Autor: Roberto Neves

  • Baterias de elétricos usados duram mais do que o esperado; especialistas explicam como avaliar

    Baterias de elétricos usados duram mais do que o esperado; especialistas explicam como avaliar

    O mercado de seminovos de veículos elétricos enfrenta um obstáculo persistente: a desconfiança sobre a durabilidade das baterias. Até recentemente, muitos consumidores evitavam esses modelos usados por receio de que a substituição do sistema de armazenamento de energia fosse onerosa e tecnicamente complexa. No entanto, novos dados de monitoramento de frotas globais revelam uma realidade surpreendente: as baterias estão durando muito mais do que se previa.

    Perda de autonomia é menor que o esperado: 7% em três anos

    Em média, um carro elétrico perde apenas 7% da sua capacidade de autonomia após três anos de uso. Para ilustrar, um BYD Dolphin 2023, que saiu de fábrica com 291 km de alcance (medido pelo PBEV), manteria hoje, em 8 de julho de 2026, cerca de 270,6 km com uma carga completa. Essa resistência à degradação é um dos fatores que podem impulsionar a confiança no mercado de usados.

    Estudos globais confirmam: degradação anual de 1,8% a 2,3%

    A Geotab, empresa especializada em telemetria veicular, publicou um relatório indicando que a perda média de capacidade das baterias de íons de lítio é de apenas 2,3% ao ano. Já a consultoria Recurrent, em seu levantamento mais recente, aponta uma taxa ainda menor, de 1,8% anualmente. Esses números desconstroem o mito de que os elétricos se tornariam inviáveis em poucos anos.

    Como a indústria define o fim da vida útil das baterias?

    A indústria automotiva considera que um pacote de baterias atinge o limite de sua vida útil quando sua capacidade cai para 70% ou 80% da original. Nesse patamar, ainda restam cerca de 10 a 15 anos de utilização viável, dependendo do modelo e das condições de uso. Isso significa que, mesmo após uma década, muitos elétricos ainda operariam com mais de 70% da autonomia inicial — um cenário muito distante do descarte prematuro.

    O que avaliar ao comprar um elétrico usado?

    Para quem busca um carro elétrico seminovo, alguns pontos são essenciais na hora da compra:

    • Histórico de carregamento: Baterias que passaram por carregamentos rápidos frequentes ou exposição a temperaturas extremas tendem a degradar mais rápido.
    • Estado de saúde da bateria (SoH): Muitos fabricantes, como Tesla e BYD, oferecem relatórios detalhados da capacidade residual. Verifique se o veículo possui esse documento.
    • Garantias estendidas: Marcas como Nissan e Chevrolet oferecem coberturas de até 8 anos ou 160 mil km para sistemas de bateria. Confira se o usado ainda está dentro do prazo.
    • Kilometragem e perfil de uso: Carros com trajetos predominantemente urbanos ou em estradas tendem a ter menor desgaste em comparação aos que rodam em condições mais adversas.

    A combinação desses fatores explica por que o mercado de elétricos usados começa a ganhar tração. Com baterias mais duráveis e preços competitivos, a tendência é que a oferta aumente — e, consequentemente, os valores se tornem mais atrativos para o consumidor final.

  • Aleksandro: a paixão pelo Pantanal que ia além dos palcos sertanejos

    Aleksandro: a paixão pelo Pantanal que ia além dos palcos sertanejos

    Na última quarta-feira, 8 de julho de 2026, relembramos a trajetória de Aleksandro, cantor sertanejo que faleceu em 7 de maio de 2022, mas deixou um legado profundo no coração dos fãs e do universo country. Sua conexão com o campo não era apenas figurativa: o artista mantinha uma fazenda no Pantanal, próxima a Campo Grande (MS), comprada em 2020 durante a pandemia.

    Um refúgio rural entre shows e família

    A propriedade, que se tornou um dos grandes refúgios de Aleksandro, abrigava sua rotina junto à esposa, Tatiele Toro, e aos filhos, Noah e Maya. Nas redes sociais, o cantor compartilhava momentos genuínos: conduzindo gado, montando a cavalo, pescando e vivendo a essência do Pantanal. Esses registros não eram mera encenação, mas a expressão de uma paixão cultivada desde a infância.

    Do agro à música: uma trajetória enraizada no campo

    Nascido em Dourados (MS), Aleksandro cresceu cercado por fazendas de gado de corte e pastagens. Sua formação em Agronomia reforçava ainda mais o vínculo com a terra. A fazenda no Pantanal não era um mero hobby, mas um projeto de vida que unia sua identidade sertaneja à sua essência mais profunda: a de homem do campo.

  • Dacia Striker: o SUV cupê híbrido que pode ser o futuro híbrido da Renault no Brasil

    Dacia Striker: o SUV cupê híbrido que pode ser o futuro híbrido da Renault no Brasil

    A Renault reforçou em 2023 seus investimentos no mercado brasileiro, prometendo uma leva de novos modelos para os próximos anos. Entre as apostas, destacava-se um SUV cupê que prometia se diferenciar pela carroceria inclinada, estilo até então inédito na marca por aqui. Agora, o Dacia Striker surge como um forte candidato a preencher essa lacuna, não só pela estética agressiva, mas também pela tecnologia híbrida que promete chegar ao Brasil em breve.

    Do Bigster ao Boreal: a plataforma híbrida que pode nascer no Brasil

    O Striker não é apenas um design futurista: ele compartilha componentes-chave com o Bigster e o Renault Boreal, como a plataforma e até mesmo o sistema híbrido que a Renault planeja lançar nos próximos anos. Isso significa que o futuro SUV cupê brasileiro da marca pode nascer diretamente das entranhas do Striker, aproveitando sua estrutura modular e tecnologias de eficiência energética.

    4,62 m de músculos: o Striker como rival das peruas europeias

    Com 4,62 metros de comprimento — 5 cm a mais que o Bigster e o Boreal —, o Striker aposta em um design musculoso, com linhas de cintura marcadas e iluminação 100% LED que entregam uma identidade visual agressiva. Na Europa, onde as peruas ainda têm espaço, o modelo já é visto como um concorrente direto, graças ao seu caimento de teto alongado e espaço interno otimizado. No Brasil, a estratégia pode ser semelhante: oferecer um SUV cupê com apelo esportivo, mas mantendo a praticidade de um veículo de médio porte.

    Híbrido no DNA: o que esperar do futuro da Renault no Brasil?

    O lançamento do Striker não é apenas uma questão de design. A Renault já sinalizou que o sistema híbrido — que deve chegar ao Brasil nos próximos anos — será uma das bases de seus novos modelos. Se o Striker ou um derivado nacional herdar essa tecnologia, o consumidor brasileiro poderá ter acesso a um SUV cupê com eficiência energética sem abrir mão do estilo. Resta saber se a marca optará por trazer o modelo completo ou adaptar suas características para o mercado local, como já fez com o Boreal.

  • Bayer isola glifosato em nova empresa nos EUA: jogada arrisca separar riscos jurídicos ou esconder prejuízos bilionários?

    Bayer isola glifosato em nova empresa nos EUA: jogada arrisca separar riscos jurídicos ou esconder prejuízos bilionários?

    A gigante farmacêutica e agroquímica Bayer surpreendeu o mercado ao concluir, no dia 7 de julho de 2026, a transferência de suas operações com o glifosato — o controverso princípio ativo do herbicida Roundup — para uma nova empresa nos Estados Unidos, batizada de Ruveon. A jogada, anunciada como parte de um “planejamento estratégico de longo prazo”, concentra em uma única estrutura todas as atividades ligadas ao produto no maior mercado consumidor do mundo: produção, precificação, comercialização e gestão legal.

    Por que a Ruveon foi criada?

    A decisão não é aleatória. Desde 2018, a Bayer acumula prejuízos bilionários com ações judiciais que acusam o glifosato de causar câncer. Em acordos milionários, a empresa já desembolsou cerca de US$ 16 bilhões para encerrar litígios envolvendo mais de 100 mil processos. Ao isolar o Roundup em uma subsidiária, a Bayer busca criar uma barreira entre os riscos jurídicos do herbicida e suas demais operações — como fármacos e sementes — protegendo o restante do império corporativo.

    Reação do mercado: alta de ações, mas com ressalvas

    Imediatamente após o anúncio, as ações da Bayer subiram mais de 5% na Bolsa de Frankfurt, refletindo a confiança de investidores na estratégia de mitigar prejuízos. Contudo, analistas como Klaus Nieding, da Berenberg, alertam que a medida pode ser interpretada como um “sinal de desespero”: “Se a Ruveon não conseguir arcar com os passivos, a imagem da Bayer será ainda mais prejudicada. É uma aposta que pode ou não dar certo”.

    O futuro do glifosato pende por um fio

    Enquanto a Bayer se move para reorganizar seus negócios, o glifosato segue sob fogo cruzado. Estudos recentes da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) — vinculada à OMS — mantêm o herbicida como “provavelmente carcinogênico”, apesar de órgãos reguladores como a EPA (EUA) e a ANVISA (Brasil) defenderem sua segurança quando usado corretamente. A Ruveon, agora, terá que lidar com essa dualidade: inovar na agricultura ou se tornar mais um capítulo de uma batalha jurídica sem fim.

  • Frio polar derruba temperaturas a zero grau e acende alerta de geada no Sul do Brasil

    Frio polar derruba temperaturas a zero grau e acende alerta de geada no Sul do Brasil

    Geada e frio extremo: Sul do Brasil em estado de atenção

    A massa de ar polar que avançou sobre o território brasileiro no início desta semana mantém o Sul do país sob alerta de frio intenso e geada entre a quarta-feira (8) e quinta-feira (9). Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), as temperaturas devem cair a 0°C em pontos isolados da Região Sul, especialmente em áreas de planalto e serras, como no sul do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O fenômeno, associado à alta pressão atmosférica, também eleva o risco de geada em municípios do sul de Mato Grosso do Sul e em zonas serranas do sul de Minas Gerais.

    Tempo firme no Centro-Sul, mas umidade preocupa em outras regiões

    O sistema de alta pressão responsável pela estabilidade do tempo no Centro-Sul do país impede a formação de chuvas significativas na maior parte do Sul, Sudeste e Centro-Oeste até sexta-feira (10). No entanto, a baixa umidade relativa do ar — que já atinge níveis críticos em trechos do interior do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e norte do Paraná — continua sendo um fator de risco, especialmente para incêndios florestais e problemas respiratórios na população. A Climatempo alerta que a circulação marítima ainda pode trazer chuvas pontuais para o litoral do Sudeste e do Nordeste, como ocorreu no início da semana.

    Frio intenso: quando e onde o alerta é mais severo?

    Os modelos meteorológicos indicam que as temperaturas mais baixas serão registradas durante as madrugadas e amanheceres, com valores abaixo de 5°C em cidades como Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS). Em áreas de maior altitude, como a Serra Gaúcha e o Planalto Catarinense, as mínimas podem oscilar entre 0°C e -3°C. O INMET emitiu avisos de geada para 32 municípios do Rio Grande do Sul, 20 de Santa Catarina e 15 do Paraná, além de recomendações para que agricultores protejam plantações sensíveis ao frio.

    Impactos e recomendações para a população

    A combinação de frio extremo, umidade baixa e geada pode afetar diretamente a saúde da população, sobretudo idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. O Ministério da Saúde orienta o uso de agasalhos adequados, hidratação constante e atenção redobrada com sistemas de aquecimento doméstico para evitar intoxicações por monóxido de carbono. No campo, os produtores rurais devem monitorar as lavouras de trigo, café e hortifrúti, que são mais vulneráveis às baixas temperaturas. Enquanto isso, nas regiões onde a chuva persiste, como o litoral do Nordeste, moradores devem ficar atentos a possíveis alagamentos em áreas vulneráveis.

  • Samsung revela Unpacked para 22 de julho em Londres: Fold Wide e novidades tech prometem redefinir o mercado

    Samsung revela Unpacked para 22 de julho em Londres: Fold Wide e novidades tech prometem redefinir o mercado

    Um novo capítulo na dobrável: Fold Wide chega com formato inovador

    A gigante sul-coreana antecipou detalhes do Unpacked de julho em suas redes sociais, confirmando que o evento será realizado em 22 de julho de 2026 em Londres, Reino Unido. Entre os destaques, o Galaxy Fold Wide promete revolucionar o segmento de dobráveis com um design inspirado em ‘passaporte’, apostando em uma tela mais larga e compacta ao mesmo tempo. A estratégia da Samsung já vinha sendo sinalizada por teasers que comparavam o formato a uma barra de chocolate sendo consumida — uma metáfora visual para a transição do tradicional Fold para um modelo mais horizontal.

    Smartwatches e óculos inteligentes: a expansão além dos celulares

    Além do Fold Wide, a empresa deve apresentar atualizações significativas na linha Galaxy Watch, possivelmente incluindo modelos com novos sensores de saúde e designs mais leves. Há também especulações sobre o lançamento de óculos inteligentes com inteligência artificial, que poderiam integrar recursos de realidade aumentada e assistentes virtuais, alinhando-se a tendências como o Meta Ray-Ban e o Apple Vision Pro.

    Transmissão ao vivo e impacto no mercado tech

    A Samsung já confirmou que o Unpacked terá transmissão ao vivo pelo YouTube da Samsung Brasil, permitindo que fãs e profissionais acompanhem as novidades em tempo real. O evento chega em um momento crítico para a indústria, após a Apple ter lançado recentemente seus próprios iPhones dobráveis (iPhone 16 Fold), pressionando a concorrência a acelerar inovações. Caso os rumores se confirmem, o Fold Wide poderá ser o primeiro grande contra-ataque da Samsung no segmento premium de dobráveis, que movimenta bilhões de dólares anualmente.

  • Meta lança Muse Image: IA de geração de imagens chega ao AI, WhatsApp e Instagram

    Meta lança Muse Image: IA de geração de imagens chega ao AI, WhatsApp e Instagram

    A Meta deu mais um passo firme na corrida pela inteligência artificial generativa ao lançar, na última segunda-feira (06/07), o Muse Image, um modelo de IA especializado em geração e edição de imagens. A novidade chega com a promessa de transformar a forma como usuários e anunciantes interagem com as plataformas da empresa, integrando-se diretamente ao Meta AI, WhatsApp e Instagram.

    Muse Image: o que muda para usuários e marcas?

    O Muse Image não é apenas mais um gerador de imagens. Segundo a Meta, ele permite a criação de imagens a partir de descrições textuais, edição de elementos em fotos de perfis públicos do Instagram e até a aplicação de efeitos personalizados. Para anunciantes, a ferramenta será disponibilizada como parte do serviço Advantage Plus, possibilitando a geração de anúncios com maior agilidade e criatividade.

    Desempenho nos benchmarks: como o Muse Image se compara?

    Em testes comparativos, o Muse Image demonstrou superioridade frente a concorrentes como o Nano Banana 2 do Google, ficando atrás apenas do GPT Image 2 da OpenAI, líder do segmento. A Meta destaca que o novo modelo foi desenvolvido para oferecer alta qualidade visual, com variações precisas e ajustes de estilo mais naturais — uma evolução em relação às primeiras gerações de ferramentas de IA para imagem.

    Meta Superintelligence Lab: a aposta da gigante em IA

    O Muse Image é a segunda inovação do Meta Superintelligence Lab, laboratório dedicado à IA liderado por Alexandr Wang. Em abril, o braço da empresa estreou com o Muse Spark, focado em geração de texto. Agora, com o lançamento do modelo de imagem, a Meta reforça sua estratégia de integrar IA avançada em todas as suas plataformas, visando não só os usuários finais, mas também o mercado publicitário e de negócios digitais.

  • Votuporanga sedia em julho o maior encontro nacional de muares e asininos: tradição sertaneja e genética em evidência

    Votuporanga sedia em julho o maior encontro nacional de muares e asininos: tradição sertaneja e genética em evidência

    Na última semana de férias escolares e sob o calor típico do inverno paulista, Votuporanga, no noroeste do estado, se prepara para sediar um dos eventos mais aguardados do ano no agronegócio nacional: o 2º Encontro de Muladeiros de Votuporanga, que ocorre entre os dias 8 e 11 de julho de 2026 no recém-reinaugurado Centro de Eventos “Helder Henrique Galera”.

    Tradição sertaneja em disputa nacional

    O encontro não é apenas uma exposição de animais, mas um marco que une três grandes competições em uma única programação: a 5ª Etapa do Circuito Nacional de Marcha de Muares, a 4ª Etapa da Copa do Brasil de Asininos 2025/2026 e o 2º Encontro de Muladeiros, que celebra a herança cultural dos muares — combinações de equinos e asininos — no cotidiano do campo brasileiro. Com mais de 230 animais inscritos, o evento promete atrair criadores, competidores e visitantes de todas as regiões do país, transformando a cidade em um ponto de encontro da elite pecuária nacional.

    Programação técnica e diversificada

    Os organizadores preparam uma grade repleta de atividades, incluindo julgamentos de morfologia, provas de marcha de muares e asininos, modalidades como laço em dupla montada em burros e mulas, além do tradicional ranch sorting. Um dos destaques será o leilão de genética, onde serão comercializados animais de alta linhagem, um termômetro do mercado pecuário brasileiro. A feira do agronegócio, com gastronomia típica e artesanato local, completa a experiência com atrações para todas as idades, reforçando o caráter familiar do evento.

    Um legado para o agronegócio

    O Centro de Eventos “Helder Henrique Galera”, que recentemente passou por uma modernização, foi escolhido como sede por oferecer estrutura adequada para abrigar exposições, palestras e competições. Para os organizadores, trata-se de um passo importante na valorização da cultura rural e na promoção do turismo agropecuário em São Paulo. “Esse encontro não é só sobre animais, mas sobre perpetuar uma tradição que define o Brasil”, afirmou um dos coordenadores do evento.

    Com a proximidade do início das atividades, a expectativa é de um público superior a 10 mil pessoas, consolidando Votuporanga como um polo de referência no setor.

  • Tarifa de 25% dos EUA sobre café solúvel brasileiro pode encarecer até 25 milhões de xícaras anuais nos EUA

    Tarifa de 25% dos EUA sobre café solúvel brasileiro pode encarecer até 25 milhões de xícaras anuais nos EUA

    No dia 7 de julho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) reacendeu a polêmica ao incluir o café solúvel brasileiro em uma lista de produtos passíveis de uma tarifa retaliatória de 25%. A medida, ainda em fase de estudo, visa pressionar o governo brasileiro em uma disputa comercial não declarada, mas o impacto recairia diretamente sobre os ombros do consumidor norte-americano.

    O Brasil domina o café instantâneo nos EUA: 15,5 mil toneladas anuais em risco

    Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) revelam que mais de 90% do café instantâneo consumido nos Estados Unidos é importado do Brasil. São cerca de 15.500 toneladas por ano — equivalente a 25 milhões de xícaras diárias — que poderiam sofrer reajustes de até 25% no preço final. Aguinaldo José de Lima, diretor-executivo da Abics, alerta: “Além de onerar famílias e empresas americanas, a medida colocaria em xeque milhares de empregos nos EUA, especialmente nas indústrias que dependem do insumo para fabricar bebidas, doces ou produtos de conveniência”.

    Popularidade em alta: 1 em cada 9 americanos já prefere o instantâneo

    A demanda pelo produto disparou nos últimos anos. Em 2021, apenas 6% dos consumidores diários de café nos EUA optavam pelo solúvel; em 2026, esse número saltou para 11%. A praticidade — aliada à queda nos preços nos últimos anos — transformou o café instantâneo em um *commodity* estratégico, especialmente em supermercados e máquinas de escritório. Uma tarifa de 25% poderia reverter essa tendência, forçando os norte-americanos a buscar alternativas, como o café torrado moído ou importações de outros países.

    Quem perde com a guerra comercial? Não é só o Brasil

    Apesar de a medida parecer direcionada ao governo brasileiro, especialistas em comércio exterior, como a economista Maria Fernanda Braga, da FGV, destacam que o setor agrícola dos EUA também poderia ser afetado. “Produtores locais de café solúvel, ainda em expansão, dependem do insumo brasileiro para manter a competitividade. Uma interrupção no fornecimento elevaria seus custos e poderia inviabilizar pequenos e médios fabricantes no país”, explica. Além disso, cadeias de fast-food e cafeterias que usam o produto em suas formulações — como redes de *coffee shops* e padarias — teriam que reajustar cardápios ou absorver a alta nos custos.

    O que vem pela frente? Pressão diplomática ou escalada tarifária?

    Até o momento, não há previsão de entrada em vigor da tarifa, mas a inclusão do café solúvel na lista do USTR indica que a administração americana está disposta a usar instrumentos comerciais para forçar concessões brasileiras em outras áreas, como a de automóveis ou produtos agrícolas. O governo brasileiro já sinalizou que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso a medida seja implementada. Enquanto isso, consumidores e empresas nos EUA aguardam com apreensão: o café, afinal, é a segunda bebida mais consumida no país, atrás apenas da água.

  • BYD Sealion 07 e Tang L saem da China para focar em mercados externos: o que isso muda no Brasil?

    BYD Sealion 07 e Tang L saem da China para focar em mercados externos: o que isso muda no Brasil?

    A BYD decidiu encerrar a produção do Sealion 07 e do Tang L (Tang L) em sua linha chinesa, seguindo a estratégia já aplicada ao Song Plus. A mudança reflete a preferência do consumidor chinês por modelos híbridos e plug-in (PHEV) da linha DM-i, além de uma reorganização do portfólio na família Ocean, considerado excessivamente amplo.

    Reestruturação estratégica e foco nos mercados externos

    O Sealion 07, primeiro SUV cupê da BYD no Brasil — lançado em maio de 2026 — agora será produzido exclusivamente para mercados internacionais, com ênfase na Europa e América do Sul. O mesmo destino aguarda o Tang L, que encerrará sua produção atual em abril para retornar com uma plataforma aprimorada (e-Platform 3.0 Evo).

    Impacto no Brasil: oportunidades e desafios

    Para o mercado brasileiro, a decisão da BYD pode significar maior disponibilidade do Sealion 07 e do Song Plus, que já despontam como sucessos locais. Enquanto a China prioriza tecnologias híbridas, a América do Sul recebe modelos com foco em design e performance, como o Sealion 07, que já conquistou consumidores no país. A realocação de produção também pode indicar uma aposta da BYD em expandir sua presença em regiões onde a demanda por SUVs elétricos ainda é crescente.