Rotavírus C avança em granjas e ameaça suinocultura brasileira: prejuízos superam US$ 100 milhões anuais

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No dia 25 de junho de 2026, o Brasil registra um alerta vermelho na suinocultura: a disseminação do rotavírus C em granjas de todas as regiões produtoras. Dados preliminares da Associação Brasileira de Suinocultura (ABS) indicam um aumento de 40% nos surtos em comparação ao mesmo período de 2025, com focos confirmados em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais — estados que concentram 70% da produção nacional.

Danos econômicos e riscos para a cadeia produtiva

O vírus, que atinge principalmente leitões com menos de duas semanas de vida, provoca diarreia aguda, desidratação e mortalidade que pode chegar a 30% em lotes não vacinados. Segundo o Ministério da Agricultura, os prejuízos já superam R$ 600 milhões anuais — valor que impacta diretamente no preço final do quilo da carne suína, pressionando o orçamento das famílias brasileiras. “É um cenário semelhante ao da peste suína africana em 2018, mas com um agravante: o rotavírus C não tem cura, apenas controle”, alerta o médico-veterinário João Silva, consultor da Embrapa Suínos e Aves.

Falta de biosseguridade e clima favorecem a propagação

Especialistas apontam dois fatores críticos para a escalada da doença: a flexibilização das medidas de biosseguridade após a pandemia e as mudanças climáticas. “O calor intenso e a umidade excessiva no Semiárido e no Centro-Oeste criam um ambiente propício para a sobrevivência do vírus nas instalações”, explica a pesquisadora Ana Luísa Oliveira, da UFMG. Além disso, a circulação de animais entre granjas sem quarentena adequada tem disseminado o patógeno para regiões antes livres da doença.

Setor pede ação urgente do governo

Em nota enviada ao Governo Federal nesta semana, a ABS cobrou a implementação de um Plano Nacional de Contingência para o rotavírus C, com recursos para vacinação em massa e fiscalização rigorosa em abatedouros. “Sem uma resposta coordenada, o Brasil pode enfrentar uma crise de abastecimento ainda em 2027”, prevê o presidente da associação, Ricardo Costa. Enquanto isso, produtores rurais buscam alternativas emergenciais, como o uso de probióticos e suplementos hidroeletrolíticos para reduzir a mortalidade dos leitões.

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