Queda sazonal e dominância da Honda no mercado
Os dados da Fenabrave mostram que junho de 2026 fechou com 194.200 motocicletas licenciadas no Brasil, volume 1,79% menor que os 197.737 emplacamentos registrados em maio. Embora a retração seja leve, ela sinaliza uma possível acomodação do setor após o pico de vendas do mês anterior, comum em períodos de transição entre estações.
A Honda consolidou sua hegemonia no segmento, respondendo por mais de 125 mil unidades licenciadas — um número impressionante que representa cerca de 64% do mercado total. A estratégia da marca japonesa, ancorada em modelos como a CG 160 (líder isolada com 46 mil emplacamentos) e a Biz 125, mantém a fabricante na liderança há mais de uma década, com oito dos dez modelos mais vendidos em junho pertencendo à sua linha.
Yamaha perde fôlego no Top 10; novatas tentam espaço
A Yamaha, segunda colocada com 25.569 unidades, teve apenas um modelo entre os dez mais vendidos — a Factor 125, que ocupou a oitava posição. A marca, tradicional no segmento, viu sua participação no ranking reduzida frente à concorrência agressiva de Shineray e Mottu, que brigaram pela terceira posição com meras duas unidades de diferença (11.047 vs. 11.045 emplacamentos).
Já a CFMoto, em seu primeiro mês de operações no Brasil, emplacou 463 motocicletas em junho, um número modesto que reflete os desafios de uma marca nova em um mercado dominado por gigantes consolidados. Enquanto isso, a Mottu Sport 110i surpreendeu ao entrar no Top 5, consolidando a estratégia da startup de focar em modelos acessíveis e parcerias com revendas.
Concentração de mercado e tendências para o segundo semestre
A concentração de vendas em poucos modelos e marcas não é uma novidade, mas chama atenção em junho: oito das dez motocicletas mais emplacadas pertencem à Honda, enquanto as demais vagas do Top 10 são disputadas por marcas que apostam em preços competitivos ou nichos específicos. A queda nas vendas da Yamaha, embora pontual, pode ser um reflexo de uma estratégia de portfólio menos agressiva frente às concorrentes.
Para o segundo semestre de 2026, a expectativa é de estabilidade com possível crescimento impulsionado por programas de incentivo ao crédito e pela chegada do verão, período tradicionalmente forte para o setor. No entanto, a dependência de poucos modelos — especialmente a CG 160 — mantém o mercado vulnerável a mudanças bruscas na demanda ou em políticas econômicas.

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