Pecuaristas brasileiros reagem contra restrições da UE ao uso de antimicrobianos: ‘Impacto nacional sem critério’

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As principais lideranças da pecuária brasileira se uniram em defesa do setor após a possibilidade de a regulamentação brasileira incorporar restrições ao uso de antimicrobianos na produção animal, seguindo padrões da União Europeia. Em nota conjunta divulgada nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, 15 entidades — entre elas a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e a Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável (MBPS) — classificaram a medida como um risco à competitividade do setor, que representa R$ 500 bilhões anuais para o país.

Medida europeia afetaria todo o Brasil sem distinção

O alerta das entidades destaca que, caso implementada, a proibição ou limitação do uso de antimicrobianos — ferramentas essenciais no combate a doenças como mastite e pneumonia em rebanhos — não levaria em conta as diferenças entre os sistemas de produção brasileiros e os europeus. Enquanto na UE predominam modelos intensivos com densidade populacional alta, o Brasil adota uma pecuária predominantemente extensiva, com desafios sanitários distintos.

Risco de queda na produtividade e aumento de custos

Segundo projeções da Associação Nacional dos Confinadores (ASSOCON), a restrição poderia reduzir a produtividade dos rebanhos em até 15%, elevando os custos de produção em R$ 80 por animal ao ano. “Não há base científica que justifique uma regulamentação única para realidades tão distintas. Isso pode inviabilizar pequenos e médios produtores”, afirmou o presidente da SRB, Antônio Pitangui, em entrevista exclusiva.

Exportações em xeque: União Europeia é destino de 22% da carne brasileira

A União Europeia é o segundo maior comprador de carne bovina brasileira, responsável por 22% das exportações do setor. No entanto, as entidades ressaltam que a medida não apenas prejudicaria a produção interna, como também poderia gerar barreiras comerciais disfarçadas. “A UE já impõe barreiras não tarifárias sob o pretexto de segurança alimentar. Agora, querem transformar nossas práticas em modelo europeu”, alertou o diretor da ACRIMAT, Paulo Carneiro.

Setor pede diálogo técnico e soluções alternativas

Diante do impasse, as entidades defendem a criação de um grupo de trabalho com o Ministério da Agricultura para avaliar soluções técnicas, como o uso de antimicrobianos em situações controladas ou a adoção de protocolos específicos por região. “O Brasil tem um dos sistemas mais rigorosos de rastreabilidade do mundo. Não precisamos copiar modelos de outros continentes”, argumentou a presidente da MBPS, Mariana Garcia.

O setor aguarda uma posição do governo federal, que tem até dezembro de 2026 para decidir sobre a incorporação das normas europeias ao ordenamento jurídico brasileiro.

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