Desde o início de julho de 2026, o mercado físico do boi gordo não registra avanços significativos nas cotações. Na última sexta-feira (10), a arroba do animal era negociada a R$ 315/@, patamar mantido por uma resistência mútua: de um lado, frigoríficos tentam forçar quedas de preço diante da demanda doméstica enfraquecida; de outro, pecuaristas se recusam a vender com deságio, apostando em uma oferta ainda controlada de animais prontos para abate.
Demanda interna em baixa: o calcanhar de Aquiles do setor
Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o consumo de carne bovina no varejo segue abaixo do esperado, mesmo após o pagamento dos salários de junho — um período tradicionalmente favorável às vendas. A indústria frigorífica, já pressionada pela queda no poder aquisitivo do consumidor, optou por reduzir as compras de matéria-prima, o que aprofundou a estagnação das cotações.
Oferta controlada vs. estoques de frigoríficos: quem cederá primeiro?
Enquanto os pecuaristas sustentam os preços com a tese de que a oferta de animais terminados ainda é limitada, os frigoríficos argumentam que os estoques de carne no atacado e varejo estão elevados, dificultando novas compras. A falta de acordo tem levado a uma baixa liquidez, com poucos negócios sendo fechados e nenhuma perspectiva de mudança imediata no cenário.
Consequências para o setor: prejuízos e estratégias de sobrevivência
Para os frigoríficos, a paralisação nas negociações significa margens apertadas e riscos de ociosidade nas plantas industriais. Já os pecuaristas, que dependem da venda para reinvestir na próxima safra, enfrentam a incerteza de quando poderão comercializar com preços mais favoráveis. Analistas do setor indicam que, sem uma retomada do consumo ou um choque de oferta, o impasse pode se estender até o segundo semestre de 2026, quando tradicionalmente há uma melhora sazonal na demanda.

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