Uma solução nascida no Uruguai está ganhando espaço no Brasil como alternativa viável para a agricultura moderna, que busca reduzir a dependência de insumos químicos e reaproveitar resíduos agropecuários. O Fertilana, um bioinsumo produzido a partir de pellets de lã de ovelha sem valor comercial para a indústria têxtil, tem surpreendido produtores ao oferecer uma combinação inédita de benefícios: liberação lenta de nutrientes, melhoria na estrutura do solo e proteção natural contra pragas como moluscos, tudo sem a necessidade de defensivos sintéticos.
De resíduo têxtil a solução agrícola
Tradicionalmente, a lã de ovelha sem qualidade suficiente para confecção era tratada como descarte pela indústria. No entanto, pesquisadores uruguaios desenvolveram um processo de transformação desse material em pellets biodegradáveis, capazes de atuar como fertilizante orgânico por meses. O produto já é utilizado em culturas como soja, milho e hortaliças, com resultados que incluem aumento de até 30% na retenção de água no solo e redução de até 40% no uso de água para irrigação.
Vantagens que vão além da nutrição
Além de fornecer nitrogênio, fósforo e potássio lentamente, o Fertilana contribui para a formação de agregados no solo, melhorando sua porosidade e aeração. Outra propriedade notável é a capacidade de repelir moluscos como caracóis e lesmas, uma vez que a lã em decomposição libera compostos que desestimulam sua presença. Para a Embrapa, que já testou o produto em parceria com cooperativas gaúchas, a inovação se alinha à crescente demanda por sistemas agrícolas regenerativos, que priorizam a saúde do solo e a redução de externalidades ambientais.
O futuro da agricultura sustentável?
A adoção do Fertilana no Brasil ainda enfrenta desafios, como a logística de coleta da lã residual e a necessidade de certificação para uso em larga escala. No entanto, com a pressão por modelos produtivos mais circulares e a busca por insumos de baixo impacto, tecnologias como essa podem se tornar cada vez mais comuns. Enquanto isso, produtores de estados como Rio Grande do Sul e Paraná já relatam casos de aumento de produtividade em áreas antes consideradas esgotadas, sinalizando que a lã de ovelha pode ser a próxima grande aliada do agro brasileiro.

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