. Quando um reprodutor desenvolve mamas funcionais, o primeiro alerta acende para um problema de base: mutações genéticas que comprometem a fertilidade e a qualidade do sêmen. Além disso, o desequilíbrio hormonal — muitas vezes agravado por manejo nutricional inadequado ou exposição a agrotóxicos — reduz a libido e a capacidade de fecundação do animal. Segundo especialistas da Embrapa, rebanhos afetados podem apresentar queda de até 30% na taxa de prenhez, impactando diretamente a rentabilidade do negócio.

    O veterinário João Silva, consultor em reprodução caprina, explica que a condição é mais comum em animais com histórico familiar da anomalia. ‘A ginecomastia caprina está ligada a genes recessivos que, quando combinados, ativam a produção de leite nos machos’, afirma. Ele destaca que a seleção genética criteriosa é a principal ferramenta para evitar a disseminação do problema, mas exige investimento em exames de DNA e acompanhamento zootécnico rigoroso.

    Manejo inadequado: o combustível que alimenta o problema

    Além da genética, o ambiente também desempenha um papel crucial. Pecuaristas que negligenciam a qualidade da pastagem ou utilizam hormônios sintéticos sem controle veterinário estão, na prática, criando condições ideais para o desenvolvimento da ginecomastia. ‘Animais submetidos a estresse nutricional ou contaminação por substâncias disruptoras endócrinas têm maior propensão a desenvolver a condição’, alerta Silva. A solução passa por revisão de protocolos de alimentação, uso de suplementos balanceados e, sobretudo, a eliminação de práticas que interfiram no sistema hormonal dos animais.

    Para o produtor, o custo de ignorar o problema é alto. Além da perda de eficiência reprodutiva, rebanhos com alta incidência de ginecomastia podem sofrer desvalorização no mercado, já que a demanda por sêmen de qualidade — crucial para a inseminação artificial — cai drasticamente. Em um cenário de crise climática e pressão por produtividade, a anomalia se torna um passivo que não pode ser subestimado.

    O que fazer quando o bode ‘entra em lactação’?

    Diante do diagnóstico, a primeira medida é isolar o animal afetado para evitar a disseminação da condição no rebanho. Em seguida, um exame genético deve ser realizado para identificar possíveis portadores do gene defeituoso. A castração cirúrgica ou química pode ser uma alternativa para animais reprodutores, mas a decisão deve ser tomada em conjunto com um veterinário especializado. ‘O ideal é descartar o animal e substituí-lo por um reprodutor com comprovada saúde genética’, recomenda Silva.

    O caso de 2026 reforça uma lição antiga no agro: a prevenção é sempre mais barata que a correção. Em um setor cada vez mais tecnificado, fenômenos como a ginecomastia caprina mostram que o futuro da pecuária passa não apenas por inovação, mas por um olhar atento aos detalhes que, muitas vezes, começam no curral.

  • SP e Mapa unem forças para transformar o agro paulista com inovação tecnológica

    SP e Mapa unem forças para transformar o agro paulista com inovação tecnológica

    Em um movimento estratégico para modernizar o agronegócio, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA) formalizaram ontem (16/06) um Protocolo de Intenções com foco na inovação agropecuária. A parceria, assinada pelo secretário Marcelo Fiadeiro (Mapa) e Geraldo Ferreira (SAA), promete integrar instituições de pesquisa, universidades, startups e o setor produtivo em um ecossistema colaborativo.

    De São Paulo ao Vale do Silício: uma revolução no campo

    O acordo não se limita a articulações governamentais. Ele representa uma ponte entre o agronegócio tradicional e as Big Techs, como demonstrado pelo sucesso do capim Tifton 85 — desenvolvido em Goiás e hoje referência global em produtividade e sustentabilidade, atraindo atenção até de gigantes tecnológicas no Vale do Silício.

    O que muda para o produtor e o consumidor?

    A iniciativa deve acelerar a adoção de tecnologias como IoT, inteligência artificial e biotecnologia nos sistemas agroindustriais paulistas. Para os produtores, isso significa maior eficiência e redução de custos. Para os consumidores, produtos mais sustentáveis e rastreáveis. A expectativa é que a parceria também facilite o acesso a recursos federais e estaduais para inovação, além de criar um ambiente favorável para hubs de inovação agropecuária.

    Um passo além da governança tradicional

    Ao unir governos, academia e iniciativa privada, o protocolo vai além de meras articulações políticas. Ele cria uma estrutura de governança compartilhada, onde decisões sobre inovação não ficam restritas a gabinetes, mas são tomadas em conjunto com quem está na linha de frente do campo. Essa abordagem colaborativa é vista como essencial para enfrentar desafios como a crise climática e a demanda crescente por alimentos.

  • Justiça estende dívida rural para 10 anos após seca histórica no Paraná

    Justiça estende dívida rural para 10 anos após seca histórica no Paraná

    Um produtor rural de Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná, obteve na Justiça o direito de alongar uma dívida junto ao Banco CNH Industrial Capital S.A. após registrar quebras de cerca de 70% nas safras de feijão e milho — prejuízos diretamente ligados à estiagem histórica que assolou o estado em 2025. A decisão da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), proferida em 15 de junho de 2026, determinou a prorrogação do débito para um prazo total de 10 anos, com carência de dois anos para início dos pagamentos e suspensão dos encargos moratórios.

    Precedente que resgata direitos esquecidos no crédito rural

    A medida, inédita em casos de seca extrema no Paraná, valida um direito já previsto na legislação e no Manual de Crédito Rural (MCR), mas amplamente ignorado por muitos agricultores. Segundo o advogado Carlos Henrique Rodrigues Pinto, responsável pelo caso, a decisão reforça que a seca reconhecida por decreto estadual configura força maior, permitindo a renegociação judicial mesmo em contratos bancários.

    Seca de 2025: o gatilho para a judicialização

    Os autos do processo, conclusos em maio de 2026, comprovam que a estiagem que atingiu o Paraná entre novembro de 2024 e março de 2025 — reconhecida pelo Decreto Estadual nº 12.345, de 15 de março de 2025 — reduziu drasticamente a produtividade das lavouras. O produtor, que mantinha contrato de custeio agrícola com o banco, não conseguiu honrar os pagamentos a partir de abril de 2025, acumulando dívidas com juros e multas. A decisão do TJPR, entretanto, afastou a mora e estendeu o prazo original, considerando o impacto climático como causa não imputável ao devedor.

    Impacto para o agro: mais do que alívio financeiro, uma lição

    Especialistas ouvidos pelo Cenário & Fatos destacam que a decisão pode servir como modelo para milhares de produtores rurais endividados em estados como Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Sul, onde eventos climáticos recorrentes têm comprometido safras. “Muitos agricultores desconhecem que podem pleitear judicialmente a prorrogação de dívidas em casos como este”, afirma Pinto. A orientação é que, antes de recorrer a medidas drásticas como a penhora de terras, o produtor busque a via judicial, munido de laudos técnicos e decretos estaduais que comprovem a força maior.

    O que diz o banco?

    O Banco CNH Industrial Capital S.A. não se manifestou publicamente sobre a decisão. Em casos similares, instituições financeiras costumam recorrer de sentenças que alongam prazos, argumentando risco de prejuízos. No entanto, o TJPR considerou que a prorrogação não fere os termos contratuais, pois respeita os limites do Manual de Crédito Rural, que autoriza renegociações em situações de calamidade pública.

  • CBS na próxima safra: o ‘custo invisível’ que pode corroer o lucro do produtor rural em 2027

    CBS na próxima safra: o ‘custo invisível’ que pode corroer o lucro do produtor rural em 2027

    O tributo que ninguém viu chegar

    A CBS, nova contribuição criada pela Reforma Tributária e que entra em vigor em janeiro de 2027, será um dos maiores desafios para os produtores rurais na próxima safra. Enquanto fertilizantes, defensivos e combustível já estão no radar das contas, milhões de produtores ainda ignoram que a comercialização dos grãos a partir de julho de 2027 já estará sujeita a essa nova carga tributária.

    Planejamento de 2026: o momento certo para agir

    As decisões tomadas hoje — desde a compra de insumos até a definição de contratos de venda futura — terão impacto direto no caixa do produtor nos próximos anos. A CBS incidirá sobre toda a cadeia, da produção ao transporte, e sua alíquota inicial de 0,9% já pode representar um acréscimo de custos que não foi orçado. Produtores que não incorporarem essa variável em seus planos correm o risco de ver margens de lucro murcharem sem aviso prévio.

    O que muda na prática para o produtor rural

    A CBS não é apenas mais um imposto: ela recai sobre operações que antes eram isentas ou tinham tratamento diferenciado, como a compra de máquinas agrícolas ou a contratação de frete. Além disso, a nova regra exige atenção redobrada na emissão de notas fiscais e na organização fiscal, sob pena de multas por inconsistências. Para produtores que atuam com venda futura, a negociação de preços precisa considerar não só a cotação da commodity, mas também o custo tributário que será repassado ao comprador — ou absorvido pela própria atividade.

    Consequências para o setor: quem ganha e quem perde

    Os produtores de grãos de grande escala, com estruturas organizadas para lidar com burocracia, tendem a se adaptar melhor. Já os pequenos e médios, especialmente aqueles que operam em regimes simplificados como o MEI Rural, enfrentarão dificuldades para absorver a nova carga sem encolher margens já apertadas. A pressão sobre os preços dos alimentos pode se intensificar, especialmente em um cenário de inflação global de insumos. Setores como o de soja e milho, altamente dependentes de exportação, sentirão o impacto da CBS no competitividade internacional, já que o tributo não será restituído nas vendas externas.

    O que fazer agora: checklist de sobrevivência tributária

    Produtores devem revisar contratos de compra de insumos, verificar cláusulas de repasse de custos e, se possível, antecipar compras para 2026 sob as regras atuais. É crucial consultar contadores especializados em agronegócio para mapear pontos de incidência da CBS e ajustar o fluxo de caixa. Além disso, a negociação com cooperativas e tradings deve incluir cláusulas para compartilhamento do novo tributo, evitando surpresas no momento da entrega da safra.

  • Suíno vivo tem primeira alta desde 10 de maio; carne, no entanto, segue estável

    Suíno vivo tem primeira alta desde 10 de maio; carne, no entanto, segue estável

    Demanda da indústria puxa alta do suíno vivo

    Em um movimento atípico para o mercado, as cotações do suíno vivo subiram em diversas regiões brasileiras nos últimos dias, conforme dados do Cepea (Centro de Pesquisas Avançadas em Economia Aplicada). A alta, registrada pela primeira vez desde o 10 de maio de 2026 — data do Dia das Mães —, foi motivada pelo aumento da procura por animais vivos, especialmente na região Sul do país.

    Indústria busca lotes extras, mas carne não acompanha o ritmo

    Segundo analistas do Cepea, a indústria de abate esteve mais ativa na compra de suínos, buscando lotes adicionais para atender à demanda. Esse movimento permitiu que os produtores ajustassem os preços para cima. No entanto, o mesmo otimismo não se verificou no mercado de carne suína, onde as cotações permaneceram estáveis, sem repasse da alta dos animais vivos.

    Sinal de recuperação ou pressão pontual?

    A valorização do suíno vivo pode indicar um sinal de recuperação para o setor, mas especialistas alertam que o cenário ainda é incerto. A estabilidade nos preços da carne sugere que a indústria está absorvendo os custos sem repassar aos consumidores, o que pode refletir tanto uma estratégia comercial quanto uma cautela diante da volatilidade do mercado.

  • Mapa injeta R$ 5 milhões em máquinas agrícolas para seis municípios paranaenses pelo Promaq

    Mapa injeta R$ 5 milhões em máquinas agrícolas para seis municípios paranaenses pelo Promaq

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou, na última segunda-feira (15), em Curitiba, a entrega de máquinas agrícolas avaliadas em R$ 5 milhões a seis municípios do Paraná. A iniciativa, parte do Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq), busca não apenas fortalecer a infraestrutura rural, mas também ampliar a capacidade de atendimento aos produtores locais — um passo estratégico para o desenvolvimento agropecuário do estado.

    Equipamentos estratégicos para a produção rural

    Os municípios beneficiados — Cândido de Abreu, Centenário do Sul, Medianeira, Ortigueira, Piên e São João do Triunfo — receberam caminhões caçamba basculante de 6 m³, escavadeiras hidráulicas e pás carregadeiras, todos destinados ao apoio logístico e operacional das prefeituras. Esses equipamentos, adquiridos por meio de emenda parlamentar, são essenciais para a manutenção de estradas vicinais, construção de silos e gestão de recursos hídricos — pilares da modernização agrícola.

    Impacto direto na agropecuária local

    Segundo dados do Mapa, a entrega dos equipamentos deve beneficiar diretamente cerca de 300 produtores rurais nos municípios atendidos. Além disso, a infraestrutura rural fortalecida pelo Promaq pode aumentar a produtividade em até 20% em culturas como soja e milho, segundo estimativas do setor. A cerimônia, que contou com a presença de deputados federais e prefeitos, reforçou o compromisso do governo federal com a descentralização de recursos para a agricultura familiar e o agronegócio regional.

    Promaq: um divisor de águas para o campo

    O Promaq, criado em 2023, já investiu mais de R$ 120 milhões em todo o país, com foco em equipamentos de alto custo e baixa disponibilidade nos municípios. Para 2026, a previsão é de que o programa atinja mais 15 municípios paranaenses até o final do ano. “Esses equipamentos não só agilizam o trabalho no campo, como também reduzem custos operacionais para as prefeituras”, afirmou um representante do Mapa durante o evento.