Tag: Crédito Rural

  • Senado libera socorro de até 10 anos para dívidas rurais: como produtores podem se beneficiar?

    Senado libera socorro de até 10 anos para dívidas rurais: como produtores podem se beneficiar?

    O Senado Federal aprovou, na última quarta-feira (10 de junho de 2026), o Projeto de Lei 5.122/2023, uma das mais significativas iniciativas de apoio ao setor agropecuário nos últimos anos. A proposta estabelece condições inéditas para a renegociação de dívidas rurais, incluindo prazos estendidos, juros reduzidos e linhas especiais de crédito, visando aliviar a pressão sobre produtores afetados por crises climáticas e instabilidade econômica.

    O que muda para os produtores rurais?

    O texto aprovado prevê um modelo flexível de reestruturação financeira, com até 10 anos para pagamento das dívidas renegociadas, três anos de carência e taxas de juros abaixo das praticadas atualmente. Além disso, o projeto cria mecanismos para repactuar débitos existentes, permitindo que agricultores e pecuaristas ajustem suas finanças às condições atuais do mercado.

    Críticas e divergências no Congresso

    Apesar da aprovação simbólica no Senado, a proposta ainda enfrenta resistência na equipe econômica do governo, que questiona os impactos fiscais da medida. Parlamentares e representantes do agro argumentam que a iniciativa é urgente para evitar quebra de pequenos e médios produtores, mas especialistas alertam para a necessidade de equilíbrio nas contas públicas.

    Próximos passos: o que esperar?

    O projeto agora retorna à Câmara dos Deputados para análise final. Se aprovado, será encaminhado à sanção presidencial, entrando em vigor após regulamentação. Produtores interessados devem acompanhar as atualizações do Ministério da Agricultura e da Fazenda para conhecer os critérios exatos de adesão.

  • Crédito rural recua 5% no Plano Safra 2025/2026; industrialização lidera alta de 59,5%

    Crédito rural recua 5% no Plano Safra 2025/2026; industrialização lidera alta de 59,5%

    O crédito rural destinado à agricultura empresarial — excluindo o Pronaf — atingiu R$ 433 bilhões entre julho de 2025 e maio de 2026, no âmbito do Plano Safra 2025/2026. O valor representa uma retração de 5% em relação aos R$ 458,1 bilhões contratados no mesmo período da safra anterior (julho/2024 a maio/2025). Os dados, ainda preliminares, foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural (Sicor).

    Industrialização lidera crescimento com alta de 59,5%

    O principal destaque do período foi o salto nos financiamentos para industrialização, que saltaram de R$ 19,7 bilhões para R$ 31,5 bilhões, um crescimento de 59,5%. Essa expansão reflete a estratégia do governo de fomentar a agregação de valor na cadeia produtiva agropecuária, reduzindo a dependência de exportação de commodities in natura.

    CPR ganha espaço, mas Pronamp avança timidamente

    A Cédula do Produtor Rural (CPR) consolidou-se como o principal instrumento de crédito, respondendo por 42,8% do total concedido (R$ 185,6 bilhões). No entanto, o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) registrou alta modesta de 4,3%, sinalizando um crescimento mais conservador desse segmento. Enquanto isso, a CPR cresceu 8% no período, impulsionada pela busca por instrumentos de hedge contra volatilidade de preços.

    Contexto e perspectivas para o agro brasileiro

    Apesar da queda nominal no volume total de crédito, especialistas avaliam que o Plano Safra 2025/2026 mantém o foco em setores estratégicos, como a industrialização e a inovação tecnológica. A redução nos valores absolutos pode estar relacionada a ajustes macroeconômicos e à priorização de projetos com maior retorno a médio prazo. Para a próxima safra, a expectativa é de que os recursos para crédito rural ultrapassem R$ 500 bilhões, com ênfase em sustentabilidade e transição energética.

  • Plano Safra 2026/27: governo admite teto de R$ 670 bilhões fora de alcance por restrições fiscais

    Plano Safra 2026/27: governo admite teto de R$ 670 bilhões fora de alcance por restrições fiscais

    O Plano Safra 2026/27 já enfrenta um dos seus maiores desafios antes mesmo de ser oficialmente lançado: o montante de R$ 670 bilhões, reivindicado por entidades do agronegócio, está cada vez mais distante da realidade fiscal do governo.

    Fiscalização apertada e juros altos travam expansão do crédito rural

    As restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal e o cenário de juros elevados na economia brasileira transformam o equacionamento do crédito rural em um nó crítico. Para manter os subsídios que viabilizam os financiamentos ao produtor — como a equalização de taxas —, o Tesouro Nacional precisaria injetar recursos adicionais, o que se mostra inviável no atual contexto de ajuste fiscal.

    Safra anterior como parâmetro: crescimento, mas aquém das expectativas

    Segundo apurações junto a interlocutores do governo, o Plano Safra 2026/27 deve registrar aumento em relação ao ciclo 2025/26, quando foram disponibilizados cerca de R$ 550 bilhões. No entanto, a ampliação ficará aquém do desejado pelo setor, que pleiteava um volume próximo ao dobro do atual. A gestão busca, agora, calibrar o programa para não estrangular o agro, mas sem comprometer a estabilidade macroeconômica.

    O que está em jogo além dos números

    O debate transcende os valores: a manutenção de taxas de juros subsidiadas é fundamental para a competitividade do setor, especialmente em um momento de preços internacionais voláteis e demanda crescente por alimentos. A redução no volume de recursos do Plano Safra pode forçar produtores a buscar alternativas mais caras no mercado, pressionando margens já apertadas.

  • Bahia Farm Show 2026: R$ 14 bilhões em crédito e modernização do agro com programa Move Brasil

    Bahia Farm Show 2026: R$ 14 bilhões em crédito e modernização do agro com programa Move Brasil

    A Bahia Farm Show, principal vitrine de inovação no agronegócio do Norte e Nordeste, iniciou sua 20ª edição na segunda-feira, 8 de junho de 2026, em Luís Eduardo Magalhães (BA), com um discurso de renovação para o setor. O evento, que se estende até esta terça-feira (9), reuniu o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o governador Jerônimo Rodrigues, além dos ministros André de Paula (Agricultura) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), para anunciar medidas estruturantes para o campo.

    Move Brasil: R$ 14 bilhões para modernizar a agricultura

    O destaque da programação foi o lançamento oficial do programa Move Brasil, iniciativa do Ministério da Agricultura que disponibilizará R$ 14 bilhões em crédito para financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas. A medida tem como objetivo reduzir a defasagem tecnológica no campo, permitindo que produtores rurais atualizem suas frotas — como tratores, colheitadeiras e sistemas de irrigação — com juros subsidiados e prazos alongados.

    A estratégia busca atacar um gargalo histórico do agro nacional: a baixa mecanização em regiões como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde a produtividade ainda sofre com a falta de infraestrutura moderna. Segundo projeções do governo, a iniciativa pode elevar em até 20% a eficiência média das lavouras nos próximos três anos, além de impulsionar a indústria de máquinas agrícolas, gerando empregos indiretos no setor.

    Políticas públicas e o futuro do agronegócio baiano

    A abertura da feira também serviu como palco para reforçar compromissos do governo estadual com o desenvolvimento rural. Jerônimo Rodrigues anunciou a ampliação de R$ 2 bilhões em investimentos para infraestrutura hídrica no Oeste da Bahia, região crítica para a produção de soja e milho. A medida inclui recursos para construção de barragens e recuperação de aquíferos, essenciais para mitigar os efeitos das secas recorrentes.

    Para especialistas ouvidos pela reportagem, os anúncios refletem uma mudança de estratégia do governo federal, que passa a priorizar o crédito como ferramenta de política agrícola, em vez de apenas subsídios diretos. “O Move Brasil é um sinal de que o Estado finalmente entendeu que a modernização do campo passa pela atualização tecnológica, não apenas pela ajuda financeira”, avalia a economista rural Sônia Mendes, da Universidade Federal da Bahia.

    Feira como termômetro do agro nacional

    Com mais de 300 expositores e 50 mil visitantes esperados, a Bahia Farm Show 2026 se consolida como um termômetro do setor. A edição deste ano destaca tecnologias como agricultura de precisão, uso de drones na pulverização e sistemas de irrigação inteligentes, que prometem reduzir o desperdício de água em até 30%. Empresas como John Deere, Case IH e a brasileira Stara apresentam soluções voltadas para a sustentabilidade, alinhadas às exigências do mercado europeu e asiático.

    Enquanto o Brasil busca se firmar como maior exportador global de alimentos, eventos como este reforçam a necessidade de políticas públicas que acompanhem a velocidade das inovações. “A Bahia Farm Show não é apenas uma feira; é um laboratório vivo do agro do futuro”, resume o secretário de Agricultura da Bahia, Paulo Câmera. A edição de 2026 termina nesta terça-feira (9), mas os impactos dos anúncios já começam a ser sentidos nas cadeias produtivas do país.

  • Governo federal amplia Move Agrícola para R$ 14 bilhões e lança R$ 21 bilhões em crédito para frota de veículos

    Governo federal amplia Move Agrícola para R$ 14 bilhões e lança R$ 21 bilhões em crédito para frota de veículos

    Mais recursos para o campo: crédito de R$ 14 bilhões em máquinas agrícolas

    O governo federal anunciou, nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, a ampliação do programa Move Agrícola de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões. A medida, divulgada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante a abertura da 20ª Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), tem como objetivo facilitar o acesso de produtores rurais a tratores, colheitadeiras, plantadeiras e outros implementos agrícolas. Os financiamentos já estão disponíveis no sistema bancário e oferecem juros de 9,5% ao ano, além de um ano de carência e prazo de até cinco anos para pagamento.

    Frota de veículos também recebe R$ 21 bilhões em crédito

    Em paralelo, o governo lançou uma nova etapa do programa de renovação de frota, agora com R$ 21 bilhões em crédito. Desse montante, R$ 2 bilhões serão destinados à renovação de veículos usados, enquanto os R$ 19 bilhões restantes financiarão a aquisição de caminhões e implementos rodoviários. Alckmin destacou que a primeira fase do programa já contratou recursos em cerca de 30 dias, demonstrando a agilidade na execução.

    Impacto econômico e expectativas do setor

    A ampliação dos recursos chega em um momento crítico para o agronegócio brasileiro, que enfrenta pressões por modernização e redução de custos. Com a oferta de crédito a juros atrativos, o governo busca impulsionar a produtividade no campo e reduzir a dependência de maquinário obsoleto. Analistas do setor apontam que a medida pode acelerar a recuperação de investimentos no setor, especialmente em regiões com forte presença agrícola, como o Centro-Oeste e o Matopiba. A expectativa é de que os novos recursos também beneficiem a indústria nacional de máquinas e equipamentos, que tem sofrido com a concorrência de importações.

  • Crédito rural com juros a partir de 3% ao ano: consultorias transformam financiamento no agro em 2026

    Crédito rural com juros a partir de 3% ao ano: consultorias transformam financiamento no agro em 2026

    Profissionalização do crédito rural: a nova estratégia do agro brasileiro

    O cenário atual do agronegócio brasileiro é um dos mais complexos da última década. Juros elevados, queda nos preços de commodities, aumento dos custos de produção, eventos climáticos extremos e maior rigor dos bancos no financiamento formam um ambiente desafiador. Nesse contexto, a profissionalização da tomada de crédito emerge como uma solução estratégica. Produtores rurais, acostumados a buscar diretamente seus gerentes bancários, agora recorrem a consultorias especializadas para identificar as melhores oportunidades no mercado financeiro.

    ConsulttAgro: R$ 700 milhões intermediados com juros a partir de 3% ao ano

    A ConsulttAgro se destaca nesse segmento, estruturando e intermediando crédito rural para produtores de diferentes portes e atividades. A empresa oferece soluções adaptadas para agricultura, pecuária, aquisição de áreas, compra de máquinas e modernização de processos, com taxas a partir de 3% ao ano e prazos de até 15 anos para pagamento. Segundo dados da consultoria, já foram intermediados mais de R$ 700 milhões em financiamentos, refletindo a crescente demanda por alternativas ao financiamento tradicional.

    Por que optar por consultorias especializadas?

    A busca por consultorias reflete não apenas a necessidade de taxas mais competitivas, mas também a complexidade do mercado financeiro atual. Bancos, cada vez mais seletivos, exigem garantias robustas e projetos detalhados, o que pode ser um obstáculo para pequenos e médios produtores. As consultorias atuam como ponte entre o produtor e as instituições financeiras, negociando melhores condições e estruturando projetos que aumentam as chances de aprovação. Além disso, elas oferecem suporte na elaboração de planos de negócios e na gestão de riscos, elementos essenciais em um ambiente de incertezas.

    Impacto no setor e perspectivas para o futuro

    O modelo de crédito rural intermediado por consultorias não é apenas uma tendência passageira. Ele representa uma evolução na forma como o agro brasileiro acessa recursos, especialmente em um momento de crise nos preços das commodities e de restrição ao crédito. A profissionalização do setor pode contribuir para a redução da inadimplência, a modernização das propriedades e, consequentemente, a sustentabilidade do setor a longo prazo. Para 2026, a expectativa é de que mais empresas especializadas surjam, fortalecendo esse ecossistema e oferecendo alternativas cada vez mais competitivas.

  • Justiça de Rondônia suspende dívida de R$ 1,1 milhão e freia cobrança milionária do Santander em meio à crise do agro

    Justiça de Rondônia suspende dívida de R$ 1,1 milhão e freia cobrança milionária do Santander em meio à crise do agro

    A Justiça de Rondônia concedeu uma vitória a um produtor rural em meio à crise que assola o agronegócio brasileiro. Na última quarta-feira, 3 de junho de 2026, o juiz Pedro Sillas Carvalho, da 7ª Vara Cível de Porto Velho, determinou a suspensão imediata de uma cobrança milionária contra o Banco Santander, além de bloquear medidas restritivas contra o produtor Valdenilson Cordeiro Mendes.

    Crédito rural em xeque: decisão reforça proteção aos produtores

    O caso, registrado no Processo nº 7003589-78.2026.8.22.0001, envolve a solicitação do produtor para alongar as parcelas de um crédito rural, após enfrentar prejuízos causados por adversidades climáticas — como secas e eventos extremos — e pela queda nos preços das commodities agrícolas, que têm impactado diretamente a renda do setor.

    Audiência de conciliação e os desdobramentos da decisão

    A liminar foi proferida em um contexto de alta pressão sobre o caixa dos produtores rurais, que enfrentam não apenas a instabilidade climática, mas também a redução da demanda internacional por produtos brasileiros. A decisão judicial, ao suspender a cobrança, abre precedente para que outros produtores em situação semelhante busquem amparo legal, enquanto o setor aguarda por políticas públicas mais robustas de renegociação de dívidas.

    Setor agropecuário: entre a crise climática e a queda de preços

    O agronegócio brasileiro, um dos pilares da economia nacional, tem registrado quedas consecutivas nos últimos trimestres, com prejuízos estimados em bilhões de reais. A decisão da Justiça de Rondônia, embora pontual, sinaliza um alinhamento com as demandas do setor, que pleiteia não apenas alongamento de crédito, mas também subsídios e incentivos para mitigar os efeitos da crise.

  • Plano Safra 2026/27 ainda sem data: ConsulttAgro oferece crédito rural com juros a 3% ao ano enquanto governo atrasa definições

    Plano Safra 2026/27 ainda sem data: ConsulttAgro oferece crédito rural com juros a 3% ao ano enquanto governo atrasa definições

    O campo brasileiro enfrenta um cenário de incerteza com a indefinição do governo federal sobre a data de lançamento do Plano Safra 2026/27, principal ferramenta de financiamento do agronegócio. Na última semana, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, confirmou a ausência de um cronograma oficial, o que acende um alerta entre produtores rurais, cooperativas e agentes do setor.

    Crédito rural já disponível enquanto Plano Safra atrasa

    Com mais de R$ 700 milhões já intermediados, a ConsulttAgro surge como uma alternativa imediata para os produtores que buscam financiamento. A empresa oferece linhas de crédito rural com juros a partir de 3% ao ano e prazos de até 15 anos para pagamento, condições mais atrativas do que as praticadas em financiamentos tradicionais. A medida chega em um momento crítico para o agronegócio, que enfrenta oscilações climáticas, queda nos preços de commodities e aumento dos custos de produção.

    Risco de postergação de investimentos

    A falta de clareza sobre as regras do Plano Safra 2026/27 — que inclui taxas de juros, limites de financiamento e recursos disponíveis — impede que os produtores planejem investimentos estratégicos para a próxima safra. A demora na definição oficial força o setor a buscar alternativas no mercado privado, como a oferecida pela ConsulttAgro, mas com custos que podem não ser sustentáveis a longo prazo. A situação reforça a dependência do Plano Safra como instrumento de política agrícola e a urgência em sua regularização.

  • Plano Safra 2026-2027: Governo anuncia R$ 550 bilhões com juros reduzidos e adiamento de exigências ambientais

    Plano Safra 2026-2027: Governo anuncia R$ 550 bilhões com juros reduzidos e adiamento de exigências ambientais

    O governo federal entregará ao agronegócio um dos maiores pacotes de incentivos de sua história. Em evento realizado na Associação Comercial de São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, anunciou que o Plano Safra 2026-2027 disporá de R$ 550 bilhões, montante 10% superior aos R$ 516 bilhões liberados na temporada anterior.

    Juros reduzidos e foco na viabilidade financeira

    O destaque do programa não é apenas o volume de recursos, mas a estratégia de tornar o crédito rural mais acessível. Segundo o ministro, a redução das taxas de juros será prioridade para garantir que os produtores consigam honrar os compromissos sem comprometer a saúde financeira de suas operações. “O mais importante do que o número é proporcionar uma taxa de juros que caiba no bolso do produtor”, afirmou André de Paula.

    Flexibilização ambiental: adiamento do Prodes no crédito rural

    A nova edição do Plano Safra também adia temporariamente a exigência de quitação do Programa de Regularização Ambiental (Prodes) para a concessão de financiamentos. A medida, embora não seja definitiva, visa aliviar a pressão sobre os produtores que enfrentam dificuldades para se adequar às normas ambientais, especialmente em regiões com conflitos fundiários ou limitações técnicas.

    Impactos no setor e expectativas para julho

    O lançamento oficial do Plano Safra 2026-2027 está marcado para 1º de julho de 2026, quando o governo apresentará as regras detalhadas e os critérios para distribuição dos recursos. Analistas do setor aguardam com expectativa como a combinação de mais recursos e juros menores impactará a produtividade e a sustentabilidade do agro brasileiro, setor responsável por cerca de 30% das exportações nacionais.

  • Crédito rural: bancos elevam garantias em 300% e freiam financiamentos no agro

    Crédito rural: bancos elevam garantias em 300% e freiam financiamentos no agro

    No dia 1° de junho de 2026, os bancos brasileiros selaram um novo capítulo de retração no crédito rural, impulsionado por um cenário que há tempos não assombrava os produtores com tanta força: a combinação explosiva de inadimplência recorde, recuperações judiciais em alta e margens de lucro cada vez mais estreitas. Segundo dados da Serasa Experian, o número de pedidos de recuperação judicial por empresas do agro atingiu patamares históricos em 2025 e início de 2026, forçando instituições financeiras a recalibrar suas políticas de concessão de empréstimos.

    Garantias triplicadas: o novo filtro do crédito rural

    Uma reportagem da Bloomberg revelou que, em resposta ao aumento das perdas com dívidas não honradas, os bancos passaram a exigir garantias até três vezes maiores para liberar novos financiamentos — um movimento que, na prática, reduz o volume de recursos disponíveis para o setor. Produtores com histórico de inadimplência ou ativos de menor liquidez já enfrentam dificuldades para obter crédito, enquanto aqueles que dependem de recursos frescos para colheitas ou investimentos em tecnologia se veem obrigados a oferecer terras, maquinário ou estoques como colateral.

    O círculo vicioso: juros, câmbio e preços em queda

    A pressão sobre os produtores não é nova, mas se agravou nos últimos 18 meses. Após anos de bonança com os preços das commodities — especialmente soja, milho e carne — em patamares elevados durante e após a pandemia, o setor agora enfrenta uma guinada brusca: a valorização do real frente ao dólar derrubou a competitividade das exportações, enquanto os custos de produção (como fertilizantes e diesel) seguem altos. Somado a isso, a política monetária contracionista do Banco Central, com taxas de juros em dois dígitos, elevou o custo financeiro das dívidas, sufocando caixa de empresas já endividadas.

    MS inova, mas o agro se divide: etanol de milho e cana mostra resiliência

    Em meio ao aperto generalizado, o Mato Grosso do Sul se destaca com a inauguração da primeira usina integrada de etanol de cana e milho no país, com investimento superior a R$ 1 bilhão. O projeto, anunciado em junho de 2026, é um exemplo de diversificação que pode mitigar riscos, mas depende de financiamentos — agora mais escassos. A iniciativa, contudo, contrasta com a realidade de pequenos e médios produtores, que representam a maior parte das recuperações judiciais e enfrentam dificuldades para renegociar dívidas junto a bancos e cooperativas.

    O que vem pela frente: renegociação ou colapso?

    Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que, sem uma política de renegociação agressiva ou um plano de sustentação para o setor, o cenário pode piorar. O agronegócio, que responde por cerca de 25% do PIB brasileiro, corre o risco de ver sua capacidade de geração de emprego e renda comprometida — com reflexos em toda a economia. Bancos, por sua vez, buscam equilibrar a preservação de seus ativos com a manutenção de linhas de crédito essenciais para a safra 2026/2027, que já tem estoques de soja e milho pressionados pela queda na rentabilidade. A solução, no entanto, exigirá mais do que garantias: será necessário um pacto entre governo, setor privado e produtores para evitar uma crise sistêmica.