Cachaça catarinense com Indicação Geográfica vence premiação nacional após rigoroso processo de avaliação

Tradição e inovação se encontram no Vale do Itajaí

O município de Luiz Alves, no Vale do Itajaí (SC), consolidou-se como um polo de excelência na produção de cachaça no Brasil. Com 83 anos de tradição e uma Indicação Geográfica (IG) reconhecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a região produz bebidas que aliam herança cultural à modernidade dos processos produtivos. Em 2026, um de seus produtos alcançou o topo do ranking nacional: a cachaça Extra Premium Bylaardt, vencedora do Prêmio Cúpula da Cachaça, após um rigoroso processo de avaliação que reuniu mais de 150 rótulos de todo o país.

Processo de produção e envelhecimento de 18 anos

A cachaça vencedora, produzida pelo Alambique Bylaardt, destaca-se não apenas pelo sabor, mas pelo método de elaboração. A bebida passa por um envelhecimento de 18 anos em barris de carvalho francês, técnica que confere notas complexas de baunilha, especiarias e frutas secas ao produto final. Segundo especialistas, o processo é determinante para a conquista do primeiro lugar, uma vez que a degustação às cegas — etapa final da premiação — eliminou vieses de marcas ou origens, priorizando exclusivamente a qualidade sensorial.

Indicação Geográfica: o selo de qualidade que diferencia

Luiz Alves foi o primeiro município catarinense a obter a Indicação Geográfica (IG) para cachaça, um reconhecimento concedido pelo Mapa em 2012. A IG certifica que a produção local segue padrões históricos e técnicos específicos, garantindo autenticidade e controle de qualidade. Ivanor Boing, superintendente de Agricultura e Pecuária em Santa Catarina, ressalta que o prêmio reforça a importância do registro oficial. “Esse reconhecimento não é apenas sobre a bebida, mas sobre uma história construída ao longo de décadas de dedicação”, afirmou.

Premiação nacional: metodologia rigorosa e transparência

O Ranking da Cúpula da Cachaça 2026 adotou um método transparente e multietapas. Inicialmente, uma votação popular elegeu as 50 cachaças finalistas. Em seguida, especialistas independentes analisaram aspectos técnicos como teor alcoólico, acidez e perfil aromático. Por fim, a degustação às cegas — realizada por jurados treinados — avaliou características como aroma, sabor e harmonia. A Extra Premium Bylaardt obteve a maior pontuação geral, superando concorrentes de estados como Minas Gerais e São Paulo, tradicionalmente dominantes no segmento.

Impacto econômico e fortalecimento da cadeia produtiva

A conquista tem potencial para impulsionar a economia local. Produtos com Indicação Geográfica costumam ter valor agregado superior, atraindo investimentos e ampliando o mercado. Além disso, o registro no Mapa assegura rastreabilidade e conformidade, reduzindo riscos de adulteração e garantindo segurança ao consumidor. O caso de Luiz Alves reflete uma tendência nacional: o crescimento do setor de cachaça premium, que já representa cerca de 15% do mercado total da bebida no Brasil.

Perspectivas para o futuro da cachaça brasileira

Especialistas veem no prêmio um sinal de amadurecimento do setor. Enquanto a cachaça tradicional ainda domina o mercado em volume, os produtos premium ganham espaço entre consumidores dispostos a pagar mais por qualidade. O Mapa, por sua vez, continua investindo em fiscalização e apoio a produtores, como forma de posicionar o Brasil como referência global em destilados. Para 2026, a expectativa é de que outras regiões catarinenses — como Florianópolis e Pomerode — também se destaquem em futuras edições do ranking.

Legado e inovação: o equilíbrio necessário

A vitória da Bylaardt demonstra que é possível conciliar tradição e inovação na produção de cachaça. Enquanto a IG de Luiz Alves preserva métodos centenários, a empresa investe em técnicas modernas de envelhecimento e controle de qualidade. O resultado é um produto que honra a história local, mas atende aos padrões globais de excelência. Para o setor, a lição é clara: o futuro da cachaça brasileira passa pela valorização de suas raízes, sem abrir mão da inovação.

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