O mercado físico do boi gordo segue em compasso de espera na segunda-feira, 13 de julho de 2026, com preços pressionados pela combinação de frigoríficos cautelosos, esgotamento da cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas e ritmo lento das exportações. A semana iniciou com quedas expressivas nas principais praças pecuárias do país, refletindo um cenário de negociações travadas e excesso de oferta de animais prontos para abate.
Exportações estagnadas e cota chinesa no limite
A China, principal destino da carne bovina brasileira, praticamente esgotou sua cota de importação para 2026, o que reduziu drasticamente o ritmo das vendas externas. Segundo dados do Ministério da Agricultura, as exportações para o país asiático caíram 18% na primeira quinzena de julho em comparação ao mesmo período de junho, impactando diretamente a demanda por boi vivo.
Consultorias veem luz no fim do túnel para o último trimestre
Apesar do atual cenário adverso, as principais consultorias do setor — Safras & Mercado, Scot Consultoria e Agrifatto — mantêm uma perspectiva otimista para o segundo semestre. O analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, destaca que o movimento de queda nos preços tem caráter conjuntural e não reflete os fundamentos do mercado. “A oferta de animais terminados deve diminuir nos próximos meses, enquanto a demanda internacional tende a se recuperar, especialmente com a retomada do consumo na China após o esgotamento da cota”, afirmou.
Ainda segundo as projeções, o aquecimento do mercado interno, impulsionado pelo aumento do poder aquisitivo em períodos sazonais, também deve contribuir para a valorização da arroba no último trimestre de 2026.
Pecuaristas resistem, mas apostam em recuperação
Os produtores rurais, no entanto, seguem reticentes em negociar suas boiadas nas atuais condições de mercado. A queda nos preços, aliada à incerteza quanto à demanda chinesa, levou muitos a postergar vendas, apostando em uma valorização futura. “A estratégia é esperar, mas com o risco de o mercado mudar rapidamente”, comenta um pecuarista do Mato Grosso, que preferiu não ser identificado.
Para especialistas, a recuperação da arroba dependerá não apenas da redução da oferta, mas também da capacidade do setor em diversificar mercados e reforçar acordos comerciais com outros países, reduzindo a dependência da China. A expectativa é que, a partir de setembro, o cenário comece a se inverter, com preços subindo gradativamente até o final do ano.

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