Categoria: Economia

  • Volkswagen Tera volta a R$ 99.990 com troca obrigatória de usado: estratégia mira cliente comum

    Volkswagen Tera volta a R$ 99.990 com troca obrigatória de usado: estratégia mira cliente comum

    Preço de estreia volta a valer, mas com custo oculto

    Desde seu lançamento, o Volkswagen Tera havia acumulado sete reajustes que elevaram seu preço em R$ 7.200. Agora, a montadora volta atrás e oferece o SUV de entrada por R$ 99.990 — desde que o comprador entregue um carro usado na operação. A estratégia, batizada de VolksVale+, será empurrada em toda a rede de concessionárias no sábado (20), mirando clientes que buscam preços mais atrativos.

    SUV enfrenta concorrência acirrada no varejo

    O Tera, que compete diretamente com modelos como Fiat Pulse Drive e Polo Track, volta a uma faixa de preço considerada estratégica no mercado. A versão Seleção, por exemplo, também teve redução para R$ 129.990. A promoção, com financiamento em até 48 meses, tenta reverter a queda de interesse após meses de preços inflados pela inflação e alta nos custos industriais.

    Volkswagen aposta em volume para turbinar vendas

    A operação VolksVale+ reflete uma tendência do setor: usar incentivos agressivos para movimentar estoques. Com o mercado de SUVs em ritmo mais lento em 2026, a estratégia de trocas obrigatórias — embora restritiva — pode atrair consumidores que já possuem veículos para negociar. Se bem-sucedida, a ação pode sinalizar um novo capítulo na política de preços da marca.

  • PL 5122/23: O que a ‘bomba fiscal’ esconde sobre a crise do agro brasileiro

    PL 5122/23: O que a ‘bomba fiscal’ esconde sobre a crise do agro brasileiro

    Na última quarta-feira (18/06/2026), o Senado aprovou o PL 5122/23, projeto que propõe a renegociação das dívidas do agronegócio, mas o governo federal tratou de batizá-lo imediatamente como uma ‘bomba fiscal’. A estratégia não é nova: desde que o texto entrou em pauta, o Executivo e parte da imprensa têm disseminado números conflitantes sobre seu impacto financeiro — ora 800 bilhões, ora 170 bilhões, ora 140 bilhões de reais — sem jamais apresentar uma metodologia clara ou uma fonte oficial consolidada.

    Números que não batem: a conta do governo é mesmo confiável?

    A instabilidade dos dados, que variam conforme o dia e o veículo, sugere que o objetivo não é medir o problema, mas sim justificar a inação. Em um cenário onde a inadimplência no campo atinge recorde histórico — com 140 mil recuperações judiciais apenas nos últimos 12 meses, segundo levantamento da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) — a recusa em negociar se torna ainda mais controversa. Afinal, como classificar de ‘irresponsável’ um projeto que tenta evitar o colapso de um setor que responde por 27% do PIB nacional?

    O agro pede socorro, mas o governo prefere apagar o incêndio com gasolina

    A estratégia de rotular o PL como ‘bomba fiscal’ é, na prática, uma forma de adiar soluções. Enquanto o governo se esconde atrás de números flutuantes, a realidade no campo é brutal: produtores rurais enfrentam juros de até 12% ao mês, bancos acionam execuções de garantias e o acesso ao crédito se tornou um privilégio de poucos. Em estados como Goiás, Mato Grosso e Paraná, cooperativas agrícolas já registram fechamento de unidades por falta de liquidez, com impacto direto na produção de soja, milho e carne — itens essenciais para a mesa do brasileiro.

    O que está em jogo não é apenas o futuro de milhões de empregos no campo, mas também a estabilidade da inflação e o abastecimento interno. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/2026 já registra queda de 8% na produção de grãos em áreas críticas, como o Cerrado goiano. Se a crise se aprofundar, o Brasil pode enfrentar um novo ciclo de escassez, com reflexos nos preços dos alimentos e na balança comercial.

    Por que a renegociação é inevitável — e o governo sabe disso

    O discurso de ‘responsabilidade fiscal’ soa vazio quando se considera que o governo já utilizou R$ 500 bilhões em 2025 para socorrer bancos e grandes empresas durante a crise do crédito. No agro, a renegociação não é um ‘perdão’, mas uma ferramenta para evitar um default em cadeia que poderia arrastar consigo todo o sistema financeiro, dada a interconexão entre dívidas rurais e operações bancárias.

    Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que o PL 5122/23, mesmo com limitações, representa a única saída para evitar um colapso maior. ‘O governo tem duas opções: ou assume o custo político de renegociar agora ou pagará muito mais caro depois, com juros estratosféricos e desabastecimento’, avalia a economista Ana Luiza Barbosa, da FGV. ‘A ‘bomba fiscal’ já está armada — e ela está no campo.’

  • Chery negocia incentivos no Rio para assumir fábrica da Land Rover e manter produção de SUVs no Brasil

    Chery negocia incentivos no Rio para assumir fábrica da Land Rover e manter produção de SUVs no Brasil

    A fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ) viverá seu último mês de produção em julho, com os últimos modelos — como os Discovery Sport e Range Rover Evoque — já montados e prontos para distribuição até meados do mês. Enquanto a montadora britânica não detalha os próximos passos aos funcionários, sinais concretos indicam que a Chery Automobile está em vias de assumir a unidade.

    Chery em negociação por incentivos fiscais para evitar fechamento da fábrica

    O governo do Rio de Janeiro e a Prefeitura de Itatiaia estão em tratativas avançadas com a Chery para oferecer incentivos fiscais que viabilizem a transferência da unidade. A estratégia da chinesa inclui a nacionalização do SUV Omoda 4, modelo que já é produzido na Argentina, mas que poderia ganhar produção local no Brasil — um movimento que alinharia a estratégia da Chery de expandir sua presença no mercado sul-americano.

    Parceria global pode manter Land Rover no Brasil

    Apesar da saída oficial da Jaguar Land Rover do país, fontes internas indicam que uma parceria comercial entre as duas montadoras — já existente em outros mercados — poderia viabilizar a continuidade da produção de modelos Land Rover na fábrica de Itatiaia, ainda que sob gestão da Chery. Segundo a JLR, a produção segue normalmente em junho, mas não há previsão oficial sobre o futuro da unidade além dessa data. “Não temos informações adicionais para compartilhar neste momento”, declarou a empresa em comunicado.

    Impacto no mercado e na região

    A transição entre as montadoras deve gerar incertezas entre os 1.500 funcionários da fábrica, mas também abre a possibilidade de manutenção de empregos e investimentos na região. A Chery, que já atua no Brasil com modelos como o Tiggo 8, poderia consolidar sua operação local com a ampliação da capacidade produtiva em Itatiaia, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade frente a concorrentes como a chinesa BYD, que também mira o mercado brasileiro de veículos elétricos.

  • Custo da cannabis legal no Brasil: o verdadeiro desafio atrás do THC 0,3%

    Custo da cannabis legal no Brasil: o verdadeiro desafio atrás do THC 0,3%

    Mais do que THC 0,3%, o desafio brasileiro é econômico

    A regulamentação da cannabis no Brasil, que permite o cultivo com até 0,3% de THC, abriu uma janela para uma indústria promissora. No entanto, o cerne da questão não é a capacidade técnica de produção, mas sim o custo para manter a conformidade sem inviabilizar economicamente o setor.

    O Brasil consegue produzir — mas a que preço?

    Estudos recentes, como os apresentados pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), confirmam que o país tem condições de cultivar cannabis dentro dos limites legais. O problema, entretanto, está nos custos operacionais, logísticos e de conformidade regulatória que podem encarecer o produto final, afastando investimentos e mantendo os preços altos para os pacientes.

    Indústria nacional vs. dependência de importações

    A expectativa da regulamentação não é apenas autorizar o cultivo, mas criar uma cadeia produtiva competitiva. Para isso, é preciso equilibrar custos com escala, tecnologia e mão de obra qualificada. Caso contrário, a indústria brasileira pode se limitar a um mercado de nicho, sem atingir o potencial de reduzir a dependência de medicamentos importados — que hoje dominam o acesso à cannabis medicinal no país.

    O que está em jogo até 19 de junho de 2026

    Enquanto o debate público se concentra nos limites de THC, a viabilidade econômica da produção nacional de cannabis segue em aberto. Sem soluções para os custos, o Brasil corre o risco de repetir o erro de outras indústrias reguladas: criar regras que, na prática, mantêm o mercado nas mãos de poucos players — ou pior, mantêm os preços inacessíveis para a maioria dos pacientes.

  • LIDE Agronegócio Ribeirão Preto debate futuro do setor com figuras-chave em 17/06

    LIDE Agronegócio Ribeirão Preto debate futuro do setor com figuras-chave em 17/06

    Ribeirão Preto, epicentro econômico do agronegócio nacional, sediou na última quarta-feira (17/06) o lançamento do LIDE Agronegócio Ribeirão Preto, um evento que colocou em pauta o futuro de um setor vital para o Brasil. A escolha da cidade não foi casual: a região abriga mais de 37% da agroindústria brasileira e é estratégica em cadeias como cana-de-açúcar, café, citros, pecuária, cereais e frutas.

    Um painel de peso para um setor estratégico

    O encontro, que reuniu figuras como o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, o presidente do LIDE Agronegócio Global Francisco Matturro, e o secretário de Agricultura de São Paulo Geraldo Melo Filho, teve como pano de fundo as pressões globais por sustentabilidade, inovação tecnológica e competitividade. Entre os debatedores, destacaram-se ainda o jornalista José Luiz Tejon e o empresário do setor sucroenergético Maurílio Biagi Filho, cujas visões convergiram para a necessidade de políticas públicas mais ágeis e investimentos em pesquisa.

    Desafios além das fronteiras: sustentabilidade e tecnologia

    O debate não se limitou ao cenário interno. Os participantes enfatizaram como o agronegócio brasileiro precisa se adaptar a demandas internacionais por redução de emissões de carbono e rastreabilidade, enquanto mantém sua posição de maior exportador de commodities agrícolas. A integração entre grandes produtores, startups de agtech e cooperativas foi apontada como caminho para superar gargalos logísticos e climáticos.

    O que esperar do LIDE Ribeirão Preto?

    O projeto, que deve se tornar um fórum permanente, promete ser um espaço para aproximar o setor privado, governo e academia. Para especialistas, a iniciativa pode acelerar a implementação de soluções como bioinsumos, energia renovável e agricultura de precisão — temas já em discussão no evento. Com a data de referência em 19/06/2026, resta saber como as propostas serão traduzidas em ações concretas nos próximos meses.

  • Haiti: O agronegócio que sustenta a economia caribenha apesar das crises

    Haiti: O agronegócio que sustenta a economia caribenha apesar das crises

    Exportações de alto valor no radar global

    Em meio a um cenário econômico marcado por instabilidades políticas e sociais, o Haiti surpreende ao posicionar seu agronegócio como o principal pilar de sua economia. Na data de 19 de junho de 2026, o setor rural haitiano se destaca não apenas como fonte de subsistência, mas como vetor de competitividade internacional, ancorado na exportação de matérias-primas de alto valor agregado — especialmente óleo de vetiver e frutas premium.

    Um mercado de contrastes

    O sucesso comercial do agronegócio haitiano contrasta com a precariedade de sua infraestrutura logística e social. Enquanto o país lidera rankings globais em produtos como o óleo de vetiver — insumo fundamental para indústrias de perfumaria e cosméticos — enfrenta desafios como estradas degradadas, falta de armazenamento adequado e escassez de crédito para agricultores. Segundo dados do Banco Mundial, a agricultura responde por cerca de 20% do PIB haitiano, mas os gargalos estruturais limitam seu potencial de expansão.

    O vetiver como carro-chefe

    O óleo de vetiver, extraído da raiz de uma gramínea nativa, é o principal produto de exportação do Haiti. Com demandas crescentes em mercados como Europa e Ásia, o insumo já movimenta milhões anualmente. No entanto, a cadeia produtiva ainda depende de técnicas artesanais em muitas regiões, o que eleva os custos e reduz a eficiência. A modernização do setor, embora urgente, esbarra em questões como instabilidade política e falta de investimentos estrangeiros.

    Frutas premium: potencial subutilizado

    Além do vetiver, o Haiti produz frutas como manga, mamão e abacate em condições ideais para o mercado internacional. No entanto, a falta de certificações sanitárias e cadeias de frio adequadas impede que esses produtos alcancem seu pleno potencial. Especialistas apontam que, com investimentos em tecnologia e logística, o país poderia triplicar suas exportações agrícolas em uma década.

    O desafio da transformação estrutural

    Para que o agronegócio haitiano deixe de ser apenas um salva-vidas econômico e se torne um motor de crescimento sustentável, são necessárias reformas profundas. A estabilidade política, a atração de capital estrangeiro e a capacitação de mão de obra rural são pontos críticos. Enquanto isso não ocorre, o setor segue como a esperança de milhões de haitianos que dependem dele para sobreviver.

  • SP e Mapa unem forças para transformar o agro paulista com inovação tecnológica

    SP e Mapa unem forças para transformar o agro paulista com inovação tecnológica

    Em um movimento estratégico para modernizar o agronegócio, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA) formalizaram ontem (16/06) um Protocolo de Intenções com foco na inovação agropecuária. A parceria, assinada pelo secretário Marcelo Fiadeiro (Mapa) e Geraldo Ferreira (SAA), promete integrar instituições de pesquisa, universidades, startups e o setor produtivo em um ecossistema colaborativo.

    De São Paulo ao Vale do Silício: uma revolução no campo

    O acordo não se limita a articulações governamentais. Ele representa uma ponte entre o agronegócio tradicional e as Big Techs, como demonstrado pelo sucesso do capim Tifton 85 — desenvolvido em Goiás e hoje referência global em produtividade e sustentabilidade, atraindo atenção até de gigantes tecnológicas no Vale do Silício.

    O que muda para o produtor e o consumidor?

    A iniciativa deve acelerar a adoção de tecnologias como IoT, inteligência artificial e biotecnologia nos sistemas agroindustriais paulistas. Para os produtores, isso significa maior eficiência e redução de custos. Para os consumidores, produtos mais sustentáveis e rastreáveis. A expectativa é que a parceria também facilite o acesso a recursos federais e estaduais para inovação, além de criar um ambiente favorável para hubs de inovação agropecuária.

    Um passo além da governança tradicional

    Ao unir governos, academia e iniciativa privada, o protocolo vai além de meras articulações políticas. Ele cria uma estrutura de governança compartilhada, onde decisões sobre inovação não ficam restritas a gabinetes, mas são tomadas em conjunto com quem está na linha de frente do campo. Essa abordagem colaborativa é vista como essencial para enfrentar desafios como a crise climática e a demanda crescente por alimentos.

  • El Niño forte em 2026: Santander alerta para quebra de safra e crise logística no agro brasileiro

    El Niño forte em 2026: Santander alerta para quebra de safra e crise logística no agro brasileiro

    El Niño forte em 2026: um alerta para o agro e a logística nacional

    O relatório mais recente do Santander sobre os riscos climáticos para o Brasil traz um cenário preocupante para o setor agropecuário e de transportes, com o El Niño se consolidando como uma ameaça concreta a partir de junho de 2026. Segundo a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), as projeções indicam uma probabilidade superior a 80% de formação do fenômeno após junho, com mais de 65% de chances de um evento forte ou muito forte entre outubro e dezembro deste ano.

    Impactos diretos no campo e nas estradas

    A segunda safra de milho, especialmente em Mato Grosso, surge como um dos pontos mais vulneráveis. A combinação de chuvas irregulares e altas temperaturas pode reduzir significativamente a produtividade, pressionando ainda mais a já fragilizada rentabilidade dos produtores rurais. O Santander destaca que empresas como Rumo e Hidrovias do Brasil também estão na mira, uma vez que a navegabilidade nas hidrovias do Norte — crucial para as exportações — pode ser comprometida, elevando os custos logísticos e atrasando a movimentação de grãos.

    Logística em xeque: fretes e exportações sob tensão

    Além dos riscos no transporte fluvial, o relatório aponta para uma possível redução no ritmo de crescimento dos fretes rodoviários, reflexo da menor demanda por escoamento de safras. O Arco Norte, responsável por escoar uma parcela significativa da produção brasileira, enfrenta um duplo desafio: a queda na produtividade agrícola e a interrupção ou encarecimento das rotas hidroviárias. Para o Santander, esses fatores podem não apenas limitar as exportações, mas também forçar uma revisão nos preços dos combustíveis e insumos, impactando toda a cadeia produtiva.

    O Centro-Oeste na rota dos efeitos indiretos

    Embora tradicionalmente menos afetado pelo El Niño do que o Sul e o Nordeste, o Centro-Oeste — especialmente Mato Grosso — não está imune aos seus efeitos. A região, que concentra grande parte da produção de soja e milho de segunda safra, pode sofrer com a irregularidade das chuvas, afetando diretamente a safrinha e, consequentemente, a renda dos agricultores. O relatório sugere que a pressão sobre a rentabilidade dos produtores rurais deve se intensificar, exigindo medidas de mitigação por parte do governo e das empresas do setor.

  • CRA de R$ 30,5 milhões liberado pela GCB para reestruturar dívidas do Grupo Rizzi no agronegócio baiano e maranhense

    CRA de R$ 30,5 milhões liberado pela GCB para reestruturar dívidas do Grupo Rizzi no agronegócio baiano e maranhense

    Financiamento alinhado ao ritmo do campo

    A GCB, especializada em crédito privado, anunciou na última quarta-feira (11/06) a emissão de um CRA no valor de R$ 30,5 milhões para o Grupo Rizzi, produtor rural com operações na Bahia e no Maranhão. A operação tem como objetivo substituir dívidas bancárias por uma estrutura mais compatível com a sazonalidade do agronegócio, onde o fluxo de caixa depende diretamente do plantio, colheita e comercialização de commodities como soja, feijão, algodão e sorgo.

    Condições do CRA Rizzi: prazo de 4 anos e retorno atrativo

    O título oferece investimento mínimo de R$ 1.000, prazo de 48 meses e remuneração de CDI + 4,5% ao ano, com pagamento mensal de juros. A distribuição é exclusiva pela plataforma da GCB, reforçando o papel do mercado de capitais como alternativa para o financiamento do setor agropecuário. Segundo dados da B3, operações como esta vêm ganhando espaço entre produtores que buscam reduzir custos e alongar prazos em um cenário de juros ainda elevados no crédito tradicional.

    Agronegócio baiano e maranhense em expansão

    O Grupo Rizzi, com atuação há mais de duas décadas no Nordeste, tem ampliado sua produção para atender demandas de indústrias alimentícias e o mercado de commodities. A reestruturação de dívidas com o CRA chega em um momento em que o setor enfrenta pressões por sustentabilidade financeira, mas também oportunidades com a valorização das exportações de grãos. A operação da GCB sinaliza uma tendência de uso crescente de instrumentos de securitização para alavancar a competitividade do agro brasileiro.

  • Sem rastreabilidade, Brasil pode perder acesso ao mercado europeu mesmo com tarifa zero

    Sem rastreabilidade, Brasil pode perder acesso ao mercado europeu mesmo com tarifa zero

    O Mercosul e a União Europeia selaram na última quarta-feira (17) um acordo histórico que elimina barreiras tarifárias para produtos brasileiros, impulsionando a competitividade do agronegócio nacional no maior bloco econômico do mundo. Contudo, o alívio tarifário — comemorado por produtores e governos — esconde uma exigência que se tornou condição sine qua non para a permanência do Brasil no mercado europeu: a rastreabilidade total da origem dos produtos e a adequação a padrões sanitários impecáveis.

    Do acesso facilitado à porta fechada: o paradoxo das exportações brasileiras

    Durante o Fórum Internacional do Agronegócio (Fiap) 2026, realizado ontem (18) em Campo Grande (MS), especialistas como Pedro Henrique de Souza Netto, gerente de agronegócio da ApexBrasil, destacaram que, embora a queda das tarifas abra caminho para uma vantagem competitiva imediata, os produtores brasileiros precisam urgentemente se adaptar a um ecossistema que não tolera falhas. “O mercado europeu não é apenas um destino comercial; é um filtro sanitário e de origem. Sem transparência total, o produto brasileiro não entra — ou é barrado na chegada”, afirmou Netto.

    Fruticultura e carnes: os setores mais ameaçados pela falta de compliance

    O alerta soa especialmente alto para segmentos como a fruticultura cultivada no semiárido brasileiro e a cadeia de carnes, dois pilares de exportação que já enfrentam pressões internacionais por desmatamento e uso de agrotóxicos. Segundo dados preliminares apresentados no evento, 68% dos produtores de manga e uva do Nordeste não possuem sistemas integrados de rastreabilidade, o que pode inviabilizar suas exportações para a UE ainda em 2026. No caso da pecuária, a exigência de passaportes sanitários digitais para cada animal já é uma realidade na Europa, com fiscalizações aleatórias nos portos.

    O custo de não se adaptar: perdas bilionárias e credibilidade internacional

    Para além das sanções comerciais, especialistas do Fiap 2026 destacaram que a falta de compliance pode ter um impacto ainda mais devastador: a perda de credibilidade do Brasil como fornecedor confiável. “A Europa não está negociando apenas tarifas; está negociando confiança. Se o Brasil não demonstrar que consegue rastrear cada grão de soja ou cada lote de carne, o acordo será letra morta em poucos meses”, alertou a economista agrícola Maria Fernanda Cunha, da Universidade de Brasília (UnB).

    O governo federal, ciente do problema, já anunciou um pacote de R$ 2,3 bilhões para subsidiar a implementação de tecnologias de rastreabilidade nas propriedades rurais, mas o prazo — até dezembro de 2026 — é considerado exíguo por muitos produtores. “Isso não é um investimento; é uma apólice de seguro contra o fechamento de mercados”, resumiu um dos painelistas do evento.