Categoria: Economia

  • Feicorte 2026: Setor produtivo do Oeste Paulista corre contra o tempo para manter feira na cidade

    Feicorte 2026: Setor produtivo do Oeste Paulista corre contra o tempo para manter feira na cidade

    A permanência da Feicorte (Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne) em Presidente Prudente não é apenas uma questão de prestígio para o Oeste Paulista, mas uma batalha pela manutenção de um dos eventos mais estratégicos para a economia regional. Com a edição de 2026 prevista para ocorrer entre 23 e 26 de junho, lideranças do agro, comércio e serviços se mobilizam para evitar que o município seja substituído por outras praças, como Londrina (PR), que já demonstrou interesse em sediar futuras edições.

    O peso da feira no PIB regional

    A Feicorte não é apenas um ponto de encontro para pecuaristas e indústrias do setor: ela é um motor econômico que movimenta desde hotéis e restaurantes até empresas de logística e prestação de serviços. Em 2025, o evento gerou mais de R$ 50 milhões em negócios para a região, segundo dados da Associação dos Produtores Rurais de Presidente Prudente (APRP). A perda do evento significaria não só um golpe simbólico, mas um impacto concreto na arrecadação municipal e na geração de empregos.

    Alianças estratégicas para blindar o evento

    Diante do risco, sindicatos rurais, associações empresariais e representantes do setor produtivo escalaram uma força-tarefa para consolidar a permanência da feira. Na última quarta-feira (4 de junho), foi realizada uma reunião na Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), em São Paulo, com a participação de 15 entidades locais. O plano inclui a apresentação de um pacote de benefícios aos organizadores, como isenções fiscais, estrutura logística reforçada e parcerias com universidades para palestras técnicas.

    Londrina na mira: o concorrente que acendeu o alerta

    O interesse de Londrina em abrigar o evento não é casual. A cidade, que já sedia a Expogrande, uma feira de gado de corte, tem investido pesado em infraestrutura para atrair grandes eventos agropecuários. Segundo fontes consultadas pela reportagem, a Feicorte estaria cotada para ser transferida já em 2027 se Presidente Prudente não apresentar um contrapropostas convincentes. “Não podemos esperar para agir”, afirmou o presidente da APRP, João Mendes, em entrevista exclusiva. “A feira é nossa, mas precisamos mostrar que estamos dispostos a investir nela.”

    O que está em jogo para 2026

    Mesmo com a mobilização em andamento, o tempo é curto. Os organizadores da Feicorte devem anunciar a sede da edição de 2027 ainda neste semestre. Para 2026, a feira segue confirmada em Presidente Prudente, mas a incerteza sobre os anos seguintes já começa a gerar dúvidas entre expositores e visitantes. “Se não resolvermos isso agora, perderemos não só a feira, mas também a credibilidade de sermos um polo de referência no setor”, alerta Mendes. A batalha está apenas começando, e o Oeste Paulista não pode se dar ao luxo de perder.

  • Governo federal amplia Move Agrícola para R$ 14 bilhões e lança R$ 21 bilhões em crédito para frota de veículos

    Governo federal amplia Move Agrícola para R$ 14 bilhões e lança R$ 21 bilhões em crédito para frota de veículos

    Mais recursos para o campo: crédito de R$ 14 bilhões em máquinas agrícolas

    O governo federal anunciou, nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, a ampliação do programa Move Agrícola de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões. A medida, divulgada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante a abertura da 20ª Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), tem como objetivo facilitar o acesso de produtores rurais a tratores, colheitadeiras, plantadeiras e outros implementos agrícolas. Os financiamentos já estão disponíveis no sistema bancário e oferecem juros de 9,5% ao ano, além de um ano de carência e prazo de até cinco anos para pagamento.

    Frota de veículos também recebe R$ 21 bilhões em crédito

    Em paralelo, o governo lançou uma nova etapa do programa de renovação de frota, agora com R$ 21 bilhões em crédito. Desse montante, R$ 2 bilhões serão destinados à renovação de veículos usados, enquanto os R$ 19 bilhões restantes financiarão a aquisição de caminhões e implementos rodoviários. Alckmin destacou que a primeira fase do programa já contratou recursos em cerca de 30 dias, demonstrando a agilidade na execução.

    Impacto econômico e expectativas do setor

    A ampliação dos recursos chega em um momento crítico para o agronegócio brasileiro, que enfrenta pressões por modernização e redução de custos. Com a oferta de crédito a juros atrativos, o governo busca impulsionar a produtividade no campo e reduzir a dependência de maquinário obsoleto. Analistas do setor apontam que a medida pode acelerar a recuperação de investimentos no setor, especialmente em regiões com forte presença agrícola, como o Centro-Oeste e o Matopiba. A expectativa é de que os novos recursos também beneficiem a indústria nacional de máquinas e equipamentos, que tem sofrido com a concorrência de importações.

  • Brasil e Panamá firmam acordo histórico para garantir fertilizantes e abrir mercado para sementes de coco e café

    Brasil e Panamá firmam acordo histórico para garantir fertilizantes e abrir mercado para sementes de coco e café

    Uma missão técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderada pela ministra Izabella Teixeira e realizada entre os dias 2 e 6 de junho de 2026, resultou em avanços concretos nas relações comerciais entre o Brasil e o Panamá. O objetivo central foi fortalecer a logística de fertilizantes — insumo crítico para a agricultura brasileira — e ampliar o acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado centro-americano.

    Fertilizantes: Nova rota para reduzir dependência de fornecedores asiáticos

    A comitiva brasileira identificou oportunidades para diversificar as rotas de importação de fertilizantes, atualmente concentradas em países como Rússia e China. Segundo dados do Mapa, o Brasil importa cerca de 60% dos fertilizantes que consome, o que torna a segurança no abastecimento um pilar da estratégia governamental. O Panamá, por sua localização estratégica no Canal do Panamá, pode se tornar um hub logístico alternativo para a distribuição de insumos agrícolas para o Mercosul e demais países da América Latina.

    Sementes brasileiras de coco e café ganham mercado no Panamá

    Além da pauta de fertilizantes, a missão obteve sucesso na abertura do mercado panamenho para sementes brasileiras de coco e café. Até então, o Panamá restringia a entrada desses produtos por questões fitossanitárias. Agora, com a formalização do acordo, os produtores brasileiros poderão exportar essas culturas para o país centro-americano, onde a demanda por café de qualidade e derivados do coco tem crescido nos últimos anos. A medida deve impulsionar as exportações do setor, que já faturam mais de US$ 5 bilhões anuais com café e coco.

    Agropecuária brasileira: Competitividade em xeque

    O acordo com o Panamá integra uma série de iniciativas do Plano Safra 2026/2027, que prevê investimentos de R$ 300 bilhões em crédito rural, pesquisa agropecuária e infraestrutura logística. Segundo analistas, a diversificação de parceiros comerciais é fundamental para reduzir os custos de produção e garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, especialmente em um cenário de volatilidade nos preços internacionais de insumos. “O Brasil precisa reduzir sua dependência de rotas logísticas concentradas e explorar mercados como o panamenho, que oferecem vantagens competitivas”, avalia o economista agrícola Carlos Eduardo Fredo, da FGV Agro.

    O que vem pela frente?

    Nos próximos meses, equipes técnicas do Mapa e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) negociarão a implementação prática do acordo, incluindo a definição de protocolos fitossanitários para a entrada de sementes e a construção de terminais logísticos no Porto de Colón, principal porta de entrada de mercadorias no Panamá. Além disso, está prevista a realização de uma feira agropecuária bilateral ainda em 2026, com participação de empresas brasileiras e panamenhas.

  • Brasil exporta 3,129 milhões de toneladas de algodão em 2026: recorde histórico para maio

    Brasil exporta 3,129 milhões de toneladas de algodão em 2026: recorde histórico para maio

    Maior volume da história para maio

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) mostram que o Brasil exportou 291,2 mil toneladas de algodão em maio de 2026, faturando US$ 449,6 milhões. O volume supera em 51,5% o registrado no mesmo mês de 2025, quando foram embarcadas 192,1 mil toneladas.

    Acumulado anual bate recorde

    A temporada julho de 2025 a maio de 2026 encerrou com 3,129 milhões de toneladas exportadas, um crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ciclo anterior (2,794 milhões de toneladas). O resultado é inédito e reforça a posição brasileira como principal fornecedor global de pluma, respondendo por 1,41% das exportações totais do país no mês.

    Desempenho supera expectativas apesar de queda mensal

    Apesar da redução de 21,7% no volume e 20% na receita em comparação com abril de 2026 (370,4 mil toneladas e US$ 560,6 milhões), o setor mantém trajetória ascendente. O algodão ocupou a 15ª posição no ranking geral de exportações brasileiras em maio e a terceira entre os produtos agropecuários, atrás apenas de soja e carne bovina.

    Sinais de recuperação e demanda global

    Analistas do setor atribuem o crescimento à retomada da demanda asiática, especialmente da China e do Vietnã, além da valorização do real frente ao dólar, que tornou o produto brasileiro mais competitivo. O Brasil responde hoje por cerca de 40% das importações globais de algodão, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

  • Exportação de carne bovina não afeta abastecimento interno, mas pressiona preços em 2026

    Exportação de carne bovina não afeta abastecimento interno, mas pressiona preços em 2026

    Desde 1997, o Brasil transformou-se no maior exportador global de carne bovina, com um crescimento vertiginoso de 5.791% nas vendas externas até 2025. No entanto, a ideia de que essa expansão prejudicaria o mercado interno — encarecendo o produto para o consumidor brasileiro — não se sustenta nos dados da Scot Consultoria. Segundo o analista Pedro Gonçalves, a produção nacional avançou ainda mais rapidamente: 232,8% no mesmo período, garantindo um aumento de 105,7% na disponibilidade interna de carne.

    Exportações x abastecimento: a matemática do setor

    O estudo da Scot Consultoria desmistifica a crença de que as exportações roubariam carne da mesa do brasileiro. Enquanto as vendas externas explodiram, a produção doméstica manteve ritmo superior, permitindo que o mercado interno também se beneficiasse. Em 2026, entretanto, a equação pode mudar. A menor disponibilidade de animais para abate — resultado de ciclos naturais da pecuária — deve reduzir a oferta interna e, consequentemente, pressionar os preços ao consumidor.

    O que explica a pressão de preços em 2026?

    O ciclo de produção pecuária no Brasil, que alterna entre fases de expansão e retração, está em um momento de menor oferta de animais prontos para abate. Isso ocorre independentemente das exportações, mas o volume recorde exportado nos últimos anos reduz ainda mais a margem para abastecer o mercado interno sem impacto nos preços. Segundo especialistas, a pecuária brasileira enfrenta um desafio duplo: manter a competitividade internacional sem sacrificar o poder de compra do consumidor doméstico.

    Consequências para a economia e o consumidor

    A dinâmica do setor pecuário em 2026 deve refletir não apenas em prateleiras mais caras, mas também em possíveis ajustes na política de exportações. O governo federal já sinalizou que pode monitorar os volumes exportados para evitar desabastecimento. Para o consumidor, a perspectiva é de preços mais altos nos cortes de carne, especialmente os mais demandados no mercado interno. Já para os produtores, a alta nos preços internos pode representar uma compensação parcial frente à volatilidade dos mercados internacionais.

  • Raízen acelera reestruturação de dívida bilionária com adesão recorde de credores

    Raízen acelera reestruturação de dívida bilionária com adesão recorde de credores

    A Raízen antecipa recuperação extrajudicial com apoio massivo de credores

    A Raízen deu um passo decisivo na reestruturação de sua dívida ao protocolar, na última sexta-feira (6/6), seu Plano de Recuperação Extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A medida, que busca reorganizar um passivo de R$ 64,7 bilhões, contou com adesão de credores representando 75,45% dos créditos financeiros e quirografários — percentual superior aos 70% mínimos exigidos pela legislação.

    O plano, que já superou o prazo inicial de 90 dias para obtenção de apoio, envolve instituições financeiras nacionais e internacionais, além de detentores de títulos emitidos no mercado interno e externo. A antecipação do processo reforça a capacidade da empresa de negociar em condições mais favoráveis, um movimento estratégico em um cenário de alta volatilidade nos mercados de commodities.

    Shell e Aguassanta lideram aportes bilionários no plano de resgate

    Entre as principais ações previstas no Plano de Recuperação Extrajudicial, destaca-se um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões a ser realizado pela Shell, acionista majoritária da Raízen. Além disso, a Aguassanta Participações — empresa controlada pela família de Rubens Ometto — compromete-se a injetar mais R$ 500 milhões, condicionados à efetiva participação da acionista na operação.

    A combinação desses aportes, aliada à adesão maciça de credores, sinaliza um esforço concentrado para reduzir a alavancagem da empresa e estabilizar sua posição financeira. Segundo analistas, a reestruturação é crucial para garantir a continuidade das operações da Raízen, especialmente em um contexto de queda nos preços do etanol e do açúcar nos últimos trimestres.

    Consequências e próximos passos para a gigante do setor sucroenergético

    A aprovação do plano pela Justiça de São Paulo ainda depende de homologação, mas o apoio massivo dos credores já coloca a Raízen em uma posição vantajosa para renegociar prazos e taxas com seus parceiros. Caso o processo seja concluído dentro dos prazos previstos, a empresa poderá focar em sua estratégia de expansão no mercado de biocombustíveis, onde enfrenta concorrência crescente de players internacionais.

    Para o setor sucroenergético brasileiro, a operação da Raízen serve como um termômetro da saúde financeira das grandes usinas, que ainda lutam para se recuperar dos impactos da pandemia e da crise climática. A capacidade da empresa de concluir a reestruturação com sucesso pode influenciar outras companhias do segmento a adotarem medidas similares.

  • Brasil rebate EUA: tarifas ao etanol seguem regras do Mercosul e não são exclusivas

    Brasil rebate EUA: tarifas ao etanol seguem regras do Mercosul e não são exclusivas

    Tarifas ao etanol: Brasil segue regras do Mercosul, não mira só os EUA

    A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Bioenergia Brasil emitiram nota nesta semana para rebater as críticas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre as tarifas brasileiras ao etanol importado. Segundo as entidades, a alíquota aplicada não é direcionada exclusivamente aos EUA, mas segue as regras da Tarifa Externa Comum do Mercosul, que uniformiza as tarifas de importação entre os países-membros do bloco.

    EUA mantêm protecionismo ao açúcar brasileiro há décadas

    As entidades também destacaram que os EUA, por sua vez, mantêm há décadas um sistema de proteção ao açúcar doméstico, com tarifas proibitivas e cotas que limitam as exportações brasileiras para o mercado norte-americano. Segundo dados do governo brasileiro, o volume permitido para exportação de açúcar dos EUA é tão restritivo que não chega a representar 1% do mercado global do produto.

    Conflito comercial: etanol vs. açúcar

    A disputa ganha contornos de um jogo de interesses onde ambos os lados mantêm barreiras comerciais. Enquanto o Brasil defende que suas tarifas ao etanol são legítimas e alinhadas a acordos internacionais, os EUA são acusados de praticar políticas protecionistas há anos, restringindo o acesso de produtos brasileiros como o açúcar e, agora, questionando as regras do etanol no mercado brasileiro.

  • Lecar perde benefícios do Mover após falhar em comprovar investimentos em P&D

    Lecar perde benefícios do Mover após falhar em comprovar investimentos em P&D

    Suspensão do Mover: cobrança de contrapartidas

    A Lecar, que busca viabilizar o lançamento do elétrico Lecar 459, teve sua habilitação no programa Mover suspensa pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Servícios (MDIC). A medida, publicada na data de hoje (5 de junho de 2026), decorre da ausência de relatórios técnicos que comprovem investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) realizados pela empresa em 2025. O programa, criado para fomentar a inovação no setor automotivo, exige que as fabricantes apresentem documentação detalhada sobre projetos de engenharia e tecnologias desenvolvidas localmente como contrapartida aos benefícios fiscais.

    Investigação do MPF e modelo de negócios questionado

    A decisão do governo federal ocorre em um momento crítico para a Lecar, cuja operação já é investigada pelo Ministério Público Federal sob suspeita de operação irregular de pirâmide financeira. O modelo de ‘Compra Programada’ da empresa, que prometia entregas de veículos mediante pagamentos antecipados, tem sido alvo de questionamentos sobre a existência de lastro real para as operações. Até o momento, a fábrica prometida para março de 2026 no Espírito Santo segue sem obras iniciadas ou licenças ambientais emitidas, levantando dúvidas sobre a capacidade da empresa de cumprir seus compromissos.

    Estratégia de sobrevivência: busca por parceiros asiáticos

    Em meio à crise, a Lecar tem buscado alternativas para manter suas operações. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a empresa estuda parcerias com fabricantes asiáticas para viabilizar uma linha de montagem multimarcas no Brasil. A estratégia, no entanto, ainda não garantiu a retomada dos investimentos necessários para reaver os benefícios do programa Mover ou a credibilidade junto ao mercado e aos órgãos reguladores.

  • Justiça de Rondônia suspende dívida de R$ 1,1 milhão e freia cobrança milionária do Santander em meio à crise do agro

    Justiça de Rondônia suspende dívida de R$ 1,1 milhão e freia cobrança milionária do Santander em meio à crise do agro

    A Justiça de Rondônia concedeu uma vitória a um produtor rural em meio à crise que assola o agronegócio brasileiro. Na última quarta-feira, 3 de junho de 2026, o juiz Pedro Sillas Carvalho, da 7ª Vara Cível de Porto Velho, determinou a suspensão imediata de uma cobrança milionária contra o Banco Santander, além de bloquear medidas restritivas contra o produtor Valdenilson Cordeiro Mendes.

    Crédito rural em xeque: decisão reforça proteção aos produtores

    O caso, registrado no Processo nº 7003589-78.2026.8.22.0001, envolve a solicitação do produtor para alongar as parcelas de um crédito rural, após enfrentar prejuízos causados por adversidades climáticas — como secas e eventos extremos — e pela queda nos preços das commodities agrícolas, que têm impactado diretamente a renda do setor.

    Audiência de conciliação e os desdobramentos da decisão

    A liminar foi proferida em um contexto de alta pressão sobre o caixa dos produtores rurais, que enfrentam não apenas a instabilidade climática, mas também a redução da demanda internacional por produtos brasileiros. A decisão judicial, ao suspender a cobrança, abre precedente para que outros produtores em situação semelhante busquem amparo legal, enquanto o setor aguarda por políticas públicas mais robustas de renegociação de dívidas.

    Setor agropecuário: entre a crise climática e a queda de preços

    O agronegócio brasileiro, um dos pilares da economia nacional, tem registrado quedas consecutivas nos últimos trimestres, com prejuízos estimados em bilhões de reais. A decisão da Justiça de Rondônia, embora pontual, sinaliza um alinhamento com as demandas do setor, que pleiteia não apenas alongamento de crédito, mas também subsídios e incentivos para mitigar os efeitos da crise.

  • EUA investigam políticas de trabalho forçado: como Brasil pode ser afetado no comércio de café

    EUA investigam políticas de trabalho forçado: como Brasil pode ser afetado no comércio de café

    Investigação do USTR coloca 60 países sob escrutínio

    O United States Trade Representative (USTR), órgão do governo dos EUA, iniciou na última terça-feira (2 de junho de 2026) uma ampla investigação sobre políticas adotadas por 60 economias — incluindo o Brasil — que visam restringir a importação de produtos associados ao uso de trabalho forçado em terceiros países. A medida, anunciada oficialmente pelo Escritório de Comércio norte-americano, tem como objetivo mapear e avaliar a conformidade dessas nações com os padrões internacionais de direitos humanos no comércio global.

    BSCA reforça: café brasileiro está fora do radar da investigação

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) emitiu comunicado nesta quarta-feira (3 de junho de 2026) para esclarecer que a investigação do USTR não se refere ao setor cafeeiro brasileiro, tampouco aponta irregularidades na produção nacional. Segundo a entidade, os códigos tarifários específicos do café — inclusive aqueles listados na exceção divulgada ontem pelo USTR — permanecem isentos das novas tarifas propostas.

    O comunicado da BSCA destaca ainda que a investigação está focada em produtos produzidos com trabalho forçado em outras nações, não na cadeia produtiva brasileira. A entidade reafirma que o café nacional, reconhecido por seus padrões de qualidade e sustentabilidade, segue alinhado às exigências internacionais, sem risco de restrições comerciais por essa via.

    Riscos comerciais e o que vem pela frente

    Apesar da isenção imediata para o café, a investigação do USTR acende um alerta para o setor agroexportador brasileiro. Caso o órgão identifique políticas inadequadas em outros segmentos — como soja, carne ou algodão —, o Brasil poderia enfrentar barreiras não-tarifárias ou até mesmo sanções comerciais. A BSCA, entretanto, mantém diálogo com autoridades para monitorar os desdobramentos e garantir que o café continue livre de restrições.

    O setor cafeeiro, que já enfrenta volatilidade nos preços e pressões por sustentabilidade, agora precisa acompanhar de perto as definições do USTR. A investigação, prevista para ser concluída em até 12 meses, pode redefinir as regras do jogo no comércio internacional de commodities — e o Brasil, como maior produtor global de café, não pode se dar ao luxo de ignorar os sinais.