Na última quarta-feira (17), o mercado de boi gordo registrou um paradoxo: enquanto consultorias e a B3 indicavam pressão baixista — com frigoríficos buscando alongar escalas e testar preços menores em praças estratégicas do país —, o mercado físico em São Paulo mostrava negócios firmes a até R$ 355 por arroba com pagamento à vista. A discrepância reforça que a oferta de animais terminados segue ajustada, mesmo diante de um cenário global de incertezas.
Frigoríficos tentam conter preços, mas pecuaristas mantêm poder de barganha
Levantamento do Compre Rural junto a frigoríficos em Bofete (SP) revelou que, nesta data, os negócios já fechavam em patamares superiores às médias divulgadas no dia anterior (16/06), com valores acima de R$ 355/@ à vista. A resistência dos pecuaristas em ceder aos preços testados pelas indústrias exportadoras evidencia que a disputa por animais prontos para abate permanece acirrada em várias regiões, especialmente no interior de São Paulo.
China e incertezas no mercado futuro pesam, mas não desequilibram a balança
Segundo análise da Safras & Mercado, as indústrias exportadoras vêm revisando suas estratégias de compra diante do avanço de barreiras comerciais e oscilações na demanda chinesa — principal destino das exportações brasileiras de carne bovina. No entanto, o movimento baixista no mercado futuro (B3) não conseguiu se sobrepor à dinâmica do mercado físico, onde a oferta limitada de animais terminados mantém os preços firmes.
O que esperar para os próximos dias?
Ainda não há sinais claros de recessão nos preços do boi gordo, mas a pressão dos frigoríficos deve persistir enquanto o volume de animais terminados não aumentar significativamente. Analistas do setor destacam que a manutenção dos patamares atuais dependerá não apenas da demanda internacional, mas também da capacidade de terminação dos animais nos próximos meses, especialmente com a aproximação do inverno, que pode impactar a oferta a pasto em algumas regiões.

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