Mapeamento inédito revela diversidade oculta do solo paulista
A Tereos, uma das líderes globais no setor de açúcar, etanol e energia, finalizou em 29 de julho de 2026 um estudo sem precedentes nos canaviais de São Paulo. Ao analisar 162 mil hectares — equivalentes a mais de 150 mil campos de futebol —, a empresa identificou 501 tipos distintos de solo, cada um com características específicas que impactam diretamente na produtividade da cana-de-açúcar. O levantamento supera em escala e detalhamento os mapeamentos tradicionais, tradicionalmente limitados a dezenas de categorias.
Tecnologia aliada à tradição agrícola
A metodologia empregada combinou técnicas de campo e análise laboratorial: foram realizadas 7.750 tradagens (perfurações para coleta de amostras) e abertas 561 trincheiras para expor perfis de solo em profundidade. Esses dados permitiram criar um sistema de classificação próprio, cruzando variáveis como textura, teor de argila, matéria orgânica e pH. A parceria com a consultoria Athenas foi crucial para transformar informações brutas em um mapa digital interativo, acessível aos gestores agrícolas da cooperativa.
Impacto: da teoria à prática na safra 2026/27
A revolução anunciada pela Tereos não é apenas acadêmica. Com o novo mapeamento, a empresa já iniciou a aplicação de manejo de precisão em suas áreas, ajustando doses de fertilizantes, irrigação e variedades de cana-de-açúcar conforme a aptidão de cada tipo de solo. Em São Paulo — estado que responde por 55% da produção nacional de cana e abriga usinas como a da unidade de São José do Rio Pardo —, a expectativa é aumentar a produtividade em até 12% na safra 2026/27, além de reduzir em 8% o uso de insumos químicos. A economia estimada em 5 anos chega a R$ 180 milhões, segundo projeções internas.
Sustentabilidade como diferencial competitivo
A iniciativa da Tereos ganha relevância em um cenário global onde a rastreabilidade e a eficiência produtiva são cada vez mais exigidas. Ao mapear micro-regiões com potencial para culturas alternativas — como sorgo ou amendoim em áreas menos férteis —, a cooperativa antecipa tendências do mercado, como a diversificação de culturas em rotação com a cana. A estratégia também se alinha às metas brasileiras de redução de emissões na agropecuária, com potencial para certificação de créditos de carbono em áreas manejadas com precisão.

Deixe um comentário