Bicheira-do-Novo-Mundo avança no Texas: parasita erradicado há 50 anos volta a assombrar a pecuária norte-americana

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Um velho inimigo ressurge: a praga que já aterrorizou a América

A confirmação de casos da bicheira-do-novo-mundo (New World Screwworm) no Texas reacendeu o alerta sanitário nos Estados Unidos. Três bezerros, uma cabra e um cão foram diagnosticados com a Cochliomyia hominivorax, mosca cujas larvas se alimentam de tecidos vivos, provocando lesões graves, perdas produtivas e, em casos extremos, a morte dos animais.

A presença do parasita no país, erradicado desde 1966, surpreende por reverter décadas de controle rigoroso. O USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) já iniciou ações de contenção, mas a situação evidencia uma ameaça que o Brasil e outros países tropicais enfrentam há anos: a dificuldade de monitorar rebanhos em larga escala.

Da erradicação ao caos: como a praga escapou do controle

A Cochliomyia hominivorax não é uma doença nova, mas sua volta aos EUA após 50 anos de ausência revela falhas críticas na vigilância sanitária. A mosca, que deposita ovos em feridas ou áreas úmidas do animal, tem larvas que se alimentam vorazmente de carne viva — um processo conhecido no Brasil como “bicheira”.

Nos EUA, a notícia gerou pânico entre pecuaristas, que não estão acostumados a lidar com a praga. No entanto, para o Brasil, onde a infestação é endêmica em regiões como a Amazônia e o Centro-Oeste, o cenário é familiar. A falta de controle pode levar a prejuízos milionários, já que a doença reduz a produtividade leiteira e de carne, além de aumentar os custos com veterinários e medicamentos.

Consequências e lições: o que os EUA podem aprender com o Brasil

A situação no Texas serve como um alerta global. Enquanto os EUA tentam conter a praga com armadilhas, inspeções e sacrifício de animais infectados, o Brasil desenvolveu estratégias como o Programa Nacional de Combate à Bicheira, que inclui controle químico, biológico e educação rural.

A volta da Cochliomyia hominivorax aos EUA não é apenas um problema local, mas um reflexo de como a globalização e as mudanças climáticas podem facilitar a disseminação de pragas. A pecuária norte-americana, acostumada a padrões sanitários elevados, agora enfrenta um desafio que muitos países em desenvolvimento já dominam — ou pelo menos tentam.

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