A União Europeia intensificou, neste ano, a fiscalização sobre a presença de antimicrobianos na carne bovina brasileira, com foco nas moléculas já banidas em seu território. A indústria de processamento, representada junto ao Ministério da Agricultura (MAPA) na última quarta-feira (11/06), propôs o alinhamento imediato das normas nacionais às exigências europeias — uma medida que, embora necessária para manter as exportações, revela a fragilidade estrutural de uma cadeia que há sete anos debate o tema sem avançar em soluções coletivas.
O custo do improviso: quem paga a conta da falta de coordenação?
O produtor rural brasileiro, pressionado a adotar práticas mais onerosas para reduzir o uso de antimicrobianos, enfrenta um dilema: investir em tecnologias e manejos alternativos sem garantia de retorno financeiro, enquanto a indústria de processamento, temerosa de perder o acesso ao mercado europeu, empurra o problema para o campo. Desde 2019, quando o debate ganhou força após denúncias de resíduos em carnes exportadas, a cadeia pecuária opera em modo reativo, sem um plano estratégico para modernizar a produção de forma sustentável e competitiva.
Europa não espera: o que o Brasil precisa fazer para não ficar de fora?
A UE não recuará em suas exigências ambientais e de saúde pública. Sem um acordo claro entre produtores, frigoríficos e governo — que inclua incentivos fiscais, linhas de crédito para inovação e fiscalização rigorosa — o Brasil corre o risco de ver suas exportações de carne reduzidas a mercados menos exigentes, como a China ou o Oriente Médio. A desarticulação atual, somada à lentidão burocrática do MAPA, transforma um desafio regulatório em uma crise de competitividade, com potencial para fechar portas que levaram décadas para serem abertas.

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