Tag: antimicrobianos

  • Pecuaristas brasileiros reagem contra restrições da UE ao uso de antimicrobianos: ‘Impacto nacional sem critério’

    Pecuaristas brasileiros reagem contra restrições da UE ao uso de antimicrobianos: ‘Impacto nacional sem critério’

    As principais lideranças da pecuária brasileira se uniram em defesa do setor após a possibilidade de a regulamentação brasileira incorporar restrições ao uso de antimicrobianos na produção animal, seguindo padrões da União Europeia. Em nota conjunta divulgada nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, 15 entidades — entre elas a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e a Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável (MBPS) — classificaram a medida como um risco à competitividade do setor, que representa R$ 500 bilhões anuais para o país.

    Medida europeia afetaria todo o Brasil sem distinção

    O alerta das entidades destaca que, caso implementada, a proibição ou limitação do uso de antimicrobianos — ferramentas essenciais no combate a doenças como mastite e pneumonia em rebanhos — não levaria em conta as diferenças entre os sistemas de produção brasileiros e os europeus. Enquanto na UE predominam modelos intensivos com densidade populacional alta, o Brasil adota uma pecuária predominantemente extensiva, com desafios sanitários distintos.

    Risco de queda na produtividade e aumento de custos

    Segundo projeções da Associação Nacional dos Confinadores (ASSOCON), a restrição poderia reduzir a produtividade dos rebanhos em até 15%, elevando os custos de produção em R$ 80 por animal ao ano. “Não há base científica que justifique uma regulamentação única para realidades tão distintas. Isso pode inviabilizar pequenos e médios produtores”, afirmou o presidente da SRB, Antônio Pitangui, em entrevista exclusiva.

    Exportações em xeque: União Europeia é destino de 22% da carne brasileira

    A União Europeia é o segundo maior comprador de carne bovina brasileira, responsável por 22% das exportações do setor. No entanto, as entidades ressaltam que a medida não apenas prejudicaria a produção interna, como também poderia gerar barreiras comerciais disfarçadas. “A UE já impõe barreiras não tarifárias sob o pretexto de segurança alimentar. Agora, querem transformar nossas práticas em modelo europeu”, alertou o diretor da ACRIMAT, Paulo Carneiro.

    Setor pede diálogo técnico e soluções alternativas

    Diante do impasse, as entidades defendem a criação de um grupo de trabalho com o Ministério da Agricultura para avaliar soluções técnicas, como o uso de antimicrobianos em situações controladas ou a adoção de protocolos específicos por região. “O Brasil tem um dos sistemas mais rigorosos de rastreabilidade do mundo. Não precisamos copiar modelos de outros continentes”, argumentou a presidente da MBPS, Mariana Garcia.

    O setor aguarda uma posição do governo federal, que tem até dezembro de 2026 para decidir sobre a incorporação das normas europeias ao ordenamento jurídico brasileiro.

  • Carne brasileira vetada na Europa a partir de setembro: Mapa impõe desafio aos produtores

    Carne brasileira vetada na Europa a partir de setembro: Mapa impõe desafio aos produtores

    Em 3 de setembro de 2026, a União Europeia imporá um veto à carne brasileira, fechando suas portas para exportações de bovinos, frangos, equinos, pescados, mel e tripas produzidos no Brasil. A decisão decorre de novas regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária, que o país não atende integralmente.

    A exclusão do Brasil da lista de exportadores aprovados pela UE

    Em junho de 2026, a UE atualizou sua lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal. O Brasil, que até então fazia parte do seleto grupo, foi retirado após auditorias que identificaram falhas nos controles sanitários e no uso de medicamentos veterinários. A suspensão afeta diretamente um dos principais mercados para a carne brasileira, que em 2025 exportou mais de US$ 12 bilhões em produtos agropecuários para o bloco.

    Responsabilidade do setor privado: o que os produtores precisam fazer

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deixou claro que a adaptação às normas europeias é uma tarefa prioritária do setor privado. A pasta afirmou que cabe aos frigoríficos e pecuaristas implementar sistemas privados de controle sanitário para rastrear e reduzir o uso de antimicrobianos, além de garantir a conformidade com os limites máximos de resíduos estabelecidos pela UE.

    Consequências para o agronegócio brasileiro

    O veto europeu representa um golpe duro para o agronegócio nacional, que já enfrenta pressões em outros mercados devido a questões ambientais e trabalhistas. Analistas do setor estimam que a perda do acesso à UE pode reduzir as exportações de carne bovina em até 15% nos próximos meses, além de impactar a cadeia de frangos e pescados. A adequação às normas europeias, embora onerosa, é vista como um passo necessário para manter a competitividade global do Brasil.

  • Brasil endurece regras para exportar carne à UE: fiscalização rigorosa e rastreabilidade em foco

    Brasil endurece regras para exportar carne à UE: fiscalização rigorosa e rastreabilidade em foco

    O governo brasileiro anunciou novas regras para a exportação de carne à União Europeia, com vigência a partir de 3 de setembro de 2026. As medidas, detalhadas no Ofício-Circular nº 24/2026 da Coordenação-Geral de Controle de Produtos de Origem Animal (CGCOA), impõem exigências mais rígidas de fiscalização e rastreabilidade para produtos de origem animal.

    Fiscalização ampliada e comprovação de antimicrobianos

    As diretrizes determinam que, a partir da data citada, apenas estabelecimentos com controle auditável poderão obter certificação sanitária internacional. Isso inclui a comprovação do uso adequado de antimicrobianos na cadeia produtiva, uma demanda histórica da UE para garantir a segurança alimentar e reduzir riscos de resistência bacteriana.

    Impacto nos frigoríficos e cadeia produtiva

    Frigoríficos e demais estabelecimentos exportadores terão que adaptar seus processos para atender aos novos padrões. A medida afeta diretamente a competitividade do setor no mercado europeu, principal destino da carne brasileira. Especialistas alertam que a falta de conformidade pode resultar na suspensão de certificados sanitários, inviabilizando exportações.

    Contexto e pressões europeias

    A União Europeia tem intensificado suas exigências sanitárias, especialmente após casos recentes de contaminação em alimentos de origem animal. O Brasil, maior exportador global de carne bovina, precisa alinhar suas práticas às normas do bloco para manter acesso a um dos mercados mais lucrativos do setor.

  • Governo endurece regras de exportação de carne para evitar embargo da UE a partir de setembro

    Governo endurece regras de exportação de carne para evitar embargo da UE a partir de setembro

    Novo protocolo contra uso excessivo de antimicrobianos

    A pasta determinou que frigoríficos e indústrias de derivados carnes habilitados a exportar para a UE implementem sistemas de rastreabilidade auditáveis, capazes de comprovar o cumprimento das normas europeias sobre o uso de antimicrobianos — um dos pontos mais sensíveis nas relações comerciais entre o Brasil e o bloco.

    Segundo o ofício circular publicado nesta semana, os estabelecimentos devem garantir, no mínimo, a documentação detalhada de todas as matérias-primas, animais e insumos utilizados na produção de lotes destinados à exportação. Isso inclui desde a origem do gado até os aditivos empregados no processamento da carne.

    Corrida contra o relógio: por que o prazo é crítico

    A partir de 1º de setembro de 2026, a União Europeia passará a aplicar sanções mais rígidas contra países que não alinharem suas práticas às novas regras de bem-estar animal e uso controlado de antimicrobianos. O Brasil, segundo maior exportador de carne bovina para a UE, corre contra o tempo para evitar um embargo que poderia custar ao setor mais de US$ 2 bilhões anuais em perdas, segundo estimativas da Associação Brasileira de Indústria Exportadora de Carne (ABIEC).

    Setor se prepara para mudanças profundas

    Produtores e frigoríficos já estão se adaptando. A medida exige não apenas ajustes operacionais, mas também investimentos em tecnologia de rastreamento e treinamento de equipes para registrar cada etapa da cadeia produtiva. Empresas que não se adequarem até a data limite poderão perder certificações essenciais para comercializar no mercado europeu.

    A pressão é maior para os grandes frigoríficos, que concentram a maior parte das exportações para a UE. No entanto, pequenos e médios produtores também serão afetados, uma vez que muitos integram suas cadeias de fornecimento aos grandes abatedouros.

  • Agência Embrapa de Notícias consolida liderança no agro: tricampeonato no + Admirados da Imprensa

    Agência Embrapa de Notícias consolida liderança no agro: tricampeonato no + Admirados da Imprensa

    Três títulos em sequência reforçam credibilidade do veículo especializado

    A Agência Embrapa de Notícias consolidou sua posição como referência em comunicação agropecuária ao ser tricampeã do prêmio + Admirados da Imprensa do Agronegócio, categoria Agência de Notícias. A cerimônia, realizada em São Paulo na data de referência, destacou o reconhecimento do mercado ao trabalho jornalístico da equipe liderada por Fernanda Diniz (coordenadora) e Marita Cardillo (editora).

    Embrapa supera concorrentes de peso

    O prêmio colocou lado a lado três veículos de comunicação: a Agência Embrapa de Notícias, a Agência Brasil (da Empresa Brasil de Comunicação, vinculada ao Governo Federal) e o Broadcast Agro, do Estadão. A vitória da Embrapa sinaliza, segundo analistas, a preferência do setor agropecuário por fontes especializadas e isentas em meio a discussões regulatórias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal — tema que tem movimentado o segmento nos últimos meses.

    Impacto além do prêmio: alcance e periodicidade

    Além do reconhecimento simbólico, a Agência Embrapa de Notícias atua como pilar da disseminação científica no agro, publicando boletins semanais (toda terça-feira) para profissionais e veículos de imprensa em todo o Brasil. Para o público internacional, a Embrapa mantém uma versão mensal do boletim, ampliando o alcance de suas pesquisas e inovações para além das fronteiras nacionais. A periodicidade e a qualidade editorial do veículo são apontadas como diferenciais que justificam sua hegemonia no setor.

  • MAPA discute restrições a antimicrobianos na agropecuária: o que muda para exportações brasileiras?

    MAPA discute restrições a antimicrobianos na agropecuária: o que muda para exportações brasileiras?

    Restrições a antimicrobianos: um debate com viés exportador

    Na última quarta-feira, 24 de junho de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) enfrentou novo capítulo no debate sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Entidades do setor, incluindo a Phibro Saúde Animal, vêm pressionando por ajustes regulatórios não para banir substâncias como a monensina ou a virginiamicina, mas para alinhar os protocolos brasileiros aos requisitos de importadores estratégicos — sobretudo a União Europeia e o Reino Unido.

    O que está em jogo para os produtores?

    Com a crescente demanda por carne e laticínios brasileiros no exterior, a harmonização das normas se tornou uma questão de competitividade. A Europa, principal destino das exportações brasileiras de proteína animal, exige limites mais rígidos a certas moléculas, o que afeta diretamente o manejo sanitário e nutricional das fazendas. A Phibro Saúde Animal, empresa do ramo, alerta que a desinformação está gerando pânico entre produtores, nutricionistas e veterinários, que temem perder acesso a insumos essenciais.

    Tecnologia e regulação: um equilíbrio necessário

    Contrariando a narrativa de que o Brasil estaria se rendendo a pressões internacionais, o debate técnico revela um esforço para modernizar a agropecuária brasileira. A adoção de tecnologias como a blockchain para rastreabilidade de insumos e a biotecnologia aplicada a probióticos são citadas como alternativas para reduzir a dependência de antimicrobianos sem comprometer a produtividade. No entanto, a transição exige investimentos em pesquisa, treinamento de mão de obra e adequação de infraestrutura — um desafio que o MAPA e o setor privado ainda não equacionaram completamente.

    Consequências para o agro brasileiro

    A não conformidade com os padrões europeus pode resultar em barreiras não tarifárias, como suspensão de exportações ou sobretaxas. Para um setor que faturou US$ 41,6 bilhões com exportações em 2025 (dados da ABPA), o risco é bilionário. Enquanto isso, a Phibro Saúde Animal defende que a solução passa por um diálogo transparente entre governo, indústria e cientistas, com foco em dados epidemiológicos e não em imposições unilaterais.

  • Antimicrobianos na pecuária brasileira: Europa pode fechar portas por falta de união na cadeia

    Antimicrobianos na pecuária brasileira: Europa pode fechar portas por falta de união na cadeia

    A União Europeia intensificou, neste ano, a fiscalização sobre a presença de antimicrobianos na carne bovina brasileira, com foco nas moléculas já banidas em seu território. A indústria de processamento, representada junto ao Ministério da Agricultura (MAPA) na última quarta-feira (11/06), propôs o alinhamento imediato das normas nacionais às exigências europeias — uma medida que, embora necessária para manter as exportações, revela a fragilidade estrutural de uma cadeia que há sete anos debate o tema sem avançar em soluções coletivas.

    O custo do improviso: quem paga a conta da falta de coordenação?

    O produtor rural brasileiro, pressionado a adotar práticas mais onerosas para reduzir o uso de antimicrobianos, enfrenta um dilema: investir em tecnologias e manejos alternativos sem garantia de retorno financeiro, enquanto a indústria de processamento, temerosa de perder o acesso ao mercado europeu, empurra o problema para o campo. Desde 2019, quando o debate ganhou força após denúncias de resíduos em carnes exportadas, a cadeia pecuária opera em modo reativo, sem um plano estratégico para modernizar a produção de forma sustentável e competitiva.

    Europa não espera: o que o Brasil precisa fazer para não ficar de fora?

    A UE não recuará em suas exigências ambientais e de saúde pública. Sem um acordo claro entre produtores, frigoríficos e governo — que inclua incentivos fiscais, linhas de crédito para inovação e fiscalização rigorosa — o Brasil corre o risco de ver suas exportações de carne reduzidas a mercados menos exigentes, como a China ou o Oriente Médio. A desarticulação atual, somada à lentidão burocrática do MAPA, transforma um desafio regulatório em uma crise de competitividade, com potencial para fechar portas que levaram décadas para serem abertas.

  • UE barra produtos animais do Brasil: falha de gestão ou surpresa? Farsul aponta falta de resposta à regra europeia já vigente

    UE barra produtos animais do Brasil: falha de gestão ou surpresa? Farsul aponta falta de resposta à regra europeia já vigente

    A decisão da União Europeia, anunciada em 11 de junho de 2026, de restringir a importação de produtos de origem animal brasileiros a partir de 3 de setembro de 2026 — motivada pelo uso de antimicrobianos como promotores de crescimento — não pegou o setor agropecuário de surpresa, segundo alega a Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul).

    Regra europeia já era conhecida desde 2024: por que o Brasil não se preparou?

    Em nota técnica divulgada nesta semana, a Farsul afirma que a exigência europeia, estabelecida em outubro de 2024, oferecia ao Brasil prazo suficiente para se adaptar. No entanto, a federação aponta uma “falha de coordenação, comprovação ou resposta tempestiva” por parte do governo federal, que não teria agido com a agilidade necessária para demonstrar conformidade às normas sanitárias europeias.

    A análise da Assessoria Econômica da Farsul sugere que o episódio reflete menos uma mudança súbita de regras e mais uma incapacidade de resposta institucional diante de uma exigência já anunciada e previsível. “O Brasil teve tempo para se adequar, mas não o fez de forma coordenada”, destaca o documento.

    Impacto imediato: queda nas exportações e prejuízo ao setor

    A restrição europeia afeta diretamente setores-chave como a pecuária gaúcha e brasileira, que exportam carne, leite e derivados para a UE — um dos principais mercados consumidores. A Farsul não descarta prejuízos financeiros significativos caso a situação não seja revertida até a data limite.

    O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso, mas fontes ouvidas pela imprensa indicam que negociações estão em andamento para evitar o bloqueio total. Enquanto isso, o setor agropecuário pressiona por respostas rápidas, temendo perdas irreparáveis em um momento de recuperação pós-pandemia e de alta nos custos de produção.

  • Brasil pede à UE prazo até 2029 para se adequar a regras europeias de antimicrobianos na carne bovina

    Brasil pede à UE prazo até 2029 para se adequar a regras europeias de antimicrobianos na carne bovina

    O governo brasileiro formalizou nesta semana um pedido à União Europeia (UE) para um período de transição na aplicação de novas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária, com foco exclusivo na cadeia de carne bovina. A medida busca evitar um colapso nas exportações do setor, um dos principais mercados para o Brasil, diante da iminente suspensão europeia de produtos brasileiros por descumprimento de normas sanitárias.

    A estratégia brasileira: adequação escalonada até 2029

    A proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê um cronograma de adaptação progressiva. Inicialmente, os frigoríficos exportadores deveriam comprovar que os bovinos não receberam antimicrobianos nos nove meses anteriores ao abate — uma exigência viável para animais criados em confinamento. A restrição total ao uso de antimicrobianos ao longo de toda a vida do animal, entretanto, só passaria a vigorar em 2029, dando tempo para que o setor se reorganize.

    “A complexidade da cadeia bovina brasileira exige um tratamento diferenciado. Enquanto outras proteínas animais, como aves, têm ciclos curtos e maior controle, a bovinocultura envolve múltiplas etapas e propriedade rurais, o que dificulta a rastreabilidade integral”, afirmou um técnico do Mapa ouvido pela reportagem.

    O impasse com a União Europeia e o risco comercial

    A crise diplomática entre Brasília e Bruxelas ganhou contornos mais graves após a UE retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal em maio deste ano. A justificativa foi o descumprimento de normas europeias de segurança sanitária, especialmente no que tange ao uso de antimicrobianos na produção pecuária. Técnicos do Mapa admitem que os setores de aves, ovos e mel enfrentam desafios menores, graças a ciclos produtivos curtos e modelos integrados de produção. O problema central, no entanto, está na cadeia de carne bovina, onde a falta de rastreabilidade integral expõe o Brasil a sanções comerciais.

    “A legislação europeia, já regulamentada desde 2023, estabelece o dia 3 de setembro de 2026 como o prazo final para adequação internacional. Se não houver flexibilização, o Brasil pode perder acesso a um mercado que consome 20% das exportações de carne bovina brasileira”, alertou um analista de comércio exterior.

    A batalha logística: por que a bovinocultura é o calcanhar de Aquiles?

    Diferente da avicultura, onde um frango leva cerca de 45 dias para ser abatido e todo o processo é controlado por integradoras, a bovinocultura brasileira é marcada por uma cadeia fragmentada. Um boi pode passar por até três propriedades diferentes — cria, recria e engorda — antes de ser levado ao abate. Embora alguns frigoríficos já possuam sistemas avançados de rastreamento, o volume de animais com histórico documentado de ponta a ponta ainda é reduzido. Essa lacuna torna a implementação imediata das normas europeias praticamente inviável.

    “A proposta de transição é uma tentativa de ganhar tempo sem prejudicar as exportações. Sem ela, o setor sofreria um apagão comercial em um dos seus principais mercados”, avaliou um executivo do setor entrevistado.

    O que está em jogo e o que vem pela frente

    A negociação com a União Europeia será decisiva para o futuro das exportações brasileiras de carne bovina. Caso o pedido de prorrogação seja recusado, o Brasil terá de correr contra o tempo para adequar toda a cadeia produtiva em menos de dois anos — um desafio logístico e financeiro considerável. Enquanto isso, o Mapa trabalha em um plano de contingência que inclui a capacitação de pecuaristas, a expansão de sistemas de rastreamento e a negociação de acordos bilaterais com países europeus.

    “Não se trata apenas de cumprir uma norma. É sobre preservar um setor que movimenta R$ 300 bilhões por ano e sustenta milhões de empregos no campo”, destacou uma autoridade do governo, que pediu anonimato para tratar do tema sensível.

  • Europa impõe veto a aditivos na nutrição do gado: como o Brasil reage à tempestade sanitária e comercial

    Europa impõe veto a aditivos na nutrição do gado: como o Brasil reage à tempestade sanitária e comercial

    A pecuária brasileira de corte enfrenta um dos seus maiores desafios diplomáticos e técnicos dos últimos anos. A União Europeia, principal destino da carne in natura do país — que exportou US$ 5,2 bilhões em 2023 —, anunciou a proibição total do uso de certos aditivos antimicrobianos em sistemas intensivos de produção, como confinamentos. A medida, que entra em vigor gradualmente a partir de 2025, coloca em xeque uma estratégia nutricional consolidada há mais de duas décadas no Brasil, ameaçando a competitividade do setor e exigindo uma reestruturação urgente em um dos pilares da agroindústria nacional.

    A virginiamicina no olho do furacão: por que a Europa mira um pilar da pecuária brasileira

    A decisão europeia tem como alvo principal a virginiamicina, um antimicrobiano amplamente utilizado em combinação com a monensina nos confinamentos brasileiros. Segundo Dhones Rodrigues de Andrade, doutor em zootecnia e supervisor técnico da Facholi Sementes e Nutrição, a associação desses dois aditivos é responsável por até 20% de ganho de eficiência produtiva em sistemas intensivos. Em dietas de alto grão — como aquelas baseadas em milho e soja —, a combinação garante não apenas maior ganho de peso, mas também reduz distúrbios metabólicos como acidose ruminal, um problema comum em animais alimentados com alta energia.

    “A monensina já é permitida na Europa, mas a virginiamicina não. Quando a gente fala em dietas desafiadoras, essa associação é quase que obrigatória para manter a performance animal e a saúde do rebanho”, explica Andrade. Sem alternativas imediatas, o setor enfrenta um cenário de perda de produtividade e aumento de custos — uma equação que pode inviabilizar economicamente muitos confinamentos, especialmente aqueles que dependem de financiamentos internacionais ou de contratos de exportação com a UE.

    Corrida contra o relógio: Uruguai, Chile e Argentina já se adiantaram — e o Brasil corre atrás

    Enquanto o Brasil ainda debate alternativas técnicas e negociações diplomáticas, países como Uruguai, Chile e Argentina já implementaram protocolos mais rígidos de rastreabilidade e restrição ao uso de antimicrobianos. A Argentina, por exemplo, proibiu a virginiamicina em 2021 e já exporta carne certificada como “livre de promotores de crescimento”. O Uruguai, por sua vez, investiu em sistemas de rastreabilidade blockchain para garantir a conformidade com as normas europeias, conquistando vantagens comerciais no mercado premium.

    “Os europeus já têm uma lista de países que já se adequaram. O Brasil está na fila de espera, e isso é perigoso”, alerta Andrade. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o bloco europeu responde por 25% das exportações brasileiras de carne bovina, com destaque para cortes premium como filé mignon e picanha. A perda desse mercado não só reduziria receitas como também poderia desvalorizar a carne brasileira no mercado global, já que os EUA e a China, principais concorrentes, já vêm ajustando suas práticas para atender às exigências europeias.

    O custo da transição: quem paga a conta da nova era na pecuária?

    A transição para um modelo sem antimicrobianos como a virginiamicina não será barata. Estima-se que o custo de produção possa aumentar entre 10% e 15% nos primeiros anos, devido à necessidade de reformular dietas, investir em probióticos e óleos essenciais como substitutos, e reforçar controles sanitários. Além disso, a rastreabilidade exigida pela UE — que inclui testes laboratoriais em 100% das partidas exportadas — adiciona mais um ponto de pressão sobre os frigoríficos e confinadores.

    “Não é só uma questão de substituir um aditivo por outro. É uma mudança de paradigma na nutrição animal”, afirma Andrade. Ele destaca que, em um primeiro momento, a produtividade pode cair entre 10% e 20% até que novas estratégias sejam validadas. Para os pequenos e médios confinadores, que já operam com margens apertadas, essa queda pode significar a inviabilização do negócio. Já as grandes indústrias, como JBS, Marfrig e Minerva, estão acelerando pesquisas com alternativas, como extratos vegetais e leveduras específicas, mas os resultados ainda estão em fase de testes.

    Diplomacia em jogo: o Brasil tem tempo suficiente para evitar o colapso?

    O governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura e da Apex-Brasil, tenta negociar prazos mais flexíveis com a Comissão Europeia. A estratégia inclui apresentar estudos científicos que comprovem a segurança do uso controlado da virginiamicina — algo que a UE já rejeitou em outras ocasiões. Enquanto isso, o setor privado corre contra o tempo para desenvolver soluções técnicas viáveis.

    “A gente precisa mostrar que o Brasil tem um plano de transição, mas a Europa não costuma ceder. Eles querem erradicar qualquer uso de antimicrobianos como promotores de crescimento, e isso é uma realidade”, comenta Andrade. A pressão também vem de dentro: organizações de proteção animal e consumidores europeus, cada vez mais exigentes, veem com maus olhos a utilização de qualquer substância que possa ser associada ao desenvolvimento de resistência bacteriana — um tema sensível no Velho Continente.

    O que muda para o consumidor brasileiro e global?

    A médio prazo, a carne brasileira exportada para a Europa tende a se tornar mais cara — reflexo dos custos adicionais de produção e certificação. No mercado interno, a tendência é que os preços se ajustem conforme a demanda internacional, mas especialistas descartam uma escassez imediata. No entanto, a qualidade da carne pode ser impactada: sem os aditivos, o ganho de peso dos animais pode ser menor, e a textura da carne, menos macia — fatores que influem diretamente no valor percebido pelo consumidor.

    Para o Brasil, o cenário é de alerta máximo. A pecuária, que já enfrenta desafios como desmatamento e mudanças climáticas, agora precisa lidar com uma nova barreira não tarifária que pode redefinir as regras do jogo. “Se a gente não se preparar agora, a Europa vai fechar as portas para a nossa carne premium. E aí, quem perde não é só o pecuarista, é todo o agro brasileiro”, conclui Andrade.