Tag: agropecuária

  • Exportações recorde de arroz em 2026 impulsionam preços no Rio Grande do Sul

    Exportações recorde de arroz em 2026 impulsionam preços no Rio Grande do Sul

    Na última quarta-feira, 8 de julho de 2026, o Brasil consolidou o recorde histórico nas exportações de arroz, com o maior volume embarcado desde que os dados passaram a ser registrados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O desempenho, impulsionado pela demanda internacional crescente, reverteu a trajetória de queda nos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal no país.

    Demanda externa derruba estoques e eleva cotações

    Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a ampliação das vendas externas — registrada em 2026 — contribuiu para uma reação nos preços do produto no mercado doméstico. A restrição na oferta, somada às expectativas de novas valorizações, criou um cenário de escassez relativa, mesmo com a safra em andamento.

    Preços internacionais também sobem com o movimento brasileiro

    No mercado global, as cotações do arroz apresentaram recuperação nas últimas semanas, alinhadas ao aumento das exportações brasileiras. Dados da indústria local, no entanto, ainda refletem um período anterior ao atual fortalecimento, conforme aponta o Cepea. A combinação entre exportações recorde e perspectivas de safra menor do que a esperada mantém o setor em alerta para possíveis novas altas.

  • Votuporanga sedia em julho o maior encontro nacional de muares e asininos: tradição sertaneja e genética em evidência

    Votuporanga sedia em julho o maior encontro nacional de muares e asininos: tradição sertaneja e genética em evidência

    Na última semana de férias escolares e sob o calor típico do inverno paulista, Votuporanga, no noroeste do estado, se prepara para sediar um dos eventos mais aguardados do ano no agronegócio nacional: o 2º Encontro de Muladeiros de Votuporanga, que ocorre entre os dias 8 e 11 de julho de 2026 no recém-reinaugurado Centro de Eventos “Helder Henrique Galera”.

    Tradição sertaneja em disputa nacional

    O encontro não é apenas uma exposição de animais, mas um marco que une três grandes competições em uma única programação: a 5ª Etapa do Circuito Nacional de Marcha de Muares, a 4ª Etapa da Copa do Brasil de Asininos 2025/2026 e o 2º Encontro de Muladeiros, que celebra a herança cultural dos muares — combinações de equinos e asininos — no cotidiano do campo brasileiro. Com mais de 230 animais inscritos, o evento promete atrair criadores, competidores e visitantes de todas as regiões do país, transformando a cidade em um ponto de encontro da elite pecuária nacional.

    Programação técnica e diversificada

    Os organizadores preparam uma grade repleta de atividades, incluindo julgamentos de morfologia, provas de marcha de muares e asininos, modalidades como laço em dupla montada em burros e mulas, além do tradicional ranch sorting. Um dos destaques será o leilão de genética, onde serão comercializados animais de alta linhagem, um termômetro do mercado pecuário brasileiro. A feira do agronegócio, com gastronomia típica e artesanato local, completa a experiência com atrações para todas as idades, reforçando o caráter familiar do evento.

    Um legado para o agronegócio

    O Centro de Eventos “Helder Henrique Galera”, que recentemente passou por uma modernização, foi escolhido como sede por oferecer estrutura adequada para abrigar exposições, palestras e competições. Para os organizadores, trata-se de um passo importante na valorização da cultura rural e na promoção do turismo agropecuário em São Paulo. “Esse encontro não é só sobre animais, mas sobre perpetuar uma tradição que define o Brasil”, afirmou um dos coordenadores do evento.

    Com a proximidade do início das atividades, a expectativa é de um público superior a 10 mil pessoas, consolidando Votuporanga como um polo de referência no setor.

  • Mato Grosso bate recorde histórico: abate de 3,5 milhões de bovinos no primeiro semestre de 2026

    Mato Grosso bate recorde histórico: abate de 3,5 milhões de bovinos no primeiro semestre de 2026

    O estado de Mato Grosso consolidou-se como protagonista no setor agropecuário brasileiro ao registrar, no primeiro semestre de 2026, o maior volume de abates bovinos já contabilizado para o período. Segundo dados oficiais do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgados na última terça-feira, 7 de julho de 2026, foram abatidas 3,5 milhões de cabeças de gado entre janeiro e junho — um aumento de 3,58% em comparação aos 3,38 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025.

    Exportações em alta: China lidera a demanda por carne brasileira

    A escalada nos abates foi diretamente influenciada pelo boom das exportações de carne bovina, especialmente para a China, principal destino dos embarques brasileiros. A busca por animais terminados — ou seja, aqueles prontos para abate — manteve-se em patamares elevados ao longo dos primeiros seis meses do ano, segundo a analista de bovinocultura de corte do Imea, Ana Eufrázio.

    “O crescimento do abate de machos, em particular, foi o grande responsável por esse recorde”, afirmou Eufrázio. “A combinação de preços atrativos no mercado internacional e a recuperação da cadeia produtiva após os desafios climáticos de anos anteriores permitiu que o estado atingisse um volume inédito.”

    Impacto econômico e perspectivas para o segundo semestre

    O desempenho supera as expectativas de analistas do setor, que projetavam um crescimento moderado para 2026. A alta de 3,58% no comparativo semestral não apenas reflete a resiliência do agronegócio mato-grossense como também sinaliza potencial para novos recordes no segundo semestre. Especialistas avaliam que, caso a demanda chinesa se mantenha aquecida e as condições climáticas favoreçam a safra de pastagens, Mato Grosso pode fechar 2026 com números ainda mais expressivos.

    O recorde também reforça o papel estratégico do estado na balança comercial brasileira. Em 2025, Mato Grosso já respondia por cerca de 18% do abate nacional, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Com a projeção de crescimento, a expectativa é que o estado amplie ainda mais sua participação no mercado global.

    Qualidade e sustentabilidade: desafios do setor

    Apesar do otimismo, o setor enfrenta pressões por práticas sustentáveis. Em maio de 2026, o governo federal anunciou novas diretrizes para a pecuária bovina, visando reduzir o desmatamento associado à atividade. Produtores mato-grossenses já vêm adotando sistemas de rastreabilidade e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), mas a adaptação às normas exige investimentos significativos.

    Ainda assim, o recorde de abates demonstra que a cadeia produtiva do estado tem capacidade de se reinventar diante de crises — um sinal positivo para o futuro da pecuária brasileira.

  • Chuvas e alta nos preços externos impulsionam recuperação do açúcar em SP

    Chuvas e alta nos preços externos impulsionam recuperação do açúcar em SP

    Ainda no começo de julho de 2026, o mercado de açúcar cristal branco em São Paulo mostra sinais de recuperação pontual no segmento spot. Segundo dados do Cepea, o movimento ascendente é atribuído, em grande parte, às chuvas recentes, que interromperam as atividades nas lavouras e reduziram a oferta imediata do produto.

    Reação externa e incertezas no mercado

    Além do fator climático, a retomada nos preços externos da commodity também contribuiu para a reação dos valores internos. No entanto, a média de preços da última semana ainda registrou queda em comparação ao período anterior, segundo o Centro de Pesquisas. Isso indica que a tendência de curto prazo segue incerta, com analistas monitorando tanto as condições climáticas quanto as oscilações nos mercados globais.

    Perspectivas para o setor

    Apesar da alta pontual, a volatilidade persiste no mercado do açúcar, refletindo os desafios enfrentados pelos produtores brasileiros. O Cepea destaca que a normalização das operações agrícolas e a evolução dos preços internacionais serão determinantes para a definição dos valores nos próximos meses. Enquanto isso, o setor permanece atento às condições climáticas e às políticas comerciais que possam impactar a produção e a comercialização da commodity.

  • Arroba do boi gordo recua na segunda semana de julho: frigoríficos testam preços enquanto China reduz demanda

    Arroba do boi gordo recua na segunda semana de julho: frigoríficos testam preços enquanto China reduz demanda

    Indústria pressiona preços em meio a demanda desaquecida

    O mercado físico do boi gordo iniciou a semana com viés de baixa em boa parte das praças brasileiras, impulsionado pela postura mais cautelosa dos frigoríficos. Segundo dados de 6 de julho de 2026, as indústrias têm testado preços menores diante de um cenário marcado pela demanda mais ajustada, exportações menos dinâmicas e maior seletividade na aquisição de animais terminados.

    Escalas curtas travam o mercado, aponta Safras & Mercado

    Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, destaca que as negociações seguem travadas desde a última semana, com frigoríficos enfrentando dificuldades para avançar em suas programações de abate. Na média nacional, as escalas de abate permanecem entre cinco e sete dias úteis, indicando que a oferta atende à demanda imediata, mas ainda não oferece folga para a indústria alongar seus estoques.

    São Paulo, referência nacional, já sente a queda

    Na principal praça pecuária do país, os preços da arroba do boi gordo apresentaram recuo nesta segunda-feira, refletindo a pressão da indústria e a redução das compras chinesas — principal destino das exportações brasileiras. O cenário sinaliza um momento de transição no setor, onde a oferta ajustada convive com a incerteza sobre a retomada da demanda global.

  • Colheita de café arábica no Cerrado Mineiro avança para 32% na safra 2026/27 com tempo seco

    Colheita de café arábica no Cerrado Mineiro avança para 32% na safra 2026/27 com tempo seco

    Tempo seco impulsiona colheita no Cerrado Mineiro

    A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) registrou avanço significativo na colheita de café arábica em sua área de atuação. Segundo boletim técnico de 3 de julho de 2026, 32% do volume estimado para a safra 2026/27 — equivalente a 914,88 mil sacas de 60 kg — já foi colhido. A ausência de chuvas na última semana foi determinante para intensificar os trabalhos, além de otimizar as etapas de secagem e beneficiamento dos grãos nos terreiros.

    Ritmo abaixo do esperado em comparação a 2025

    O percentual atual representa um atraso em relação ao mesmo período do ano passado, quando 42% da safra já haviam sido colhidos até 3 de julho. Especialistas da Expocacer atribuem a diferença à produção mais tardia em 2026, influenciada por fatores climáticos e de manejo. Até a data, 18% do volume colhido já passou pelo processo de beneficiamento, com rendimento médio de 520 litros por saca.

    Perspectivas para a safra 2026/27

    Apesar do avanço, a produtividade final ainda depende de condições climáticas favoráveis nos próximos meses, especialmente durante a fase de floração e formação dos frutos. A Expocacer segue monitorando as lavouras para ajustar estratégias de manejo e garantir a qualidade dos grãos, que já apresentam potencial de valorização no mercado internacional devido ao cenário de oferta ajustada.

  • Crédito rural: 92,8% dos recursos vão para compra de terras, revela estudo inédito

    Crédito rural: 92,8% dos recursos vão para compra de terras, revela estudo inédito

    O crédito rural brasileiro está sendo redirecionado de forma estratégica. Dados exclusivos obtidos pela Friggi & Secco, com base em operações junto a 29 pecuaristas e 75 agricultores, revelam que 92,8% dos financiamentos contratados foram destinados à aquisição ou expansão de terras rurais até 6 de julho de 2026. A constatação rompe com o tradicional uso desses recursos voltado apenas para custeio de safras, insumos ou manutenção de maquinário.

    Da subsistência à acumulação patrimonial: a virada do produtor rural

    A mudança sinaliza uma virada na mentalidade do produtor brasileiro. Em vez de enxergar o crédito como ferramenta temporária de sobrevivência sazonal, os agricultores e pecuaristas passam a tratá-lo como alavanca de crescimento de longo prazo. A terra, nesse contexto, ganha status de ativo estratégico, capaz de garantir não apenas produção, mas também valorização do patrimônio em um setor cada vez mais pressionado pela expansão de fronteiras agrícolas.

    O agro em alta: por que as terras estão no radar?

    O cenário é favorável. No primeiro semestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio registrou crescimento de 4,2%, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), consolidando o Brasil como um dos principais players globais na produção de alimentos. Nesse ambiente, a compra de terras surge como uma opção segura em um mercado onde a demanda por commodities — como soja, milho e carne bovina — segue em ascensão, impulsionada pela China e pela África.

    Além disso, a valorização das terras agrícolas tem se mostrado acima da inflação nos últimos anos. Segundo a Terra Magna Consultoria, o preço médio de uma hectare de terra no Centro-Oeste brasileiro subiu 18% em 2025, enquanto a inflação oficial (IPCA) fechou o ano em 4,5%. A combinação de alta demanda, juros controlados e perspectiva de longo prazo torna o investimento em terras ainda mais atrativo do que aplicações financeiras tradicionais.

    Riscos e consequências: quem ganha e quem pode perder?

    Apesar dos benefícios óbvios para os produtores que conseguem acessar o crédito, a concentração de recursos na compra de terras pode acentuar desigualdades no campo. Pequenos e médios produtores, que dependem de financiamentos para custeio e inovação, podem ficar em desvantagem frente a grandes grupos capazes de alavancar operações de expansão. A bancarização do agro — que já é um desafio histórico — pode se tornar ainda mais seletiva.

    Outra preocupação é a pressão sobre o meio ambiente. A expansão de fronteiras agrícolas, especialmente no Cerrado e na Amazônia Legal, está diretamente ligada ao desmatamento. Segundo o MapBiomas, entre 2020 e 2025, mais de 12 milhões de hectares de vegetação nativa foram convertidos em áreas de pastagem ou lavoura — um ritmo que pode se acelerar com a migração de recursos para a compra de terras.

    Para especialistas ouvidos pela reportagem, no entanto, o fenômeno não é necessariamente negativo. “O produtor que expande sua área com planejamento está contribuindo para a segurança alimentar do país“, afirma a economista Márcia Sakamoto, da FGV Agro. “O desafio é garantir que essa expansão seja feita de forma sustentável e com acesso igualitário aos recursos“.

    O que esperar do futuro do crédito rural?

    A tendência deve se manter enquanto o agro brasileiro mantiver seu ritmo de crescimento. A Bancada Ruralista no Congresso já sinaliza a intenção de ampliar linhas de crédito específicas para a compra de terras, especialmente para médios produtores. No entanto, a pressão por regulações ambientais e sociais pode impor limites ao ritmo dessa expansão.

    Uma coisa é certa: o crédito rural não é mais sinônimo apenas de sobrevivência, mas sim de estratégia de negócios. Para o produtor, a terra deixou de ser um mero insumo e se tornou o principal ativo de um portfólio que precisa, cada vez mais, pensar em escala, inovação e sustentabilidade.

  • Colheita da segunda safra de milho no centro-sul atinge 30% e ganha ritmo com tempo seco

    Colheita da segunda safra de milho no centro-sul atinge 30% e ganha ritmo com tempo seco

    Ritmo acelerado em meio ao clima favorável

    A segunda safra de milho no centro-sul do Brasil atingiu 30% de colheita até a última quinta-feira (3 de julho), segundo dados da AgRural. O avanço de oito pontos percentuais em relação à semana anterior (22%) reflete o ganho de ritmo nos trabalhos, especialmente em Mato Grosso e Goiás, onde a redução das chuvas nos últimos dias facilitou as operações.

    Umidade ainda é desafio em outras regiões

    Embora a diminuição das precipitações tenha sido bem-vinda para Mato Grosso e Goiás, a umidade residual dos grãos ainda representa um entrave em estados como Paraná e São Paulo. A consultoria AgRural destacou que, mesmo com o tempo mais seco, a umidade dos grãos permanece alta, limitando o avanço da colheita nessas áreas.

    Contraste com a safra passada

    O ritmo atual supera o desempenho da semana anterior (22%) e se aproxima dos 28% registrados na mesma data de 2025, segundo a AgRural. A evolução reflete não apenas as condições climáticas, mas também a adaptação dos produtores às demandas do mercado, que exige grãos com menor teor de umidade para armazenamento e comercialização.

  • Dólar valorizado impulsiona soja brasileira e antecipa negócios para novembro

    Dólar valorizado impulsiona soja brasileira e antecipa negócios para novembro

    Valorização do dólar dá fôlego à soja brasileira

    Desde junho, a demanda por soja no Brasil tem permanecido em patamar elevado, mas foi nos primeiros dias de julho que o setor sentiu o impacto mais forte da valorização do dólar frente ao real. Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a moeda americana mais forte eleva os prêmios de exportação e torna o grão brasileiro mais atraente para importadores, mesmo com a limitação de cotas portuárias para embarques imediatos.

    Negócios antecipados: tendência global favorece o Brasil

    Os contratos para embarque de soja em novembro já estão sendo fechados, um movimento que, na temporada passada, só começou em agosto — e ainda assim de forma menos intensa. O Brasil, além de se beneficiar do câmbio favorável, segue a tendência global de valorização de produtos naturais na alimentação animal, como leveduras, o que reforça a posição do país como principal fornecedor do grão no mundo.

    Preços domésticos sob pressão, mas com perspectivas positivas

    Apesar das restrições logísticas, os preços da soja em grão no mercado doméstico vêm subindo, impulsionados pela demanda externa e pela expectativa de safras menores em outras regiões produtoras. Analistas do Cepea indicam que, até o final do ano, a combinação de dólar forte e estoques ajustados pode manter os valores em alta, beneficiando diretamente os produtores brasileiros.

  • Mamona no Cerrado: crescimento produtivo exige controle de pragas e manejo rigoroso

    Mamona no Cerrado: crescimento produtivo exige controle de pragas e manejo rigoroso

    A cultura da mamona ganha fôlego no Cerrado com a expectativa de colher 159,8 mil toneladas na safra 2025/2026 — um salto de 59,7% em relação ao ciclo anterior, segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O avanço reflete a crescente demanda por óleos vegetais e a adaptação da planta ao bioma, mas especialistas alertam: o resultado final está diretamente ligado à saúde das lavouras.

    Bahia lidera produção, mas produtividade exige mais do que área plantada

    A Bahia se consolida como o principal polo da cultura, respondendo por grande parte da oferta nacional. Contudo, como destaca Igor Borges, líder de sustentabilidade da ORÍGEO, “a boa produtividade não depende apenas de ampliar a área de plantio”. O desafio é manter a lavoura livre de pragas e plantas daninhas, que podem reduzir a eficiência da cultura em até 30%, segundo estudos do setor.

    Pragas e plantas daninhas: o inimigo silencioso da mamona

    O aumento da área plantada no Cerrado também expande a incidência de pragas como a Diabrotica speciosa (besouro-do-milho) e doenças fúngicas, como a Colletotrichum, que atacam caules e folhas. Além disso, plantas daninhas como o capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) competem por nutrientes e água, reduzindo a produtividade. “O manejo integrado é fundamental. Não adianta só plantar — é preciso monitorar e agir no momento certo”, afirma Borges.

    Consequências para o mercado e o produtor

    O crescimento da produção nacional de mamona tem reflexos diretos no mercado de óleos vegetais, especialmente para a indústria de biocombustíveis e cosméticos. No entanto, a volatilidade dos preços e os custos com insumos — como defensivos agrícolas e mão de obra especializada — podem pressionar a margem de lucro dos produtores. “Quem não investir em tecnologia e manejo corre o risco de perder competitividade”, avalia o especialista.

    Perspectivas para o ciclo 2026/2027

    Com a safra 2025/2026 ainda em andamento, os olhares se voltam para o próximo ciclo. A Conab deve revisar suas projeções em setembro de 2026, mas a tendência é de manutenção do crescimento, desde que os desafios sanitários sejam controlados. Para os produtores, a lição é clara: a mamona pode ser uma oportunidade, mas exige mais do que sorte — exige planejamento e ação constante.