Tag: agropecuária

  • Greening avança no Sul: Rio Grande do Sul registra primeiros casos da doença em cítricos

    Greening avança no Sul: Rio Grande do Sul registra primeiros casos da doença em cítricos

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, confirmou em 8 de junho de 2026 os primeiros casos de greening (Huanglongbing – HLB) em plantas cítricas no estado. A doença, transmitida pelo inseto Diaphorina citri e causada pela bactéria Candidatus Liberibacter, foi detectada em um pomar doméstico no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próxima à divisa com Santa Catarina.

    Monitoramento de décadas e alerta regional

    A vigilância que identificou os casos é resultado de um programa conjunto entre o Mapa e a Secretaria da Agricultura gaúcha, em operação desde 2004. Nos últimos anos, as ações foram intensificadas devido à expansão da doença em países vizinhos, como Argentina, Uruguai e Santa Catarina, onde a doença já causou prejuízos significativos à citricultura.

    Medidas fitossanitárias já em vigor

    Diante da confirmação, o estado já adotou protocolos de contenção, incluindo a erradicação das plantas infectadas e o controle do vetor. A Secretaria de Agricultura do RS orienta produtores e moradores a relatarem sintomas suspeitos, como folhas amareladas com manchas assimétricas e frutos deformados, em áreas comerciais ou residenciais.

    Impacto econômico e desafios para o setor

    A entrada do greening no Rio Grande do Sul representa um risco para a cadeia produtiva de cítricos, que movimenta cerca de R$ 1,2 bilhão anualmente no estado. A doença, incurável, pode dizimar pomares se não controlada, exigindo investimentos em fiscalização e conscientização. Especialistas alertam que a proximidade com Santa Catarina, onde a doença já é endêmica, exige atenção redobrada para evitar uma crise semelhante.

  • Bahia Farm Show 2026: R$ 14 bilhões em crédito e modernização do agro com programa Move Brasil

    Bahia Farm Show 2026: R$ 14 bilhões em crédito e modernização do agro com programa Move Brasil

    A Bahia Farm Show, principal vitrine de inovação no agronegócio do Norte e Nordeste, iniciou sua 20ª edição na segunda-feira, 8 de junho de 2026, em Luís Eduardo Magalhães (BA), com um discurso de renovação para o setor. O evento, que se estende até esta terça-feira (9), reuniu o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o governador Jerônimo Rodrigues, além dos ministros André de Paula (Agricultura) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), para anunciar medidas estruturantes para o campo.

    Move Brasil: R$ 14 bilhões para modernizar a agricultura

    O destaque da programação foi o lançamento oficial do programa Move Brasil, iniciativa do Ministério da Agricultura que disponibilizará R$ 14 bilhões em crédito para financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas. A medida tem como objetivo reduzir a defasagem tecnológica no campo, permitindo que produtores rurais atualizem suas frotas — como tratores, colheitadeiras e sistemas de irrigação — com juros subsidiados e prazos alongados.

    A estratégia busca atacar um gargalo histórico do agro nacional: a baixa mecanização em regiões como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde a produtividade ainda sofre com a falta de infraestrutura moderna. Segundo projeções do governo, a iniciativa pode elevar em até 20% a eficiência média das lavouras nos próximos três anos, além de impulsionar a indústria de máquinas agrícolas, gerando empregos indiretos no setor.

    Políticas públicas e o futuro do agronegócio baiano

    A abertura da feira também serviu como palco para reforçar compromissos do governo estadual com o desenvolvimento rural. Jerônimo Rodrigues anunciou a ampliação de R$ 2 bilhões em investimentos para infraestrutura hídrica no Oeste da Bahia, região crítica para a produção de soja e milho. A medida inclui recursos para construção de barragens e recuperação de aquíferos, essenciais para mitigar os efeitos das secas recorrentes.

    Para especialistas ouvidos pela reportagem, os anúncios refletem uma mudança de estratégia do governo federal, que passa a priorizar o crédito como ferramenta de política agrícola, em vez de apenas subsídios diretos. “O Move Brasil é um sinal de que o Estado finalmente entendeu que a modernização do campo passa pela atualização tecnológica, não apenas pela ajuda financeira”, avalia a economista rural Sônia Mendes, da Universidade Federal da Bahia.

    Feira como termômetro do agro nacional

    Com mais de 300 expositores e 50 mil visitantes esperados, a Bahia Farm Show 2026 se consolida como um termômetro do setor. A edição deste ano destaca tecnologias como agricultura de precisão, uso de drones na pulverização e sistemas de irrigação inteligentes, que prometem reduzir o desperdício de água em até 30%. Empresas como John Deere, Case IH e a brasileira Stara apresentam soluções voltadas para a sustentabilidade, alinhadas às exigências do mercado europeu e asiático.

    Enquanto o Brasil busca se firmar como maior exportador global de alimentos, eventos como este reforçam a necessidade de políticas públicas que acompanhem a velocidade das inovações. “A Bahia Farm Show não é apenas uma feira; é um laboratório vivo do agro do futuro”, resume o secretário de Agricultura da Bahia, Paulo Câmera. A edição de 2026 termina nesta terça-feira (9), mas os impactos dos anúncios já começam a ser sentidos nas cadeias produtivas do país.

  • Sancionada lei que liberta certificação de armazéns: agronegócio ganha fôlego com menos burocracia e mais investimentos

    Sancionada lei que liberta certificação de armazéns: agronegócio ganha fôlego com menos burocracia e mais investimentos

    Agronegócio respira alívio com fim da obrigatoriedade

    A sanção presidencial da Lei nº 15.429/2026, publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (8 de junho de 2026), representa um marco na desburocratização do setor agropecuário brasileiro. Ao tornar facultativa a certificação de armazéns, o governo federal retira um dos principais entraves à modernização da cadeia produtiva, alinhando-se à estratégia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para impulsionar investimentos privados e ampliar a capacidade de armazenagem do país.

    Do ‘obrigatório’ ao ‘voluntário’: flexibilidade que atrai capital

    Antes restrita a empreendimentos que buscassem comprovar conformidade técnica e operacional, a certificação agora é uma opção estratégica. Produtores e investidores poderão optar por ela apenas quando houver vantagens comerciais ou operacionais claras — como acesso a financiamentos públicos ou parcerias com grandes compradores. A medida, segundo analistas, deve reduzir custos de implantação de novos armazéns em até 30%, conforme projeções iniciais do Mapa.

    Impacto imediato: mais silos, menos perdas

    A expansão da infraestrutura de armazenagem é uma demanda histórica do setor, especialmente no Centro-Oeste e no Matopiba (região entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Dados preliminares da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o Brasil perde cerca de 7% da safra anual por falta de estruturas adequadas — um prejuízo estimado em R$ 12 bilhões por ano. Com a nova lei, o ministro André de Paula prevê a instalação de 2.500 novos armazéns até 2028, capazes de agregar 45 milhões de toneladas à capacidade atual de estocagem.

    E o que muda na prática?

    Para os produtores, a principal mudança é a eliminação de processos lentos e onerosos para obtenção de certificados. Agora, apenas quem desejar — seja por exigência de mercado, seja para obter selos de qualidade — precisará submeter-se a auditorias. A fiscalização, por sua vez, passa a focar em casos de irregularidades, e não mais em operações rotineiras. “É um choque de gestão que aproxima o Brasil dos padrões internacionais”, avalia o economista agrícola Marcelo Ribeiro, da FGV Agro.

  • Rio Grande do Sul ganha novo indexador do Boi Gordo com projeto da Angus para ampliar rastreabilidade

    Rio Grande do Sul ganha novo indexador do Boi Gordo com projeto da Angus para ampliar rastreabilidade

    O Indicador do Boi Datagro, referência de preços do boi gordo em nove estados brasileiros, chega ao Rio Grande do Sul (RS) por meio de um projeto liderado pela Associação Brasileira de Angus e seu Programa Carne Angus Certificada. A iniciativa, que será oficialmente apresentada no dia 9 de junho durante a 6ª etapa do circuito do Indicador DATAGRO na Estrada 2026, marca a expansão do sistema para uma das regiões mais estratégicas da pecuária nacional: o Sul do país.

    Parceria com B3 e apoio institucional reforçam a estratégia

    A estreia do novo indexador na Farsul (Federação da Agricultura do Estado do RS), em Porto Alegre, conta com o apoio oficial da B3 e do Programa Carne Angus Certificada. O objetivo é ampliar a capilaridade do projeto, conectando produtores gaúchos a um mercado mais transparente e competitivo, além de fortalecer a rastreabilidade — um diferencial cada vez mais exigido por importadores e consumidores internacionais.

    Rastreabilidade como diferencial de mercado

    A pecuária brasileira, especialmente no RS, enfrenta pressões por sustentabilidade e transparência. O novo indexador, que já opera em estados como São Paulo, Mato Grosso e Bahia, chega para integrar produtores gaúchos ao mesmo padrão de precificação e certificação, alinhado às demandas globais por carne de qualidade. Com isso, o setor ganha não apenas em previsibilidade de preços, mas também em valorização da carne brasileira no exterior.

    O evento de lançamento, que acontece no dia seguinte ao marco atual (9/6), simboliza um passo decisivo para a modernização da pecuária gaúcha e sua integração a um sistema nacional de preços, rastreio e certificação — elementos-chave para a competitividade do setor.

  • Governo federal amplia Move Agrícola para R$ 14 bilhões e lança R$ 21 bilhões em crédito para frota de veículos

    Governo federal amplia Move Agrícola para R$ 14 bilhões e lança R$ 21 bilhões em crédito para frota de veículos

    Mais recursos para o campo: crédito de R$ 14 bilhões em máquinas agrícolas

    O governo federal anunciou, nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, a ampliação do programa Move Agrícola de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões. A medida, divulgada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante a abertura da 20ª Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), tem como objetivo facilitar o acesso de produtores rurais a tratores, colheitadeiras, plantadeiras e outros implementos agrícolas. Os financiamentos já estão disponíveis no sistema bancário e oferecem juros de 9,5% ao ano, além de um ano de carência e prazo de até cinco anos para pagamento.

    Frota de veículos também recebe R$ 21 bilhões em crédito

    Em paralelo, o governo lançou uma nova etapa do programa de renovação de frota, agora com R$ 21 bilhões em crédito. Desse montante, R$ 2 bilhões serão destinados à renovação de veículos usados, enquanto os R$ 19 bilhões restantes financiarão a aquisição de caminhões e implementos rodoviários. Alckmin destacou que a primeira fase do programa já contratou recursos em cerca de 30 dias, demonstrando a agilidade na execução.

    Impacto econômico e expectativas do setor

    A ampliação dos recursos chega em um momento crítico para o agronegócio brasileiro, que enfrenta pressões por modernização e redução de custos. Com a oferta de crédito a juros atrativos, o governo busca impulsionar a produtividade no campo e reduzir a dependência de maquinário obsoleto. Analistas do setor apontam que a medida pode acelerar a recuperação de investimentos no setor, especialmente em regiões com forte presença agrícola, como o Centro-Oeste e o Matopiba. A expectativa é de que os novos recursos também beneficiem a indústria nacional de máquinas e equipamentos, que tem sofrido com a concorrência de importações.

  • Mato Grosso inicia vazio sanitário da soja: 91 dias para conter ferrugem asiática e proteger R$ 60 bi em safra

    Mato Grosso inicia vazio sanitário da soja: 91 dias para conter ferrugem asiática e proteger R$ 60 bi em safra

    Trégua obrigatória na maior fronteira agrícola do país

    A segunda-feira (8) marcou o início do vazio sanitário da soja em Mato Grosso, período de 91 dias em que nenhum cultivo da leguminosa é permitido no estado. A medida, coordenada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (Sedru) e fiscalizada pela Famato, tem como alvo principal as chamadas plantas voluntárias — aquelas que brotam espontaneamente após a colheita, também conhecidas como tigueras. O objetivo é erradicar esses focos verdes antes que sirvam de hospedeiros para a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), fungo que, segundo a Embrapa, pode reduzir a produtividade em até 90% em lavouras infectadas.

    Por que o vazio sanitário é a arma mais eficaz contra a ferrugem

    A ferrugem asiática, detectada pela primeira vez no Brasil em 2001, já causou prejuízos superiores a R$ 28 bilhões à agricultura nacional, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Em Mato Grosso — maior produtor nacional, responsável por 35% da safra brasileira — a doença é monitorada 24 horas por dia pela rede de alerta fitossanitário. Durante o vazio sanitário, que se estende até 7 de setembro, drones, técnicos da Emater-MT e fiscais estaduais percorrerão plantações, beiras de estradas e armazéns para garantir que não reste nenhum vestígio de soja viva. A multa por descumprimento pode chegar a R$ 100 mil por hectare irregular.

    Impacto econômico: proteger R$ 60 bilhões em 2026

    A safra 2025/26 de Mato Grosso, estimada em 46 milhões de toneladas de soja, gerou receitas de R$ 60 bilhões aos produtores. Com a ferrugem asiática em expansão — já registrada em 15 estados brasileiros — o vazio sanitário torna-se ainda mais crítico. “Eliminar as plantas voluntárias é a única forma de quebrar o ciclo do fungo. Se não fizermos isso, a próxima safra pode ser dizimada antes mesmo de começar”, alerta o engenheiro agrônomo José Fernando Pimentel, da Famato. Além da ferrugem, o vazio sanitário também reduz a pressão de outras pragas, como o percevejo e a lagarta da soja, otimizando o uso de defensivos agrícolas na próxima temporada.

  • Brasil e Panamá firmam acordo histórico para garantir fertilizantes e abrir mercado para sementes de coco e café

    Brasil e Panamá firmam acordo histórico para garantir fertilizantes e abrir mercado para sementes de coco e café

    Uma missão técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderada pela ministra Izabella Teixeira e realizada entre os dias 2 e 6 de junho de 2026, resultou em avanços concretos nas relações comerciais entre o Brasil e o Panamá. O objetivo central foi fortalecer a logística de fertilizantes — insumo crítico para a agricultura brasileira — e ampliar o acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado centro-americano.

    Fertilizantes: Nova rota para reduzir dependência de fornecedores asiáticos

    A comitiva brasileira identificou oportunidades para diversificar as rotas de importação de fertilizantes, atualmente concentradas em países como Rússia e China. Segundo dados do Mapa, o Brasil importa cerca de 60% dos fertilizantes que consome, o que torna a segurança no abastecimento um pilar da estratégia governamental. O Panamá, por sua localização estratégica no Canal do Panamá, pode se tornar um hub logístico alternativo para a distribuição de insumos agrícolas para o Mercosul e demais países da América Latina.

    Sementes brasileiras de coco e café ganham mercado no Panamá

    Além da pauta de fertilizantes, a missão obteve sucesso na abertura do mercado panamenho para sementes brasileiras de coco e café. Até então, o Panamá restringia a entrada desses produtos por questões fitossanitárias. Agora, com a formalização do acordo, os produtores brasileiros poderão exportar essas culturas para o país centro-americano, onde a demanda por café de qualidade e derivados do coco tem crescido nos últimos anos. A medida deve impulsionar as exportações do setor, que já faturam mais de US$ 5 bilhões anuais com café e coco.

    Agropecuária brasileira: Competitividade em xeque

    O acordo com o Panamá integra uma série de iniciativas do Plano Safra 2026/2027, que prevê investimentos de R$ 300 bilhões em crédito rural, pesquisa agropecuária e infraestrutura logística. Segundo analistas, a diversificação de parceiros comerciais é fundamental para reduzir os custos de produção e garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, especialmente em um cenário de volatilidade nos preços internacionais de insumos. “O Brasil precisa reduzir sua dependência de rotas logísticas concentradas e explorar mercados como o panamenho, que oferecem vantagens competitivas”, avalia o economista agrícola Carlos Eduardo Fredo, da FGV Agro.

    O que vem pela frente?

    Nos próximos meses, equipes técnicas do Mapa e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) negociarão a implementação prática do acordo, incluindo a definição de protocolos fitossanitários para a entrada de sementes e a construção de terminais logísticos no Porto de Colón, principal porta de entrada de mercadorias no Panamá. Além disso, está prevista a realização de uma feira agropecuária bilateral ainda em 2026, com participação de empresas brasileiras e panamenhas.

  • Milho desaba em junho: queda de preços pressiona mercado e projeta safra 2025/26 em xeque

    Milho desaba em junho: queda de preços pressiona mercado e projeta safra 2025/26 em xeque

    Os valores do milho seguem em queda livre no início de junho, segundo dados atualizados pelo Cepea (Centro de Pesquisas Aplicadas em Economia) nesta segunda-feira (8/6). A pressão vem, sobretudo, do afastamento de compradores no mercado spot, que preferem adiar negociações diante da expectativa de uma safra 2025/26 mais abundante e dos preços internacionais em declínio.

    Compradores em standby: estoques altos e exportações desaquecidas

    Demandantes nacionais, como indústrias de ração e processamento, já acumulam estoques suficientes para o curto prazo, reduzindo a urgência por novas compras. Além disso, a recente queda dos preços internacionais — que afeta a paridade de exportação brasileira — tem servido como freio adicional para as cotações domésticas. Segundo o Cepea, a relação entre preços internos e externos já não favorece vendas externas, desestimulando a comercialização.

    Produtores resistem, mas riscos climáticos pairam no ar

    Do lado da oferta, os vendedores que não precisam realizar caixa ou liberar espaços nos armazéns estão retendo estoques, apostando em uma possível sustentação nos preços. No entanto, a estratégia pode ser arriscada: a menor produção prevista para 2025/26, somada aos impactos da seca em Goiás e Mato Grosso do Sul, lança dúvidas sobre a produtividade da segunda safra. “A seca já afeta lavouras em fase crítica, e qualquer redução adicional na produtividade pode reverter o cenário”, alerta um analista do Cepea ouvido pela reportagem.

    O que esperar para os próximos dias?

    A tendência é de pressão contínua enquanto não houver um realinhamento entre preços internacionais e domésticos. Caso a segunda safra surpreenda com volumes menores do que o esperado, os produtores poderão recuperar parte das perdas. Até lá, a lógica do mercado segue inalterada: estoques altos, demanda retraída e clima como principal variável de risco.

  • Brasil exporta 3,129 milhões de toneladas de algodão em 2026: recorde histórico para maio

    Brasil exporta 3,129 milhões de toneladas de algodão em 2026: recorde histórico para maio

    Maior volume da história para maio

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) mostram que o Brasil exportou 291,2 mil toneladas de algodão em maio de 2026, faturando US$ 449,6 milhões. O volume supera em 51,5% o registrado no mesmo mês de 2025, quando foram embarcadas 192,1 mil toneladas.

    Acumulado anual bate recorde

    A temporada julho de 2025 a maio de 2026 encerrou com 3,129 milhões de toneladas exportadas, um crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ciclo anterior (2,794 milhões de toneladas). O resultado é inédito e reforça a posição brasileira como principal fornecedor global de pluma, respondendo por 1,41% das exportações totais do país no mês.

    Desempenho supera expectativas apesar de queda mensal

    Apesar da redução de 21,7% no volume e 20% na receita em comparação com abril de 2026 (370,4 mil toneladas e US$ 560,6 milhões), o setor mantém trajetória ascendente. O algodão ocupou a 15ª posição no ranking geral de exportações brasileiras em maio e a terceira entre os produtos agropecuários, atrás apenas de soja e carne bovina.

    Sinais de recuperação e demanda global

    Analistas do setor atribuem o crescimento à retomada da demanda asiática, especialmente da China e do Vietnã, além da valorização do real frente ao dólar, que tornou o produto brasileiro mais competitivo. O Brasil responde hoje por cerca de 40% das importações globais de algodão, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

  • Boi gordo dispara no mercado: arroba supera referência e avança rumo a R$ 365/@ com oferta restrita e exportações em alta

    Boi gordo dispara no mercado: arroba supera referência e avança rumo a R$ 365/@ com oferta restrita e exportações em alta

    O mercado do boi gordo entrou em uma nova fase de valorização nesta segunda-feira (8 de junho de 2026), após o feriado prolongado, com frigoríficos pagando valores acima das referências médias em várias praças pecuárias. O cenário reflete uma dinâmica que tem se consolidado nas últimas semanas: oferta limitada de animais prontos para abate, escalas de processamento enxutas e um mercado externo cada vez mais ávido por proteína bovina brasileira.

    Oferta restrita e demanda internacional sustentam preços

    A dificuldade dos frigoríficos em preencher suas escalas de abate tem sido o principal vetor da alta. Segundo análise da Safras & Mercado, a escassez de animais terminados — agravada por uma safra que não acompanha o ritmo de crescimento da demanda — mantém os preços firmes, mesmo em um contexto de consumo doméstico ainda pressionado pela concorrência de proteínas mais acessíveis, como a carne de frango.

    Exportações em ritmo acelerado e pressão sobre os estoques

    As exportações brasileiras de carne bovina seguem em patamar elevado, com destaque para mercados como China e Oriente Médio, que têm absorvido volumes significativos. Essa demanda externa, somada ao recuo na oferta local, cria um ambiente propício para novas altas. Analistas projetam que, se a tendência se mantiver, a arroba do boi gordo pode atingir os R$ 365/@ nas próximas semanas, um patamar que já é observado em negociações pontuais.

    Perspectivas: até quando a alta vai durar?

    O setor enfrenta um paradoxo: a valorização é benéfica para os pecuaristas, mas prolonga-se em um momento de estoques reduzidos. Caso a oferta não se recupere rapidamente — seja por falta de chuvas, custos de produção elevados ou retração na produção de bezerros — os preços podem se estabilizar em patamares elevados por mais tempo. Para os consumidores, a perspectiva é de manutenção dos preços no varejo, com impactos já sentidos na inflação de alimentos.