Gasolina com 32% de etanol: entenda por que a mistura pode danificar seus motores e aumentar o consumo

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A decisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em vigor desde esta semana, de elevar o teor de etanol anidro na gasolina de 27% para 32% não passou despercebida pelo mercado. Representantes da indústria automobilística e de autopeças alertam para consequências graves: desde o aumento do consumo de combustível até danos irreversíveis em motores projetados para a mistura anterior.

O que muda com a nova regulamentação?

A alteração, anunciada em junho de 2026, foi implementada sem estudos de impacto detalhados sobre os efeitos a longo prazo nos motores flexíveis e nos sistemas de injeção eletrônica. Segundo a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), a medida ignora as especificações técnicas de veículos fabricados até 2025, que não foram projetados para suportar um teor tão alto de etanol — um combustível com menor poder calorífico e maior corrosividade.

Risco de superaquecimento e danos mecânicos

O etanol, quando queimado em proporções elevadas, eleva a temperatura de combustão nos cilindros, o que pode sobrecarregar componentes como velas, bicos injetores e catalisadores. “Motores antigos ou com manutenção precária tendem a apresentar falhas prematuras, como entupimento de bicos e corrosão em partes metálicas”, explica um engenheiro da SAE Brasil, que preferiu não se identificar. Em casos extremos, veículos podem simplesmente parar de funcionar devido à detonação irregular do combustível.

Impacto no bolso do consumidor

Além dos danos mecânicos, o aumento do teor de etanol na gasolina afeta diretamente o consumo. Testes preliminares da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de São Paulo indicam que, em veículos flexíveis, a quilometragem por litro pode cair até 8% em trajetos urbanos. “O consumidor vai pagar mais caro para rodar menos quilômetros”, alerta a entidade. A diferença, embora pareça pequena, representa uma despesa adicional de R$ 200 a R$ 400 por ano, dependendo da quilometragem.

Indústria reage: “Falta de transparência e pressa inaceitável”

A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) classificou a decisão como “precipitada e sem base técnica”. Em nota, a entidade cobra a revisão imediata da portaria da ANP, alegando que a medida beneficia apenas usinas de etanol em detrimento da saúde dos motores e do bolso dos brasileiros. “Não há garantias de que os veículos atuais suportarão essa mudança sem prejuízos”, afirmou o presidente da Fenabrave, na última quarta-feira (16/07).

A ANP, por sua vez, defende que a medida alinha o Brasil às práticas internacionais e reduz a dependência da gasolina pura. No entanto, especialistas questionam: até que ponto a pressa em implementar a nova mistura não coloca em risco a frota nacional de 48 milhões de veículos?

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