Programa federal transforma combate a roubos de celulares em política permanente
Lançado em junho de 2025 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o Celular Seguro deixou de ser um projeto piloto para se tornar uma das principais estratégias nacionais contra o crime organizado. Até 29 de junho de 2026, o programa já registrou 2,1 milhões de cadastros de linhas telefônicas, com um índice de recuperação de dispositivos que supera os 45% nos casos de denúncia formal — índice três vezes maior que a média nacional antes da implementação.
A iniciativa, que envolve operadoras de telefonia, bancos e forças de segurança, opera em três frentes simultâneas: bloqueio imediato do IMEI (identificador único do aparelho), suspensão da linha telefônica e congelamento de contas vinculadas a instituições parceiras. Segundo dados do MJSP, os casos de roubo de celulares caíram 32% nas capitais brasileiras desde o início do programa, com destaque para São Paulo (-41%) e Rio de Janeiro (-28%).
Como funciona o cadastro e o bloqueio de aparelhos
O processo de adesão ao Celular Seguro é gratuito e pode ser feito pelo site celularseguro.gov.br ou pelo aplicativo oficial. O usuário deve inserir o número da linha, o IMEI do aparelho (encontrado em *#06#) e dados pessoais para validação. Em caso de furto ou roubo, a denúncia deve ser registrada em uma delegacia ou pelo canal oficial do programa, que aciona automaticamente o bloqueio em até 15 minutos — prazo médio registrado pela equipe técnica do MJSP.
Além do bloqueio, o Celular Seguro oferece dois recursos adicionais:
- Localização assistida: Em parceria com a Polícia Federal, o programa pode rastrear aparelhos ainda ativos, fornecendo dados de localização para as forças de segurança.
- Bloqueio de contas bancárias: Instituições como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal podem congelar contas vinculadas a dispositivos roubados, dificultando a revenda no mercado ilegal.
Críticas e desafios: o que falta para o Celular Seguro ser mais efetivo?
Apesar dos resultados positivos, especialistas apontam gargalos estruturais que limitam a eficácia do programa. O principal deles é a morosidade na atualização dos bancos de dados das operadoras, que, em alguns casos, demoram até 72 horas para efetivar o bloqueio total do aparelho — tempo suficiente para que criminosos desmontem e revendam peças no mercado paralelo.
Outra questão é a baixa adesão em estados do Norte e Nordeste, onde apenas 18% dos celulares roubados são registrados no sistema. A falta de campanhas locais e a desconfiança da população em relação ao governo são citadas como motivos. “O Celular Seguro é um avanço, mas precisa ser acompanhado de políticas de conscientização e integração com os estados”, avalia a socióloga Maria Oliveira, pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Violência da USP.
O que o usuário deve fazer para se proteger?
Para maximizar a eficácia do programa, especialistas recomendam:
- Registrar o IMEI no site do Celular Seguro assim que adquirir um novo aparelho, mesmo que não seja roubado.
- Efetuar boletim de ocorrência em delegacias ou pela internet (via delegacia virtual) em até 24 horas após o roubo ou furto.
- Monitorar contas bancárias vinculadas ao aparelho e relatar transações suspeitas imediatamente.
- Usar soluções complementares, como aplicativos de rastreamento (Find My Device, por exemplo) e seguros residenciais que cobrem dispositivos eletrônicos.
O programa, que tem custo anual estimado em R$ 80 milhões para o governo federal, já é considerado um modelo a ser replicado em outros países da América Latina. A próxima fase, prevista para 2027, inclui a integração com sistemas de monitoramento por câmeras públicas e a expansão do bloqueio a aparelhos de segunda mão — hoje, apenas 60% dos dispositivos usados comercializados no Brasil passam pelo sistema de verificação do Celular Seguro.

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