Preços em queda e custos em alta: o paradoxo do arroz brasileiro
Na última semana de junho de 2026, o mercado de arroz no Brasil enfrentou um impasse: enquanto a produção no Rio Grande do Sul — principal estado produtor — segue limitada pelo tempo seco, os preços praticados no mercado interno e externo não conseguem repor a rentabilidade dos produtores. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), as cotações do cereal não acompanham a inflação dos insumos agrícolas, mantendo os orizicultores em um ciclo de prejuízos.
Demanda por crédito não é solução isolada, dizem produtores
Representantes do setor, reunidos na última quarta-feira (1º de julho de 2026), defenderam que o novo Plano Safra — anunciado pelo governo federal — deve incluir medidas de renegociação de dívidas para os produtores, não apenas ampliar a oferta de crédito. A justificativa é que, sozinha, a injeção de recursos não resolve a fragilidade financeira do segmento, agravada pela queda nos preços e pela alta dos custos de produção.
Risco de endividamento e queda na produção
O cenário preocupa porque, mesmo com a demanda industrial e externa aquecida, os preços do arroz em casca permanecem abaixo do patamar necessário para cobrir os custos operacionais. Além disso, a saúde financeira dos produtores é ameaçada pelo endividamento crescente, que pode levar a uma redução ainda maior na área plantada nos próximos ciclos. Segundo o Cepea, a pressão sobre os orizicultores só deve aumentar se não houver intervenção governamental.

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