Brasil adota modelo sem antibióticos na pecuária, mas UE exige mais comprovações até setembro

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A publicação da Portaria SDA/MAPA 1617 em 3 de julho de 2026 marca um divisor de águas na pecuária brasileira: a eliminação progressiva dos antibióticos promotores de crescimento (AGPs) na alimentação animal. A medida reflete uma tendência global de redução do uso de antimicrobianos na produção de alimentos, impulsionada por pressões sanitárias e demandas de mercados consumidores.

Saúde animal sem antibióticos: o novo padrão brasileiro

Segundo Fernando Braga, Gerente Global de Marketing da ICC Nutrição Animal, a decisão do MAPA prioriza manejo sanitário, biossegurança e imunonutrição, além de técnicas como controle da microbiota intestinal e estabilidade da fermentação ruminal em bovinos. “Definitivamente, essa é uma virada de página”, afirmou Braga, destacando que o Brasil passa a adotar um modelo mais alinhado às exigências de mercados como os europeus.

UE impõe barreira comercial: suspensão de importações em setembro

A transição brasileira, no entanto, enfrenta um obstáculo externo. Em resposta à portaria, a União Europeia anunciou em junho de 2026 a suspensão das importações de alimentos de origem animal produzidos no Brasil a partir de 1º de setembro de 2026. A justificativa da UE é a falta de comprovações de que as novas medidas do MAPA atendem às suas exigências sobre o uso de antimicrobianos em toda a cadeia produtiva.

A decisão europeia afeta diretamente exportações de carne, leite e ovos, setores que movimentam bilhões de dólares anualmente. O MAPA já iniciou um plano de ação para apresentar à UE as evidências de que o modelo brasileiro está em conformidade com as normas internacionais, mas o prazo é apertado.

O que vem por aí: pressões por transparência e inovação

O caso coloca em xeque a capacidade do Brasil de conciliar crescimento da produção pecuária com padronização global de segurança alimentar. Especialistas alertam que, além de protocolos sanitários, será necessário investimento em tecnologias de rastreabilidade e suplementação natural — como leveduras e probióticos — para garantir a competitividade do setor.

A portaria do MAPA é apenas o primeiro passo. Agora, o desafio é demonstrar à UE — e a outros parceiros comerciais — que a pecuária brasileira não depende mais de antibióticos para manter a produtividade, sem comprometer a saúde animal ou a segurança dos alimentos.

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